Documento subscrito por 135 empresários dos Açores arrasa política de turismo e acusa Governo de asfixiar a Visit Azores
Cerca de 135 empresários assinaram um “Manifesto pelo Turismo e pela Economia dos Açores”, alertando para o “colapso económico” que a Região enfrenta, para o “Dia Zero” do turismo provocado pela saída da Ryanair e para a falta de estratégia e de promoção devido à “asfixia financeira e falta de liquidez” da Visit Azores”.
Ao todo, são mais de 135 empresários da hotelaria, alojamento local, restauração, animação turística, rent-a-car e comércio local de várias ilhas dos Açores, assinaram um manifesto em que alertam não apenas para um risco sectorial mas para “um risco real de insolvências generalizadas com consequências transversais a todos os setores já a partir do final de 2026”.
“Enquanto empresários e investidores que sustentam o setor do turismo açoriano, sentimos a obrigação cívica e económica de alertar publicamente para o colapso económico que a Região Autónoma dos Açores enfrenta”, referem os empresários e gestores logo no manifesto a que o Turisver teve acesso.
A crise, afirmam, “não resulta de fatores externos mas sim de falhas graves de governação”, da “ausência de estratégia” e de “uma inércia constante” perante a “falta de liquidez do Governo Regional” que ameaça a sustentabilidade da Região.
Considerando que 2026 é um ano já “perdido”, os subscritores do manifesto afirmam que “o setor do turismo atingiu o seu “Dia Zero” com a saída definitiva da Ryanair a 29 de março” e deixam o alerta: “o que se segue, não é apenas uma crise setorial, mas um risco real de insolvências generalizadas com consequências transversais a todos os setores já a partir do final de 2026”.
Ainda sobre a saída da Ryanair, afirmam tratar-se não apenas da “perda de conectividade” mas da “destruição sistemática de 400.000 lugares anuais”. “Para o Verão IATA 2026, a realidade é uma quebra de 8,1% nos lugares e uma perda de 18,2% nas rotas face a 2025. Sem concorrência aérea os Açores tornaram-se o destino mais caro de Portugal, isolando o arquipélago do mercado nacional e europeu”, apontam.
Socorrendo-se de dados oficiais, os empresários fazem notar que “os Açores acumulam mais de sete meses consecutivos de quebras de passageiros”, enquanto a Madeira e outros destinos de Portugal Continental registam crescimentos consistentes, apontando o dedo às “decisões políticas que ignoraram alertas claros do setor desde outubro de 2025”.
“Promoção do destino morre por asfixia financeira” da Visit Azores
Referindo que a “dependência quase exclusiva dos mercados dos EUA e Canadá criou uma sazonalidade extrema” em que apenas quatro meses do ano têm “operação relevante”, os empresários e gestores consideram que a tese de “reposicionamento para o luxo” é “estrategicamente inviável” e até “absurda” num momento em que “o mercado internacional está em queda livre há sete meses”.
“Se não houver uma mudança imediata, enfrentaremos consequências irreversíveis já no fim de 2026 com insolvências generalizadas, suspensão de investimentos, aumento do desemprego e do colapso da receita fiscal”, apontam os empresários e gestores, salientando que a crise “é transversal e asfixia todos os setores que dependem diretamente ou indiretamente da dinâmica e do fluxo do turismo”, que representa 20% do Produto Interno Bruto (PIB) regional.
Os subscritores do documento falam ainda da “asfixia financeira e falta de liquidez” da Associação Visit Azores que “executou apenas 55% do seu orçamento de 11 milhões em 2025 por incapacidade de tesouraria”, tendo iniciado 2026 com um orçamento de apenas 8 milhões. Frisam, no entanto, que “este é um orçamento de “papel”, uma vez que “está já comprometido por uma dívida de mais de 3 milhões, maioritariamente a fornecedores”, ou seja, “a promoção do destino morre por asfixia financeira”.
Falam ainda da “inexistência de planos” face à atual conjuntura internacional e de “desorientação institucional” exemplificando com “a substituição da diretora Regional de Turismo em plena BTL” e a “demissão do presidente da Visit Azores”.
Neste âmbito, os subscritores do manifesto defendem a “reestruturação profunda” da Visit Azores, devolvendo a “gestão técnica aos profissionais” e “retirando-lhe a tutela política direta”, bem como a criação de um “fundo específico” destinado a “recuperar novos mercados emissores e novas rotas imediatamente”.
Para os empresários e gestores que subscrevem o documento, os governantes devem “apresentar soluções ou assumir as consequências da sua gestão” porque, sublinham, “a propaganda de que ‘está tudo bem’ não paga salários, não paga impostos e não amortiza dívidas bancárias”.


