Em 2024 a MSC vai ter cruzeiros com partida e chegada a Lisboa entre abril e outubro, anunciou Eduardo Cabrita
Com uma quota de mercado em Portugal que rondará os 60% a 65% quando em 2019 era de cerca de 47%, a MSC Cruzeiros vai reforçar a aposta no mercado português já em 2024, alargando o número de partidas nos cruzeiros com embarque e desembarque em Lisboa, avançou ao Turisver o diretor-geral da MSC Cruzeiros Portugal, Eduardo Cabrita.
Qual é o ponto de situação das reservas na MSC Cruzeiros para este verão?
Com o problema da Covid ultrapassado e com as taxas de inflação a apresentarem uma tendência de descida o que notamos nos países do sul da Europa é que as pessoas querem viajar, querem fazer férias porque acham que é um bem necessário. A nossa perspetiva, se tudo correr bem, é de podermos chegar ao final de 2023 com um crescimento de 35% a 40% face a 2019, que até agora foi o melhor ano. Se conseguirmos atingir esse objetivo, estaríamos perante o melhor ano de sempre para o mercado dos cruzeiros em Portugal e as perspetivas para os anos vindouros seriam muito positivas.
Acredito que isto se passe no turismo em geral, no inbound e no outbound e não apenas no que se refere ao mercado dos cruzeiros e esperemos que não haja mais nenhuma entropia nos próximos meses, porque basta que alguém coloque um navio de guerra em determinado ponto do mar para que as reservas se ressintam de forma menos positiva.
E para a MSC Cruzeiros no global?
Em termos globais, diria que estamos também por aqui porque como somos uma empresa muito mais dedicada à Europa, temos praticamente todos os navios na Europa a funcionar e já são 21 navios – serão 22 com o Euribia que está a chegar e vai começar logo a realizar cruzeiros no Norte da Europa e nos Fiordes – e temos apenas três navios nas Caraíbas. Isto significa que estamos a puxar pelo mercado europeu de uma forma muito mais forte. O que sentimos foi que o norte da Europa começou a recuperar mais tarde que o sul.
Acreditamos, no entanto, que nos próximos meses, e já a entrar em 2024, os países da Europa possam ter outra capacidade de resposta em relação ao que notámos em 2023 – essencialmente os mercados do norte da Europa e acredito que também os do sul da Europa vão continuar com a mesma predisposição para férias.
Depois temos o reverso da medalha que são as taxas de inflação, as despesas com pagamentos especialmente aos bancos e ver como tudo isto se vai comportar em 2024 porque a cada três ou seis meses, todos nós sentimos que há diferenças.
“Acredito, pela noção que tenho do mercado e pelos parceiros com quem vamos falando, que a nossa quota de mercado varia, neste momento, entre os 60% e os 65%”
Acredita que possa também haver um ganho de quota de mercado pela MSC Cruzeiros em Portugal?
Acredito. Nós acabámos o ano de 2019 com sensivelmente 47% de quota de mercado. A MSC foi a primeira companhia a recomeçar, conseguimos comunicar bem esse recomeço e ser os primeiros a elaborar determinados procedimentos de higiene e segurança que foram depois efetuados por outras companhias de cruzeiros, especialmente na Europa e todo este tipo de ações permitiu que saíssemos muito mais depressa para novas reservas uma vez que também tínhamos muito mais navios a efetuar cruzeiros.
Chegados a 2023 acredito, pela noção que tenho do mercado e pelos parceiros com quem vamos falando, que a nossa quota de mercado varia, neste momento, entre os 60% e os 65%. Claro que há vários fatores que contribuem para que isto aconteça: um tem a ver com os últimos três anos, como referi, outro é o facto de termos cruzeiros com saídas e chegadas a Lisboa e não só no período que tínhamos anteriormente que era final de setembro, outubro e novembro já que em 2023, pelo segundo ano consecutivo, temos saídas a partir de junho, e somos os únicos.
Em 2024 vamos ter outra vantagem nesse sentido – e acredito que voltaremos a ser os únicos – porque vamos começar a ter essas partidas de Lisboa desde o final de abril. Pela primeira vez ao fim de quase 15 anos, Portugal vai ter cruzeiros com partida e chegada a Lisboa entre o final de abril e outubro/novembro, ou seja, durante toda a época de verão.
Isto significa uma maior predisposição dos portugueses para viajarem, mas não só. Notámos, em 2022 e 2023, que as companhias aéreas aumentaram muito as tarifas, o que faz com que as pessoas se possam retrair noutro tipo de férias e pensarem em fazer um cruzeiro com saída e chegada a Lisboa porque um cruzeiro com 10 noites equivale mais ou menos a umas férias de sete noites com avião noutro lugar e até mais barato.
