‘Egito, um país três destinos em charter’ foi o mote da conversa com Dário Brilha sobre o produto que a Solférias tem no mercado
A segunda parte da conversa com Dário Brilha, diretor de produto e contratação na Solférias, centrou-se na oferta que o operador turístico colocou no mercado para o Egito, com charters para Hurghada, Costa Norte e Sharm el-Sheikh, a novidade deste verão. Três destinos diferentes entre si, cada um com as suas valências, como explicou o nosso interlocutor.
Este ano a Solférias tem várias operações para o Egito, nomeadamente, para Hurghada, Sharm el-Sheikh e Costa Norte. O que é que diferencia estas três ofertas?
São muito diferentes entre si, até porque o Egito é um país gigante, onde cabem quase sete vezes Portugal. Nos três tentamos que o highlight seja a praia, porque normalmente é o tipo de segmento que nos procura, mas há valências que se podem ser combinadas em qualquer um deles.
Quem vai para Hurghada, claramente pretende uma praia com pouquíssima ondulação e água tépida, como é o Mar Vermelho. Visualmente não é uma praia tão bonita, o areal tem uma cor castanha clara porque a ondulação desgasta tudo o que é a zona de coral e a torna-o em areia.
A grande mais-valia de Hurghada é ser destino muito consolidado, com uma oferta hoteleira incrível, vários resorts all inclusive, autênticas cidades dentro dos resorts, e está muito próximo, em termos terrestres, de Luxor. O cliente pode facilmente juntar à praia uma visita a Luxor, que é uma das cidades mais importantes do Antigo Egito, onde se pode ver o Templo de Luxor, o Templo de Karnak, o Templo de Hatshepsut, os Colossos do Memnon, e o Vale dos Reis que é, basicamente, o cemitério a céu aberto onde foram sepultados os mais importantes faraós do Antigo Egito, onde foram encontrados não só os túmulos de Ramsés II, mas de Tutankhamun, o faraó mais conhecido do Egito, cujo espólio está no novo Museu do Cairo. Portanto, pode fazer-se um combinado de praia com cultura.


Hurghada, Egito
Por ser uma zona de coral, podem fazer-se uma série de passeios de barco a várias ilhas desertas, com paragens para snorkeling quase em alto mar, e a vida marinha no Egito é muito rica, é dos destinos mais conhecidos do mundo, seja para snorkeling ou mergulho, portanto, diria que quem procura Hurghada procura isso.
A Costa Norte oferece algo diferente. Como o próprio nome indica, fica na parte norte do Egito, numa zona banhada pelo mar Mediterrâneo, uma área (nós voamos para a cidade de El Alamein), que fica a oeste de Alexandria. É um destino que está numa fase muito embrionária, nós lançámos o destino como novidade aqui em Portugal e todos os anos sentimos que vão abrindo quatro, cinco hotéis novos, porque o nível de construção em é incrível. Estamos a falar da nova coqueluche da oferta de férias de praias do Egito, não só para as pessoas do Cairo que têm um poder de compra assinalável, mas para muitos clientes dos Emirados.
Visualmente, a praia é lindíssima, mediterrânica, de areia branca, água cristalina, não há coral, não há snorkeling, e sendo uma praia mediterrânea tem mais brisa, a água não é tão quente como em Hurghada, mas quente para o mercado português. A grande mais-valia da Costa Norte é que está muito mais próximo do Cairo e o cliente pode facilmente fazer um combinado de praia com duas noites no Cairo e visitar a cidade, ou fazer um full day tour ao Cairo, podendo visitar não só o novo museu como as três pirâmides de Gizé, almoçar e regressar.
O novo museu do Cairo é lindíssimo, maior que o Louvre. Eles fizeram um trabalho incrível, pegaram no espólio que tinham num museu muito apertado, e hoje têm um museu interativo, muito interessante para quem viaja com crianças, onde se podem ver todos os espólios – não só o que trouxeram do antigo museu, como o que conseguiram recuperar de outros países.
“(…) o voo para a Costa Norte é mais curto porque vai para a parte mais ocidental do Egito, estamos a falar de um voo que não chega às cinco horas, enquanto que para Hurghada e Sharm el-Sheikh andam à volta das cinco horas e meia, depois há os transferes que no Egito são um pouco morosos porque as distâncias acabam por ser grandes e a Costa Norte não é exceção”
Para um agente de viagens que ainda não teve a oportunidade de ir à Costa Norte, como é que é a oferta hoteleira?
