Espanhol de nascimento Juan Pereira diretor do Meliá Trinidad Península afirma que “não conheço em Espanha um hotel como este”
Está em Cuba há 13 anos e dirige o Hotel Meliá Trinidad Península desde a sua abertura. Em entrevista ao Turisver, Juan Pereira deu-nos a conhecer as particularidades deste hotel que abriu há pouco mais de ano e meio e que, na sua opinião, deu um novo atributo à cidade de Trinidad que considera ser um destino completo.
O que é que a abertura do Meliá Trinidad Península, há pouco mais de ano e meio, representou para a cidade?
Com a abertura de Meliá Trinidad Península, cidade passou a ter um novo atributo, já era uma cidade turística, património da humanidade, com diferentes zonas onde o turista podia aproveitar a cultura, a música, a tradição, e a natureza. Agora, com este hotel conseguimos que o turista possa vir à cidade usufruir dela e ter um lugar onde pode ficar durante mais dias e aproveitar também a praia.
Trinidad pode ser o destino turístico mais completo do país, diferente de outros lugares de Cuba, porque tem praia, natureza, cultura, história, gastronomia cubana e uma gente hospitaleira, simpática, alegre.
Este hotel é uma estrutura muito grande. Quando é que pegou nele? Já estava construído?
O hotel foi construído de raiz e é um dos hotéis mais modernos de Cuba, é o primeiro hotel em Cuba com 1.750 placas fotovoltaicas, que nos permite, em horário de pico do sol, produzirmos 80% da energia de que o hotel precisa. Tem também uma estação de baterias que retém a energia e ao mesmo tempo nos ajuda a dar estabilidade contra cortes de eletricidade de fora da rede.
Quais são as maiores virtudes desta unidade hoteleira?
As principais virtudes são duas. Primeiro, o pessoal, temos 590 trabalhadores daqui da região de Trinidad e são eles que realmente fazem com que o hotel funcione, seja um bom produto para os clientes. Depois o hotel em si, com uma estrutura que é muito confortável para o cliente, com edifícios baixos (rés do chão, primeiro e segundo andares) com elevador, e com 11 piscinas, o que ajuda o cliente a sempre ter um lugar tranquilo onde estar.
Há um terceiro ponto importante que tem a ver com as condições que o hotel tem para operar. Por exemplo, ao nível da eletricidade, como já disse, e ao nível da importação de produtos, porque é um hotel que tem licença para importar individualmente, tem sua própria lavandaria, tem uma série de condições que fazem com que o hotel seja muito estável e o cliente possa ter tudo o que espera.


Uma das críticas que em Espanha e em Portugal se faz muito a Cuba tem a ver com a alimentação. Vocês aqui primam por ter um padrão de alimentação muito bom, marcam a diferença. Como se introduz essa qualidade na alimentação?
Como disse, um dos pontos importantes é que podemos importar diretamente, compramos muitos produtos em Cuba, mas se não existem importamos de Espanha. E depois há uma série de assessores mexicanos na cozinha, que formam o pessoal desde a abertura. Os funcionários são pessoas de Cuba que já trabalhavam em restaurantes, mas foram formadas para termos um nível de gastronomia compatível com um hotel de cinco estrelas. A base é a formação contínua
“ Tem 401 quartos, uma secção standard com 321 e o The Level, só para adultos maiores de 18 anos, com 80 quartos. No The Level há um serviço mais personalizado, maior mordomia, os clientes têm a exclusividade de um restaurante, uma série de descontos na hora de comprar bebidas premium ou serviços do SPA, e o serviço de comida e bebidas é de um padrão um pouco mais alto do que na área standard”
Este hotel tem duas áreas específicas…
Sim, tem 401 quartos, uma secção standard com 321 e o The Level, só para adultos maiores de 18 anos, com 80 quartos. No The Level há um serviço mais personalizado, maior mordomia, os clientes têm a exclusividade de um restaurante, uma série de descontos na hora de comprar bebidas premium ou serviços do SPA, e o serviço de comida e bebidas é de um padrão um pouco mais elevado do que na área standard.
Para quem não quer ir a Trinidad à noite, há animação no hotel?
Temos um programa diário de animação durante o dia e durante a noite, até à 01h00. Há dias em que temos grupos de música cubana, noutros temos bandas de música internacional ou grupos de dança.
Trinidad está apenas a 10 minutos de carro e uma das coisas boas que tem Cuba é a segurança para o turista. Estou há 13 anos em Cuba, e é um país que cuida muito do cliente, uma sociedade onde há uma série de valores que fazem com que o país seja seguro.


