Em Pipa há algo diferente e para o sentir é preciso “atravessar o espelho” e entrar num mundo diferente chamado ‘Toca da Coruja’
Fica bem no centro de Pipa mas tão escondida que nem os menos incautos dão por ela. Chama-se ‘Toca da Coruja’ e é uma pousada cheia de charme, onde o conforto e a privacidade são regra. O Turisver, que teve a oportunidade de a visitar durante a fam trip ao Rio Grande do Norte, realizada pelo operador turístico Exótico com o apoio da TAP, dá-lhe a conhecer esta unidade que fica no meio da mata atlântica mas bem pertinho da praia.
O grupo que visitou o Rio Grande do Norte, a convite do operador turístico Exótico e da TAP, caminhava na rua principal de Pipa, de seu nome Av. Baía dos Golfinhos, entre gente que andava para um lado e para o outro, gente parada a conversar ou a ver as montras de pequenas lojas, até que surge a voz de comando do Sena, o nosso guia, “gente é aqui, para onde vão”. Exatamente onde ele parou, podia ler-se, numa pequena placa, a inscrição ‘Toca da Coruja’. Entrámos e foi como se atravessássemos um espelho mágico, o burburinho e movimentação da rua desapareceu, assim como desapareceram as carrinhas de carga que fornecem os estabelecimentos durante a manhã.

Percorrendo um pequeno caminho até à receção, ladeado de árvores, sente-se de imediato que se está a entrar num ambiente de tranquilidade e sossego. Na “sala/receção” que recebe os turistas, há uma mesa ampla de mármore, com tampo redondo e pés de madeira, onde está exposto um conjunto lindíssimo de corujas artesanais, a lembrar que estamos a entrar na “Toca da Coruja”. O espaço, arejado, onde chega uma luz natural tranquila dado que o sol e a claridade só de forma indireta lá entram, possibilita a quem chega ver em pormenor outras peças expostas, assim como algumas das distinções que a unidade já recebeu e que autenticam a sua qualidade.

Heloísa Faria, fundadora, proprietária e uma das administradoras, que teve a gentileza de receber o grupo e dedicar-lhe uma atenção personalizada durante as cerca das duas horas de visita, frisou a propósito que a Pousada já teve “alguns reconhecimentos nacionais e internacionais” e que “no ano passado tornámo-nos uma unidade com a distinção Michelin”. Além disso, desde o ano 2000, a Toca da Coruja pertence à Associação de Roteiros de Charme, o que diz bem do estilo desta unidade de alojamento.
Para melhor nos situarmos, Heloísa Faria começou por falar da localização da Pousada: “Estamos bem no centro de Pipa, e o mar é logo aqui em frente, estamos num local muito privilegiado”. De facto, assim é, a poucos metros fica o centro gastronómico da localidade, e a 50 metros a descida para a Praia da Pipa e o Centro, e muito perto ficam, também, as Praias dos Golfinhos e do Amor. Ficamos também a saber que a Toca da Coruja está dentro da “única mancha verde que existe dentro de Pipa, que é o nosso maior legado”. Por isso, ao percorrer alguns dos 25.000 metros quadrados dessa mancha, fica a conhecer-se um pouco daquilo que é a Mata Atlântica, aqui já no final dado que em frente se abre o mar.
No Rio Grande do Norte existiu uma importante capitania produtora de cana-de-açúcar, fundada pelos portugueses e, como noutros lugares do nordeste brasileiro, muitas das fazendas tinham casas senhoriais coloniais de grandes dimensões (um pouco à imagem dos solares existentes em Portugal). O que levou a proprietária da Pousada a frisar: “Vocês vão sentir-se em casa, porque a arquitetura lembra muito a arquitetura portuguesa, que é a nossa herança de Portugal”.
