Estratégias… Novidades… Mensagens … dos operadores do Grupo Ávoris deixadas por Nuno Aleixo e Constantino Pinto
Em entrevista ao Turisver, Nuno Aleixo, que acumula a direção-geral da Nortravel com responsabilidades na estruturação de produto dos operadores do Grupo Ávoris no nosso país, e Constantino Pinto, diretor de vendas do Grupo Ávoris em Portugal, falam das novidades que a Travelplan e a Jolidey vão colocar no mercado em 2024 e abordam a estratégia que o Grupo está a seguir no mercado português.
Pelas funções que tem, o Nuno Aleixo tem também uma preocupação com a contratação dos outros operadores. Por isso perguntava quais são as novidades que a Travelplan vai apresentar em 2024?
Nuno Aleixo – Uma das grandes novidades da Travelplan (que embora seja mais contratualizada a partir de Espanha a equipa comercial do grupo Ávoris em Portugal, liderada pelo Constantino Pinto, tem a função de dar os inputs do mercado), é Burgas, depois há ainda Monastir e o reforço para as ilhas espanholas e Saidia.
Monastir é à partida de Lisboa ou do Porto?
Nuno Aleixo – É a partida do Porto porque a nossa operação está centrada num avião que aterra no Porto no dia 1 de maio e só sai do Porto dia 30 de setembro, um 737-800 da companhia Enter Air, que vai voar sete dias por semana para o grupo Ávoris em Portugal. Obviamente que em junho não voará todos os dias mas a partir de julho e até meados de setembro voará sete dias por semana, para a Travelplan e para a Nortravel, conseguindo garantir operações para as ilhas espanholas, para a Tunísia – vamos ter duas operações para Djerba, uma para Monastir, que é a novidade – para Saidia, em Marrocos, para onde iremos reforçar duplamente a operação. Aliás, este avião, em alguns momentos, vai a Lisboa.
Depois temos também os três voos Nortravel para Cabo Verde, também sustentados neste avião, tal como o voo para Dubrovnik e Burgas. Ou seja, nós conseguimos, devido à dimensão que temos em termos de grupo, dar vazão a um avião baseado em exclusivo para o grupo Ávoris e isso dá-nos um grande alento. Obviamente que gostaríamos de alargar essa oferta se o aeroporto de Lisboa nos permitisse isso.
Isso significa que as operações de médio curso irão ser essencialmente a norte?
Nuno Aleixo – Essencialmente. Irá haver algumas operações para as ilhas espanholas onde o grupo Ávoris tem uma grande tradição, e nós em Lisboa teremos outras soluções com outras companhias aéreas porque não podemos abandonar a oferta à partida de Lisboa. Já temos essas soluções, aliás o avião da Enter Air chega a entrar em Lisboa em algumas operações porque obviamente não podemos pensar apenas no Porto.
“A capacidade do aeroporto de Lisboa responder ao longo curso é maior do que no médio curso e isso vê-se porque se consegue crescer em algumas operações, e por outro lado (…) nós temos capacidade de ter maior frota em voos de longo curso e podemos, inclusive, estacionar um avião no aeroporto de Lisboa”
Já o longo curso irá centrar-se mais em Lisboa?
Nuno Aleixo – Correto, por um lado porque a capacidade do aeroporto de Lisboa responder ao longo curso é maior do que no médio curso e isso vê-se porque se consegue crescer em algumas operações, e por outro lado porque nós temos capacidade de ter maior frota em voos de longo curso e podemos, inclusive, estacionar um avião no aeroporto de Lisboa.
Este ano a grande aposta do grupo no longo curso será feita através da marca Jolidey, embora também com a Travelplan, com a novidade das Maurícias, mas haverá mais um voo para Cuba, mais um voo para a República Dominicana, ou seja, há aqui uma continuidade e uma estabilidade de uma base aeroportuária. Ou seja, aquilo que fazemos do Porto com um avião de médio curso, conseguimos fazer em Lisboa com um avião de longo curso.
Há algum incentivo que torne mais fácil aos passageiros de Lisboa irem apanhar um voo ao Porto?
Nuno Aleixo – Com o voo de Malta em 2023 notámos, e até ficamos surpreendidos pela positiva, com o número de passageiros a sul de Leiria que estava no avião – de Leiria para cima as pessoas já podem optar por um ou por outro. Mas claro que as pessoas ficam um bocado apreensivas por terem de vir ao Porto.
Depois tivemos o problema com o voo de Saidia em que tivemos que, a partir de julho, mudar os passageiros para o Porto, demos um incentivo financeiro para as pessoas poderem vir ao Porto.
Para 2024 e vendo a reação dos clientes este ano, em dois dos voos que teremos à partida do Porto, vamos garantir um shuttle de Lisboa para o Porto: será no voo de Burgas e para a Croácia. Vamos garantir que o autocarro saia de Lisboa seis horas antes da partida dos voos e à chegada os passageiros também terão garantia de transporte para Lisboa.