Os mercados ibéricos já têm algum peso neste ano completo de operação do hotel?
Desde que abrimos, há um ano e nove meses, tivemos muitas estadias de Portugal e Espanha em julho e agosto, nota-se que tem aumentado face ao ano anterior, e realmente o feedback desses clientes foi bom. Esperamos que no próximo ano, com os agentes de viagens dos dois países a conhecerem melhor o produto e Trinidad, seja ainda melhor.
“Trinidad é um destino muito completo, e os agentes de viagens podem ajudar o cliente a decidir aquilo que estará mais de acordo com o que desejam. O cliente pode ficar no Cayo três ou quatro dias para desfrutar da praia e depois vir para Trinidad conhecer melhor o que é Cuba…”
Com os voos diretos de Lisboa para Santa Clara, é possível dar ao cliente português duas opções: fazer um combinado com Cayo de Santa Maria, ou ficar uma semana aqui em Trinidad.
Tudo depende. A praia Maria Aguilar aqui em Trinidad, onde está o hotel, é uma praia diferente, mas com muitos atributos, tem um sunset espetacular todo o ano, tem vistas para a serra de Escambray, um mar com todos os azuis do Mar das Caraíbas e muito boa temperatura da água. E apesar de haver zonas rochosas, tem zonas de banho e pode fazer-se snorkeling e passear de catamarã.
Trinidad é um destino muito completo, e os agentes de viagens podem ajudar o cliente a decidir aquilo que estará mais de acordo com o que desejam. O cliente pode ficar no Cayo três ou quatro dias para desfrutar da praia e depois vir para Trinidad conhecer melhor o que é Cuba, ficar aqui no hotel e conhecer a boa gastronomia…Penso que as duas opções funcionam.
Que outras coisas o turista pode fazer aqui?
Em Trinidad, há muitos restaurantes cubanos, muita música cubana em diferentes locais, muitos museus para visitar na cidade velha, ruas espetaculares a nível colonial para percorrer. Depois pode ir-se a Topes de Collantes onde há vários caminhos em plena natureza, em que se caminha 3 ou 4 quilómetros e acaba-se numa cascada natural, onde se pode tomar banho e onde depois é servido um almoço numa casa típica cubana. Pode também ir-se a Vale dos Engenhos, que são fazendas antigas, conhecer um pouco da sua história e ver um parque natural espetacular.


Dizia há pouco que se pode fazer snorkeling…
Aqui no hotel temos serviços de catamarã e a cerca de 400 metros temos uma barreira de coral que é perfeita para snorkelling. Além disso, há um catamarã que pode contratar-se através das companhias cubanas, e que vai até Cayo Iguana.
O hotel também oferece condições para as empresas poderem fazere aqui uma reunião ou um evento?
O hotel está recomendado para quase todos os mercados: casais, famílias, luas de mel, circuitos, eventos e congressos. Temos 700m2 de salões, totalmente equipados, onde se pode fazer todo tipo de evento. Já fizemos eventos nacionais e internacionais para 300, 400 pessoas, com os salões que temos. Podemos fazer qualquer tipo de evento, com diferentes atividades porque temos muitas localizações perto do mar, para fazer jantares e cocktails, receber grupos e fazer conferências. Para reuniões de trabalho, temos, por exemplo, o salão Trinidad, que tem uma tela digital de 20m2, que permite fazer projeções.
“Eu sou espanhol, com sangue português, o meu bisavô era português, e não conheço em Espanha um hotel como este, e há lá muito bons hotéis. É um hotel que pode competir com muitos hotéis da república Dominicana, do México, em termos de serviços, gastronomia, infraestrutura, modernidade, aliás é um hotel inteligente… “
Pela sua experiência, poderia dizer que este hotel é em Trinidad, em Cuba, mas poderia ser em outro lugar qualquer do mundo?
Totalmente. Eu sou espanhol, com sangue português, o meu bisavô era português, e não conheço em Espanha um hotel como este, e há lá muito bons hotéis. É um hotel que pode competir com muitos hotéis da república Dominicana, do México, em termos de serviços, gastronomia, infraestrutura, modernidade, aliás é um hotel inteligente, os quartos têm uma demótica para poupar energia.
Acho que o principal é, desde que abrimos, conhecer os gostos de cada mercado. Temos clientes canadianos, cubanos, portugueses, espanhóis, e há que tentar satisfazer um pouco os gostos dessas nacionalidades, em termos de gastronomia, de bebidas, e temos que dar um bom serviço de quartos e no hotel em geral – essa é a nossa filosofia.
Esta não é a sua primeira experiencia em Cuba?
Não. Estou em Cuba há 13 anos, comecei em Cayo Largo, em 2012. Depois estive em Cayo Santa María e Cayo Coco, como diretor de alimentação e bebidas. Depois fui para o Meliá Península Varadero como subdiretor, estive por sete meses, mas depois a Meliá ofereceu-me a posição de diretor corporativo de alimentação e bebidas, e durante três anos, levei a todos os 34 hotéis aquilo que é a restauração, cozinha e serviços-
Depois desses três anos em que vivi em Havana, apesar de percorrer todo o país, a Meliá convidou-me para diretor em Cayo Coco, fiquei dois anos e depois fui dirigir o Meliá Internacional Varadero, onde estive um ano e dez meses. Por essa altura já se sabia que o Juan Pereira viria fazer a abertura de Meliá Trinidad por vários motivos: um pouco pela experiência, e também porque em 2016 / 17, como era corporativo, participei um pouco no projeto do hotel, no desenho das cozinhas. Quando a empresa decidiu que tinha que enviar um diretor para aqui, escolheu-me.
Portanto, temos aqui um diretor de sangue português, espanhol de nascimento e quase cubano…
Quase cubano, sim, pelos 13 anos que aqui estou. Eu podia viver em Espanha, trabalhar como diretor, mas gosto muito da sociedade cubana e gosto muito de estar num lugar onde se podem fazer coisas, onde se pode formar e onde há um potencial a nível turístico, porque Cuba sempre vai ter potencial a nível turístico pelas praias, pelos cubanos, pela história, pela gastronomia, pela cultura e pela música.


