Economia do Cavalo movimenta 2,7 MM€ em Portugal e impacta no turismo, revela estudo
O setor equestre em Portugal tem um impacto total estimado em 2,73 mil milhões de euros por ano, gerando 92.045 postos de trabalho, revela o estudo “A Economia do Cavalo em Portugal”, apresentado na sexta-feira, 11 de julho, no âmbito da 2.ª edição do Horse Economic Forum, em Alter do Chão.
O mesmo estudo, elaborado pela Consultora SFORI e coordenado pelo professor Álvaro Lopes Dias, com base em dados recentes e recorrendo a um modelo de análise mista com estimativas diretas, indiretas e induzidas, e recurso a benchmarks internacionais, sublinha ainda a importância estratégica do turismo equestre nacional, alimentado por 88% de turistas estrangeiros e valorizado pelo recente reconhecimento da arte equestre portuguesa como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO (2024). Esta distinção posiciona Portugal como destino diferenciado de turismo de natureza, tradição e autenticidade, que move anualmente cerca de 115.500 turistas e gera uma receita direta estimada de 28,9 milhões de euros.
A nível local, Alter do Chão, território histórico da Coudelaria Alter Real e do Cavalo Lusitano, beneficia de forma particularmente expressiva deste dinamismo. A região reforça a sua atratividade económica e turística com mais de 100 mil visitantes por ano motivadas pelo cavalo Alter Real e pelas atividades equestres, gerando receitas diretas superiores a 28 milhões de euros.
Para Francisco Miranda, presidente da Câmara Municipal de Alter do Chão, “este relatório confirma o que em Alter do Chão sempre soubemos: o cavalo não é apenas uma herança, é um ativo económico, social e turístico de primeira ordem”, acrescentando que “o setor equestre tem impacto transversal e é gerador de valor em múltiplas áreas da economia portuguesa. Com o HEF II demonstra-se que estamos perante um recurso com enorme potencial estratégico”.
Alexandre Real, responsável da organização Evento, realçou que “o crescimento da segunda edição do HEF, com mais nacionalidades presentes, mais participantes e maior impacto no setor equestre na promoção da sustentabilidade e do bem-estar animal. Ao nível internacional esta edição reforçou o seu posicionamento e parceria com a Federação Equestre Internacional e com a Federação Equestre Europeia. O Horse Economic Forum nesta edição teve a ousadia e a inovação de pela primeira vez quantificar e qualificar o quanto vale a fileira equestre em Portugal”.
“Apesar das debilidades financeiras de parte do tecido empresarial, os dados confirmam que a economia do cavalo tem condições para atrair investimento e crescer com sustentabilidade”, conclui o professor Álvaro Lopes Dias, coordenador do estudo.
O estudo do impacto da fileira equestre na Economia Nacional, aponta para um Valor Acrescentado Bruto (VAB) de 617 milhões de euros gerados pelo setor equestre. A fileira do cavalo estende-se muito para além da criação e treino de equinos, integrando atividades como turismo, eventos, serviços veterinários especializados, terapias assistidas, acontecimentos desportivos, entre outros.
O setor contribui diretamente com 1,52 mil milhões de euros de volume de negócios e emprega, de forma direta, 57.528 pessoas – sobretudo em zonas de baixa densidade. Os números disponíveis sobre as exportações indicam que Portugal é também um exportador líquido de cavalos: Em 2023 as exportações representaram cerca de 9,38 milhões de euros.
De salientar que o estudo propõe a criação de uma Agenda Estratégica nacional que alinhe prioridades para o desenvolvimento integrado da fileira equestre e da promoção da “Economia do Cavalo”. Defende também o reforço da promoção internacional do cavalo Lusitano, valorizando a sua notoriedade e prestígio como embaixador cultural de Portugal.
Entre as medidas recomendadas, destacam-se os incentivos à inovação tecnológica, à digitalização dos serviços e à qualificação dos recursos humanos. Finalmente, sublinha-se a importância de articular e coordenar políticas públicas, investimento privado e iniciativas locais, com vista à coesão territorial e à revitalização das zonas rurais.


