Estadas mais curtas, reservas de última hora e menor sazonalidade marcaram o AL em Portugal em 2025
A conclusão é do mais recente relatório da Lodgify, plataforma de gestão de alojamentos locais, que analisa a evolução do setor ao longo do último ano, dando conta da transformação estrutural que o mercado de alojamento local em Portugal está a atravessar.
No relatório divulgado esta terça-feira, 3 de fevereiro, a Lodgify dá conta indica que as tradicionais férias longas de verão estão a dar lugar a escapadinhas distribuídas ao longo de todo o ano, uma tendência acompanha o comportamento observado noutros mercados europeus e reflete uma maior flexibilidade dos viajantes, tanto ao nível do tempo como da antecedência das reservas.
De acordo com o relatório, em 2025, a taxa média de ocupação em Portugal recuperou para 51,5%, um crescimento de +3,4% face ao ano anterior. Agosto continuou a ser o mês com maior procura (65,1%), mas o crescimento das reservas no inverno e no outono confirma uma distribuição mais equilibrada da procura ao longo do ano, reduzindo a dependência da época alta.
Apesar da recuperação da ocupação, o preço médio por noite (ADR) registou uma descida para 177,3€ em 2025, menos 6,8% face a 2023, indicando que o crescimento foi impulsionado sobretudo por reservas em períodos de menor preço. Ainda assim, as reservas diretas continuam a gerar maior valor, com um preço médio 28,2% superior ao das OTAs (235,9€ vs. 169,4€).
No que diz respeito aos destinos favoritos, Lisboa manteve-se como o principal mercado em volume de reservas. No entanto, Leiria foi a grande surpresa de 2025, aproximando-se do Porto e confirmando o crescente interesse por destinos alternativos fora dos grandes centros urbanos. As estadias curtas dominaram o mercado, com as viagens de 1 a 3 noites a representarm 61,3% das reservas, um aumento de 15,8%.
O relatório revela também que as reservas de última hora, até 7 dias antes da estadia, cresceram 30% desde 2023, enquanto as reservas com mais de 91 dias de antecedência caíram 22,5%. Como resultado, a janela média de reserva reduziu-se para 60,2 dias, obrigando os anfitriões a uma gestão mais dinâmica de preços e disponibilidade.
Booking.com lidera mas Airbnb reforça posicionamento premium
Em termos de plataformas de reserva, a Booking.com mantém a liderança em Portugal, concentrando 42,6% do total das reservas. No entanto, perdeu quota para o Airbnb, que cresceu +2,9 pontos percentuais, reforçando a sua presença em destinos de elevada procura e preços mais elevados, como Lisboa e Faro. De acordo com o relatório, “este comportamento sugere um posicionamento cada vez mais premium do Airbnb no mercado português”.
A nível europeu, o estudo mostra que os anfitriões estão cada vez mais focados em aumentar a ocupação e escalar os seus negócios com o apoio da tecnologia. A inteligência artificial surge como uma oportunidade ainda pouco explorada, com potencial para otimizar preços, automatizar a comunicação com hóspedes e melhorar a eficiência operacional — fatores críticos num contexto de maior concorrência e reservas mais imprevisíveis.