A conjugação de todos estes fatores faz a diferença mas acresce uma diferença estrutural que é o facto de termos 22 navios a atuar na Europa e tendo mais navios temos mais oportunidades, mais itinerários e mais opções do que os nossos concorrentes.
Em 2024 vão ter algumas novidades em termos de itinerários ou será semelhante ao que têm agora no mercado?
Vai ser relativamente semelhante. A tentativa não foi mudar o que estava feito mas essencialmente aumentar o período e o número de cruzeiros e vai ser um grande desafio porque ter cruzeiros entre o final de abril ou apenas no final de junho, é começar numa época em que as pessoas fazem férias mas não como nos meses de julho e agosto. É um caminho que temos que fazer como líderes de mercado em Portugal e com a capacidade que temos com os novos navios alguém tem que puxar pelo mercado para que a penetração dos cruzeiros seja mais forte.
Na Europa o setor ainda é um mercado de primeiro cruzeiro
Em mercados maduros há muitos repeaters mesmo para os mesmos itinerários. Estão também a apostar nisso no caso do mercado português?
Um pouco, embora eu possa dizer que especialmente em Portugal e no que vejo pela Europa, o setor dos cruzeiros ainda é um mercado de primeiro cruzeiro e os repeaters fazem-no de dois em dois ou de três em três mas não atingem percentagens muito grandes, ou seja, podemos dizer que num ano inteiro podemos ter 20% ou 30% de repetidores de há dois anos mas não do ano imediatamente anterior, porque não estamos na maturidade, ainda estamos num ciclo de crescimento. Aliás os cruzeiros ainda representam uma percentagem mínima dos viajantes da Europa, cerca de 2%, o que significa que a penetração ainda é muito baixa. Em Portugal, se neste ano de 2023 chegarmos a 90.000 passageiros no total do mercado, representa 0,9% da população, portanto há ainda um longo caminho para percorrer nesse sentido.
Quem alimenta estes cruzeiros à partida de Lisboa não são os portugueses, são clientes que vêm de outros países já a bordo ou que se deslocam propositadamente a Lisboa para iniciar o seu cruzeiro?
A estratégia inicial foi de efetuar um cruzeiro que tivesse um número de noites que não poderia ser sete porque os portos de embarque mais fortes são Génova, não só para os italianos mas também para o mercado alemão, Marselha essencialmente para os franceses e Barcelona para os espanhóis e alguns mercados do norte da Europa. Com estes três hubs poderíamos colocar Lisboa, primeiro porque é um destino bastante forte para o itinerário e depois porque desta forma a companhia, que tem um allotment para cada um dos portos, pode perceber quais são os fluxos de origem dos passageiros e colocar mais ou menos lugares para cada um dos portos.
Lisboa, nos últimos dois anos, tem tido um fenómeno engraçado que é o de haver americanos a embarcarem aqui e também ingleses. Sentimos que estes podem ficar uns dias antes na cidade para conhecerem o destino.
Pensamos que vamos acabar os Lisboa-Lisboa este ano com sensivelmente 700 passageiros por partida, o que é um número extraordinário comparado com o que tínhamos quando as partidas em setembro, outubro e novembro, e esperamos que consigamos realmente expandir-nos em 2024 porque vamos ter mais de 20 partidas.
O Funchal obedece a uma lógica diferente?
Completamente, porque 99% das reservas são da Madeira. No início pensava-se que iriamos ter portugueses do continente a irem embarcar à Madeira, mas não. Por isso a lógica é a de, em vez de termos Lisboa, termos o Funchal no final do verão, em setembro, outubro e novembro. Tal como acontece em Lisboa, o itinerário do Funchal tem portos que acabam por fazer a parte maior dos passageiros que são Génova ou Civitevechia (Roma), Barcelona ou, eventualmente, Marselha.
Seguindo esta lógica, o Funchal, em determinados anos, tem mais partidas do que noutros porque é um mercado mais pequeno e tendo um cruzeiro que tem que ser comercialmente viável, as rotas têm que fazer um tipo de circuito em que faça sentido ter um navio com capacidade para 3.000 ou 4.000 pessoas. Com o Explora poderá ser diferente porque as rotas são muito mais aproximadas a uma volta ao mundo por segmentos ou a uma volta a um continente por segmentos e não são cruzeiros rotativos.
A 1ª parte da entrevista a Eduardo Cabrita, exclusivamente dedicada à nova marca do Grupo MSC, Explora Jouneys, pode ser lida aqui.