“(…) a ideia era a de receber as pessoas na nossa casa, porque a gente gostava desse estilo, a gente gosta de receber”. Os anos passaram, a pousada foi ganhando identidade, e “hoje sim, hoje a gente define [a Toca da Coruja] como uma pousada de charme, porque tem exclusividade, tem qualquer coisa de especial, sem ser ostentação”
Chegados àquela que foi a primeira construção erguida na Toca da Coruja, ficámos a saber que hoje o empreendimento tem 28 vivendas tipo chalés coloniais, divididas em duas categorias, 16 standard e 12 de luxo, e que só recebe crianças com idade superior a 10 anos. Foi-nos também explicado que ali o check-out é até às 15h00 e o check-in às 17h00, um horário que foi pensado tendo em conta o descanso dos hóspedes que, de resto, podem continuar a usufruir da pousada até às 17h00 sem quaisquer custos. Para tal, existe um espaço para guardar as malas, e espaço privado para relaxar ou tomar um duche antes de fazer a sua viagem.
Continuando a nossa visita, passámos pelo bar a Selva e por várias peças de arte que nos surgem a cada esquina do jardim, como a pequena fonte com a aguadeira no seu topo, e uma escultura de dois capoeiristas feita em metal, que chamou a atenção do grupo. Na Toca da Coruja, a arte é uma presença permanente e são muitas as peças que podem ser apreciadas, nomeadamente um conjunto de Corujas e muitos azulejos nos bangalôs da autoria de Francisco Brennand, artista plástico brasileiro, com várias valências nas artes, entre as quais a de ceramista e escultor.


Visitámos um bangalô standard, com uma excelente área, uma decoração que apela ao chique sóbrio ou, se preferirem, ao silent luxury, que não destoa do estilo de arquitetura exterior tipo colonial, e onde não falta nada daquilo que o hóspede dos tempos modernos procura, desde uma grande cama com colchão de qualidade, uma televisão com écran de dimensão adequada ao espaço, e acesso a toda a tecnologia dos tempos de hoje.
Conversando com Heloísa Faria, fiquei a saber que é de São Paulo e que a história da Toca da Coruja começou com “dois jovens que queriam mudar de vida” e que para isso viajaram por vários lugares do Brasil, mas Pipa foi o lugar que os conquistou, “pelas falésias que são maravilhosas, pela sua água sempre morna, e por ser um destino desconhecido”.
A ideia não foi logo a de construir uma pousada de charme até porque este era um termo que naquela época “ainda nem usávamos”. Por isso, contou, “a ideia era a de receber as pessoas na nossa casa, porque a gente gostava desse estilo, a gente gosta de receber”. Os anos passaram, a pousada foi ganhando identidade, e “hoje sim, hoje a gente define [a Toca da Coruja] como uma pousada de charme, porque tem exclusividade, tem qualquer coisa de especial, sem ser ostentação. Existem termos que às vezes até são redundantes, o quiet luxury, as pessoas vêm e se sentem bem, principalmente com o que a gente mais admira dentro da pousada, que é a natureza. Você abre a sua janela, olha, e é tudo verde, é silêncio, você ouve os pássaros, então isso é uma experiência que apela à calma”.
Continuámos a nossa visita já pelos passadiços de madeira, uma estrutura que evita que que se prejudique a floresta, e chegamos ao centro, onde existe uma pequena ponte que leva o nome de “Meca”, e um círculo que deriva para vários percursos possíveis. Vamos então para o lado que nos conduz, primeiro, para uma das três piscinas do empreendimento, sendo que duas recebem tratamento feito com ozono e uma com sal apenas, não se usando produtos químicos.
Mais à frente está a zona do Spa, onde encontramos outra piscina. Com uma receção e três salas para massagens – que têm de ser previamente reservadas -, bem escondidinhas no arvoredo, o espaço tem vidro para receber alguma claridade exterior, ar condicionado e uma música relaxante. Integra ainda uma sauna e piscina aquecida.
“A maior procura, não só de portugueses, mas também de outros europeus, acontece a partir de 15 de julho, e vai até ao final de setembro e depois também no final do ano para passarem cá o nosso Réveillon. No último ano, 80% da pousada estava ocupada por turistas portugueses, veio um grupo de amigos e foi incrível”.