Resumindo, em termos da Jolidey, as novidades são…
Constantino Pinto – No longo curso, as novidades são mais um voo para a República Dominicana, concretamente para La Romana e mais um voo para Cuba, em concreto para o Cayo de Santa Maria e há também o reforço da operação de Cancun: nas pontas vamos ter um segundo voo para Cancun, o que significa que vai haver uma altura em que teremos dois aviões de longo curso a voar em simultâneo.
Aquilo de que falávamos há pouco e que eu acho que é importante do ponto de vista comercial, é que não estamos de forma nenhuma a desinvestir no Porto, o que acontece é que a partir do momento em que estamos muito limitados no médio curso em Lisboa, faz todo o sentido reforçar o longo curso em Lisboa porque neste caso é possível e fazer um reforço de tudo o que for possível no Porto.
Como o Nuno Aleixo disse, temos várias operações novas e outras que saem reforçadas, à partida do Porto, criando agora os mecanismos para facilitar a vida aos passageiros a sul de Leiria para poderem ir ao Porto.
Charter para as Maurícias vai ter uma escala em Barcelona
Não sendo um destino novo, as Maurícias são a grande novidade da Jolidey em 2024?
Constantino Pinto – Sem dúvida. É importante referir que, tradicionalmente, o mercado português já era responsável por 10% da ocupação da operação das Maurícias à partida de Madrid. Foi sempre um destino vendido e nem tinha a noção da sua dimensão em termos do mercado português. No último ano transportámos cerca de seis mil passageiros de Madrid para as Maurícias e 600 eram portugueses e isso foi uma constante nos últimos anos. Há de facto muito mercado, não é fácil nem barato chegar às Maurícias em linha regular pelo que esta opção de um voo à partida de Lisboa – não dizemos que é direto porque há uma escala técnica em Barcelona – é uma mais-valia: as pessoas embarcam em Lisboa no Airbus A330neo e só saem no destino.
Estamos a falar de um voo de quantas horas?
Constantino Pinto – De Barcelona são quase 11 horas, temos mais hora e meia de Lisboa a Barcelona e o tempo de escala, mas compensa porque não há preocupação em ter que mudar de voo, passar de novo pela alfândega e voltar a embarcar, não há preocupação com as bagagens…
Ainda no campo das novidades, achava importante assinalar também o voo de La Romana. Pode perguntar-se porque é que ao colocarmos um segundo voo para a República Dominicana não o fizemos para Punta Cana, mas a procura e a aceitação que Bayahib tem no mercado português é enorme, e a partir do momento em que passamos a ter a disponibilidade hoteleira dos Inclusive Collection e da reconstrução do antigo B Live, conseguimos ter uma oferta hoteleira de grande qualidade a um preço muito competitivo, além de que desembarcamos as pessoas muito próximo de Bayahibe. São vantagens que estão a levar a que a operação esteja já a ter uma aceitação muito grande.
Os passageiros que vão no voo de La Romana podem reservar hotéis em Punta Cana?
Constantino Pinto – Perfeitamente. O voo está desenhado para Bayahibe mas podem ir para Punta Cana.
“Em termos globais, a Jolidey será a marca que mais vai crescer em Portugal com a disponibilidade de lugares que vai ter. Estamos a falar de duplicar Cancun, duplicar Cuba e duplicar a República Dominicana”
Na Travelplan e na Jolidey a oferta cresce face a este ano?
Nuno Aleixo – Em termos globais, a Jolidey será a marca que mais vai crescer em Portugal com a disponibilidade de lugares que vai ter. Estamos a falar de duplicar Cancun, duplicar Cuba e duplicar a República Dominicana, ou seja, teoricamente, estamos a falar de um crescimento de 100% ao nível da oferta. Claro que temos que subtrair a oferta do Porto que passa a não existir, pelo que o crescimento deverá rondar os 80%.
A Travelplan também tem uma grande aposta com o voo das Maurícias, estamos a falar de um avião bastante grande, embora partilhado com passageiros de Barcelona. E tem também a novidade de Monastir. Por isso penso que a Travelplan conseguirá ter uma oferta 40% superior à de 2023.
Na Nortravel estamos a prever um crescimento de 25% na oferta em relação à que tivemos em 2023.
Tudo somado, trata-se de um aumento substancial da oferta, mais direcionado. Nós na Nortravel se calhar não diversificamos tanto, se calhar teremos uma baixa em alguns produtos mais regulares e iremos apostar mais em produtos específicos em voos especiais.
Para apresentarem esta oferta é porque pensam que ainda não há uma oferta excessiva no mercado?