A hotelaria, em média, é superior a Hurghada, não só a nível de pricing como de qualidade. A nível de pricing tem a ver com a lei da oferta e da procura, e é impossível eles construírem hotéis ao mesmo ritmo da quantidade de operações que vão para lá dos vários países europeus, o que significa que existe um déficit de oferta, o que faz aumentar o preço da hotelaria.



Costa Norte, Egito
O nível médio de hotelaria é superior, as unidades de baixo custo normalmente são um pouco superiores às de Hurghada, sendo que as unidades de luxo são mesmo muito superiores. No entanto, mesmo as unidades de baixo custo normalmente são de venda segura, e a partir daí, todas as outras são muito boas, a experiência que tivemos no ano passado é que o nosso rácio de reclamações de todas as unidades, principalmente a partir das duas primeiras do preço de chamada, foi praticamente inexistente.
Onde há também uma grande diferença é na animação, porque os resorts da Costa Norte promovem um estilo de turismo mais tranquilo, Não é que não exista animação nas piscinas, ou mesmo alguns espetáculos, mas os hotéis não são tão animados como em Hurghada, portanto são mais para aquele cliente que não vai à procura de típicos resorts all inclusive, com espetáculos todas as noites.
E dos três voos, é aquele que é mais curto, correto?
Sim, o voo para a Costa Norte é mais curto, porque vai para a parte mais ocidental do Egito, estamos a falar de um voo que não chega às cinco horas, enquanto que para Hurghada e Sharm el-Sheikh andam à volta das cinco horas e meia, depois há os transferes que no Egito são um pouco morosos porque as distâncias acabam por ser grandes e a Costa Norte não é exceção.
Nas proximidades há uma cidade muito apelativa para se visitar, que é Alexandria, é assim?
Em termos de património edificado, boa parte da cidade ficou submersa pelo que muitas coisas não estão visíveis. No entanto, Alexandria é uma cidade mais próxima do Antigo Egito, menos desenvolvida turisticamente, o contacto com a comunidade local é muito mais natural. Alexandria foi o último bastião do Antigo Egito, antes de ser conquistado pelos Romanos, o que significa que o turista vai encontrar muitas imagens de deuses romanos misturados com alguns símbolos do Antigo Egito, o que não acontece noutros lados.
O highlight é claramente a baía da cidade, que é lindíssima, e o destaque é a famosa Biblioteca de Alexandria, apesar de já não ser a antiga Biblioteca de Alexandria, mas estamos a falar de uma das maiores bibliotecas do continente africano, de uma das maiores cidades universitárias de África, e também de uma das maiores cidades e mais emancipadas de África, por isso é uma cidade que tem uma ‘vibe’ muito jovem, muito tranquila.
Alexandria fica a uma hora e meia, duas horas, dos hotéis?
Sim, há hotéis que ficam a menos, mas normalmente fica sempre a uma hora e meia, duas horas. Depois, para quem gosta muito de história, também tem a cidade de El Alamein, que evoca claramente a Batalha de Alamein, uma das mais conhecidas da II Guerra Mundial, onde existem alguns cemitérios que evocam as lembranças de todas as pessoas dos países europeus que faleceram nessa batalha.
“Quando começámos a vender o destino, o objetivo era claramente vender pela sua proximidade com a Jordânia, quisemos ter um tour cultural de grande destaque, sempre associado a um destino de praia, ou seja, com Hurghada tínhamos Luxor, com a Costa Norte tínhamos o Cairo, e com o Sharm el-Sheikh tínhamos Petra, que é incrível, causa um impacto nos clientes idêntico ao que têm quando chegam ao Cairo ou a Luxor”
E Sharm el-Sheikh o que é que oferece?
É um destino que nós já queríamos fazer há muito tempo e andávamos a adiar, é uma aposta enorme que nós fizemos este ano, com um voo direto apenas à partida do Porto.
Em termos de estrutura hoteleira, tem o mesmo tipo de oferta, em alguns casos até superior à de Hurghada. Tem muitos hotéis em Tudo Incluído, muitos bares, discotecas, muita vida noturna, muita coisa para fazer fora dos hotéis. A grande diferença para a Hurghada é que a zona de coral e recife é maior e melhor, o que significa que a parte de mergulho e snorkeling é superior, aliás é considerado o melhor spot do Egito para estas duas atividades.
Quando começámos a vender o destino, o objetivo era claramente vender pela sua proximidade com a Jordânia, quisemos ter um tour cultural de grande destaque, sempre associado a um destino de praia, ou seja, com Hurghada tínhamos Luxor, com a Costa Norte tínhamos o Cairo, e com o Sharm el-Sheikh tínhamos Petra, que é incrível, causa um impacto nos clientes idêntico ao que têm quando chegam ao Cairo ou a Luxor.