Chegados àquela que foi a primeira construção erguida na Toca da Coruja, ficámos a saber que hoje o empreendimento tem 28 vivendas tipo chalés coloniais, divididas em duas categorias, 16 standard e 12 de luxo, e que só recebe crianças com idade superior a 10 anos.
Sobre a época em que mais turistas portugueses se alojam na Toca da Coruja Heloísa Faria adiantou que “a maior procura não só de portugueses, mas também de outros europeus, acontece a partir de 15 de julho, e vai até ao final de setembro e depois também no final do ano para passarem cá o nosso Réveillon. No último ano, 80% da pousada estava ocupada por turistas portugueses, veio um grupo de amigos e foi incrível”.
Na Pousada da Coruja, disse-nos, o réveillon “é um luau, feito na área da piscina principal, tudo é iluminado com luz de velas, com DJ. Como já sabemos com antecedência qual é tipo de cliente, a idade, a música já está definida de acordo com o que o pessoal gosta, a festa já está incluída dentro do pacote e a pousada, durante o período do Réveillon, fica sempre a 100%”.
Para o fim do ano de 2026 “ainda temos alguma disponibilidade” adiantou a responsável da Toca da Coruja, mas deixou um aviso aos agentes de viagens: “não sei se ainda será por muito tempo, por isso é importante que reservem o mais cedo possível”. De resto o conselho também é válido para outros períodos do ano, até porque os preços vão aumentando conforme a procura cresce.
A última paragem desta visita, aconteceu no Oca Toca, o restaurante que serve o pequeno almoço (café da manhã, nestas paragens), que se estende até ao maio dia, porque “o cliente aqui tem o seu tempo, tem gente que vem tomar café da manhã logo às 7h30, e outros que querem descansar, ou que vão primeiro à praia, e na volta vêm tomar café da manhã”. O restaurante tem um equipamento adicional que lhe confere um estilo especial, um forno a lenha que encanta os hóspedes, onde são preparados alguns itens do café da manhã e refeições ao jantar.
A Toca da Coruja dispõe, fora da pousada, na Praia das Minas, de um beach club, o Bar da Praia, e oferece aos hóspedes um transfere que diariamente faz o percurso de ida e volta. Trata-se de um espaço que tem o mesmo cunho de qualidade da pousada, tanto ao nível do serviço como da infraestrutura
Não se servem almoços, para isso a Toca da Coruja tem outra proposta, mas já lá vamos, o Oca Toca reabre às 18h00 e vai até às 23h30 horas para o serviço de jantar. Por ali, a proposta gastronómica tem, segundo a nossa interlocutora, “uma pegada regional mas ao mesmo tempo contemporânea, onde o cliente vai encontrar pratos que não têm uma classificação específica, há uma diversidade grande, incluindo pratos vegetarianos”. Além disso, o restaurante tem uma adega e uma carta de vinhos considerada das melhores da região.
A Toca da Coruja dispõe, fora da pousada, na Praia das Minas, de um beach club, o Bar da Praia, e oferece aos hóspedes um transfere que diariamente faz o percurso de ida e volta. Trata-se de um espaço que tem o mesmo cunho de qualidade da pousada, tanto ao nível do serviço como da infraestrutura. Tem também um restaurante onde são feitas refeições de degustação, e os consumos feitos pelos hóspedes não precisam ser pagos no momento, e só aparecerão no momento do check-out.
Estamos de novo na receção da Toca da Coruja, é chegado o momento de voltar a transpor o imaginário espelho mágico, com a sensação de que visitámos um pouquinho dos tempos idos, quer através da arquitetura dos bangalós, quer através das peças de decoração dos interiores (onde algumas, muito antigas, foram adquiridas em fazendas da região), ou da natureza que mostra um pouquinho daquilo que é a mata atlântica.



