Nuno Aleixo – Não é só oferta excessiva, nós temos que ter atenção aos movimentos internacionais e temos que perceber que o Médio Oriente está a viver uma situação que leva as pessoas a fugirem um pouco aos destinos daquela região do globo e temos também o problema do Leste da Europa que ainda não retomou os números de que todos nós gostaríamos – países como a Polónia, a República Checa ou a Hungria. Entretanto, o posicionamento de todas estas ofertas que estamos a fazer dentro do grupo Ávoris em Portugal sai reforçado com outros destinos. Nós vimos a oportunidade de ir buscar passageiros que, provavelmente, não estariam connosco mas estariam com outros players e outras procuras e nós conseguimos cobrir essa oferta porque os passageiros irão crescer em 2024 mas possivelmente irão mudar de destinos e nós temos que estar prontos para poder dar resposta a este aumento da oferta nos destinos que já operamos.
Vocês têm destinos que já são tradicionais de cada operador do grupo, mas o Brasil nunca se tornou equacionável?
Nuno Aleixo – O Brasil é equacionável com a marca Nortravel – aí temos a característica da língua portuguesa – e é uma situação que ainda não conseguimos internamente, e também pelo próprio mercado que ainda não voltou aos números em que estava antes, mas em 2024 vamos voltar em força ao Brasil só que não nestas operações especiais, a que estamos agora a dar grande foco.
Estamos no final de 2023 a colocar no mercado as grandes operações de 2024 mas existem outras operações, já não em voos especiais mas em voos regulares, que iremos começar a trabalhar no início do ano, onde vamos conseguir dar uma continuidade para 2024-2025, e o Brasil é precisamente um dos destinos número um.
“A situação de grande investimento foi em 2018, quando adquiriu um operador de referência no mercado português, a Nortravel, e mesmo assim reforça em 2022-2023 com a marca Travelplan, portanto, em todas as linhas o grupo Ávoris está muito forte em Portugal”
O Grupo Ávoris tem tido um grande crescimento de vendas em Portugal. É essa a tradução do investimento?
Nuno Aleixo – Acima de tudo, trata-se da grande aposta do grupo Ávoris em Portugal, isso é notório e é muito importante. Eu, que estou no grupo Ávoris desde 2018, noto que não há descontinuidade no mercado. O Constantino Pinto está há mais tempo do que eu dentro do grupo e temos visto que tem existido um investimento cada vez mais forte em Portugal. A situação de grande investimento foi em 2018, quando adquiriu um operador de referência no mercado português, a Nortravel, e mesmo assim reforça em 2022-2023 com a marca Travelplan, portanto, em todas as linhas, o grupo Ávoris está muito forte em Portugal.
Constantino Pinto – Existe de facto um investimento uniforme, não é só nas operações de risco mas também nas outras marcas menos conhecidas como a LePlan, com a Disney, ou seja, estamos a fazer um forte investimento, estamos a ganhar quota de mercado de uma forma importante e até mais rápida do que tínhamos inicialmente previsto, e embora tenhamos ainda muito caminho para percorrer, nos últimos meses notou-se um crescendo importante.
Além da LePlan, na Catai também estamos a dar passos importantes, está-se a apostar mais no marketing, estamos a definir melhor o território Nortravel e o território Catai para que não haja uma sobreposição, atendendo a que ambas apontam a um cliente com um target muito semelhante e isso tem ajudado à aposta em determinados produtos. Em termos de neve temos a LeSki, uma marca pequena dentro do grupo mas que tem estado a movimentar-se bastante bem e já tem alguma expressão.
Tudo isto confirma aquilo que o Nuno dizia de termos um investimento muito forte do grupo Ávoris em Portugal e é importante ter em conta que quando se fala de investimento tem que se falar também de sustentabilidade e quando se fala de sustentabilidade não se fala apenas de sustentabilidade financeira ou económica, vamos muito mais além: nós queremos estar aqui por muitos e muitos anos. Por isso, a nossa aposta não é entrar de uma forma “rompedora” como dizem os espanhóis, ou seja com a ideia de que é tudo nosso, de que vamos dar tudo o que nos pedirem e fazer os preços que podemos fazer – não, nós apostamos na sustentabilidade que nos garanta a qualidade do serviço que queremos prestar, continuidade do grupo em Portugal e, sobretudo, a certeza de que a relação que estabelecemos com os nossos clientes é uma relação baseada numa garantia de confiança gerada pela qualidade do serviço e pelo apoio e assistência que damos diariamente. Daí que o grupo Ávoris está a construir o edifício pelas fundações, criando fundações bem profundas para o conseguir. Penso que o mercado não duvida disto, nós somos um grupo com rosto, onde há pessoas que dão a cara, onde há pessoas que estão presentes e onde há disponibilidade para resolver os problemas e ir ao encontro das pretensões dos clientes – esta é a nossa grande aposta.
Nós queremos estar aqui este ano, no próximo e em muitos mais, queremos que perdure para além do Constantino Pinto e do Nuno Aleixo e de todos os que estão cá agora. Para isso é preciso dar passos seguros e com confiança e é isso que estamos a fazer.
Leia aqui a 1ª parte da entrevista em que Nuno Aleixo, diretor-geral da Nortravel, apresenta as novidades deste operador turístico para 2024