Estamos a falar de uma das maravilhas mundiais, e por isso continuamos a dar aos clientes essa possibilidade. Se o cliente optar por não ir à Jordânia, e quiser ficar apenas em Sharm el-Sheikh, já faz umas férias condizentes com aquilo que pagou, porque a praia é muito bonita, com água seja muito cristalina, e pequenas piscinas naturais onde se pode fazer snorkeling com grande facilidade. Além disso, é um destino muito cosmopolita, com muita vida, os hotéis estão muito desenvolvidos, é uma cidade super segura, completamente muralhada e é impossível entrar ou sair sem haver um controle, um checkpoint. Portanto, estamos a falar de um destino que nós acreditamos que, apesar da conjuntura deste ano, veio para ficar porque tem um potencial incrível.


A opcional à Jordânia é apenas de um dia?
É uma opcional que não é das mais fáceis porque obriga a estar quase 24 horas fora. Estamos a falar de um trajeto em que se saí de autocarro já de madrugada, chega-se a Taba, um dos limites norte do Egito, onde se apanha o ferry de 40 minutos, vendo-se nascer o dia, para depois chegar a Aqaba, já na Jordânia. Depois há mais um trajeto de autocarro até Wadi Musa, que é a entrada de Petra, e depois desce-se o desfiladeiro, porque Petra não é mais do que uma cidade dentro de um canyon. O impacto de Petra é incrível, o cartão postal é o Treasury, e posso garantir, depois de lá ter estado, que existem estruturas maiores que o Treasury.
Se fosse agente de viagens, e surgisse na agência uma família com dois filhos, de 13 e 7 anos, qual destes destinos do Egito aconselhava?
É uma pergunta muito difícil. Quando um cliente vai com crianças, é muito fácil fazer a transposição para a parte do Antigo Egito que eles estudam na escola. O Antigo Egito tem essa mais-valia de ser o primórdio da escrita como nós a conhecemos hoje, os hieróglifos não eram mais do que uma escrita dos Antigos, em que cada objeto tinha um símbolo, depois, com a chegada de outros povos, começaram a trocar os objetos por sons e cada som um símbolo. Portanto, o início da escrita começou ali, e isso acaba por ser muito giro. Quando se chega a Hurghada temos a oportunidade de ir a Luxor e visitar o Vale dos Reis, ver uma série de hieróglifos, tal como acontece quando se vai ao Cairo e isso funciona muito bem para quem vai com crianças. Pode ir-se ao Cairo seja da Costa Norte, seja de Sharm el-Sheikh, já a Luxor só há a oportunidade de ir se for para Hurghada.
Eu diria que em termos de estrutura hoteleira mais diversa, com mais animação para crianças, Hurghada e Sharm são mais robustas, têm mais coisas para oferecer, mas em termos de parte histórica qualquer um seria uma boa opção, sabendo que Hurghada e a Costa Norte estão mais próximas da parte museológica do Cairo, que é o que, normalmente, interessa mais às crianças, como ver as pirâmides, os hieróglifos, as múmias.
Em resumo, diria que se fosse com o meu filho, iria lá três vezes.
“Existe alguma disponibilidade para agosto no Porto-Hurghada, na série mais curta, já que na série longa já não existe quase disponibilidade. No Lisboa-Hurghada também temos alguns lugares, assim como no Porto-El Alamein”
Quantos voos charter têm de Lisboa e do Porto com destino ao Egito?
Para Hurghada, neste momento temos três voos semanais, um voo de Lisboa e outro do Porto em séries longas, e mais um voo do Porto, de reforço, com seis partidas no pico da procura. Para a Costa Norte, temos os voos à partida do Porto para El Alamein, visto que fomos forçados a cancelar o de Lisboa. Para Sharm el-Sheikh também só temos voos Porto
Ainda existem muitas datas disponíveis para o pico das férias, que é o mês de agosto?
Em algumas partidas existe, embora não exista muita disponibilidade. Transpondo aqui para a questão relacionada com o conflito, aquilo que nós sentimos na primeira semana do conflito foi as pessoas a perceberem como é que as coisas estavam, e agora é que estão a entrar novas reservas e os clientes que tinham as suas reservas optaram por não cancelar e estão na expectativa.
Existe alguma disponibilidade para agosto no Porto-Hurghada, na série mais curta, já que na série longa já não existe quase disponibilidade. No Lisboa-Hurghada também temos alguns lugares, assim como no Porto-El Alamein.
As agências de viagem, se quiserem mandar clientes para o Egito em agosto têm de se apressar, até porque para chegar de forma direta ao Egito só em charter.


