Eduardo Cabrita General Manager MSC Cruises Portugal na primeira pessoa
O Turisver desafiou Eduardo Cabrita a falar um pouco na “primeira pessoa”, ou seja, falar da sua maneira de estar, não apenas nas funções que desempenha em Portugal mas também em termos da MSC Cruises, e deixou claro que “não fecho portas e a MSC pode contar comigo para o que necessitar”.
O Eduardo abriu o escritório em Portugal e a realidade da MSC nessa altura, não era nada do que é hoje, cresceu imenso em Portugal. Como é que arranja tempo para isto tudo?
Boa pergunta! Posso dar-lhe um dado interessante, que é a maior quota de mercado que a MSC tem é em Portugal, nós temos uma quota de mercado que está em torno dos 65%, embora haja redes que dizem que é mais. Como é que eu arranjo tempo? Um dos meus motes sempre foi o de fazer a coisa certa. A minha formação é em marketing e comunicação em termos de licenciatura, e depois tirei o MBA que me ajudou muito porque praticamente a seguir a isto tive a oportunidade de abrir a MSC.
Tudo isto são “armas” que eu trago comigo, mas o que é importante é ter os elementos certos na equipa, porque de outra forma era impossível construir o que construímos e termos a maior cota de mercado que a MSC tem em qualquer um dos países. Isto de ter os elementos certos na equipa tem a ver essencialmente com a atitude que nós temos perante a vida, com as pessoas, se somos honestos, se somos humildes, o que procuramos transmitir, o exemplo que damos às pessoas e a forma como nos relacionamos uns com os outros.
Tenho tentado fazer isto à minha maneira, e até hoje acredito que seja uma forma minimamente correta de o conseguir fazer, porque temos estes resultados e quando eu olho para a equipa, vejo-a feliz com a forma com que eu também batalho, com a MSC Cruises em Genève para defender os interesses da MSC Portugal e das pessoas que estão cá dentro, aliás os meus colegas sabem perfeitamente que eu sou o primeiro a bater-me com eles sobre todos nós cá.
O tempo, são eles que também mo trazem, procuramos essencialmente estar muito alinhados em tudo o que fazemos e comunicamos, seja para o exterior, seja com os parceiros, batemos muito cá dentro, mas temos muitos anos disto e procuramos essencialmente viver um bocadinho esta profissão.
Acho que todos nós, quando entramos no setor dos cruzeiros, sentimos que, além de estarmos a trabalhar, pela forma como estamos a viver o setor e também pelo desenvolvimento que a MSC capacita, porque olhamos para o futuro, olhamos até 2032 e vemos o crescimento, percebemos perfeitamente que estamos num setor completamente invulgar dentro do turismo. E isso faz com que sintamos bastante prazer no trabalho que fazemos.
“A MSC tem algo muito curioso, porque todos têm direito a uma opinião, e eu não falo no escritório português, todos têm direito a uma opinião e cada vez que discutimos o budget para cada país, estamos com vários países em conjunto. Posso dizer, por exemplo, que somos o maior dos países pequenos no mundo inteiro, ou seja, cada vez que estamos nestas reuniões, somos o primeiro a ser chamado como país”
Com a experiência que o Eduardo tem, com os anos que já está na MSC, até onde é que o Eduardo Cabrita já é ouvido dentro do grupo?
A MSC tem algo muito curioso, porque todos têm direito a uma opinião, e eu não falo no escritório português, todos têm direito a uma opinião e cada vez que discutimos o budget para cada país, estamos com vários países em conjunto. Posso dizer, por exemplo, que somos o maior dos países pequenos no mundo inteiro, ou seja, cada vez que estamos nestas reuniões, somos o primeiro a ser chamado como país.
Eu sou uma pessoa extremamente, passe a expressão, “chata”, porque cada vez que vejo alguma coisa que possa ser melhorada lá dentro, sou o primeiro a dizer. Seja em que setor for, porque de repente aparece qualquer coisa, e pergunto ‘como é que é possível não estarmos a pensar nisso’? Então faço um telefonema e digo-lhes ‘atenção a isto, atenção àquilo’, porque sinto mesmo que faço parte do DNA da empresa. Portanto, eu não sei o que é que o futuro vai dizer, obviamente, a empresa vai continuar a crescer, as pessoas vão começar a reformar-se em determinadas ocupações, portanto, há muita coisa que pode acontecer, ainda vou fazer 52 anos em dezembro, portanto, há alguns anos ainda até os 65 ou até os 70 anos.
Vamos ver o que é que vai acontecer dentro da própria MSC, mas não só a MSC vai crescer no mundo, mas também vai crescer em Portugal, esperemos que haja novos projetos também, mas, lá está, estou sempre aberto a ouvir novas respostas cá dentro.
Se for convidado para um cargo mais alto dentro da empresa que o leve a ter que ir para um nível de administração dentro da MSC, encararia isso como uma possibilidade?
Já houve oportunidades nesse sentido, os meus colegas sabem disso, houve uma oportunidade para a África do Sul, para ir tomar conta da MSC no país, houve uma oportunidade para Genève, mas nas alturas que existiram as oportunidades, eu não estava capacitado o suficiente, pelo menos no meu ponto de vista, para o fazer, e também não senti que o escritório português estivesse capacitado o suficiente para o fazer, como está hoje ou nos próximos anos, mas o facto é que vamos deixar perceber o futuro como ele é. Obviamente se me fizerem a pergunta, vamos ver nessa altura como é que as coisas podem correr, mas claro, obviamente não fecho portas e a MSC pode contar comigo para o que necessitar nesse sentido.

