Diana Fernandes: Deserto do Saara marroquino é “Incrível! Mágico! Fascinante… exceto o andar de dromedário”
Diana Fernandes, do Mercado das Viagens de Vila Verde, foi uma das participantes da famtrip que a rede de agências Mercado das Viagens realizou durante seis dias com alguns dos seus associados a uma das regiões de Marrocos ainda pouco conhecida e “trabalhada” pelos operadores turísticos portugueses, a que fica para lá do Alto Atlas e em pleno Deserto do Saara.
Por: Fernando Borges
Disse-me que esta viagem foi o seu primeiro contacto com Marrocos. Antes de vir quais eram as suas expectativas?
Na realidade pouco conhecia “em pessoa” Marrocos, e o facto de saber que vinha para uma das regiões deste país menos conhecida fez com que ficasse ainda mais curiosa, apesar de no princípio, quando recebi o programa, pouco do que lá estava me tenha chamado a atenção. É que sobre Marrocos quase nada sabia, e o que sabia era sobre os tradicionais destinos, como Saidia, Marraquexe, Agadir. Assim, mais do que expectativas, tinha curiosidade.
E agora que já conheceu um pouco do país, o que mais a surpreendeu?
Em primeiro lugar tem sido fantástico estar a descobrir a cultura deste povo, e depois as surpresas com que nos deparamos, algumas que desconhecia por completo existirem em Marrocos, como o Atlas Stúdio, em Ouarzazate, o maior estúdio do mundo depois de Hollywood, e descobrir que aqui se produziram alguns dos mais conhecidos filmes e séries. Olhar e andar pelos cenários naturais que o rodeiam e por onde foram rodados filmes e séries como O Gladiador, A Jóia do Nilo, Lawrence da Arábia, A Última Tentação de Cristo, Jogo de Espiões, o James Bond 007: Marcado para a Morte, A Múmia, Ben Hur e Indiana Jones, entre dezenas de outros, ou ainda a série Guerra dos Tronos e a novela brasileira “O Clone”, foi incrível e surpreendente.
Também a efervescência de vida que se sente, que nos toca, em especial a que acontece nos “souks” com a sua aparente desorganização que no final é uma mágica desorganização organizada, foi outra das surpresas.
E o deserto? Com que impressão é que ficou?
Incrível. Mágico. Fascinante… exceto o andar de dromedário (risos). Andar em veículos 4×4 entre dunas e trilhos de pedra solta que fazem parte do Rally Paris-Dakar foi uma experiência fantástica, assim como olhar para o interminável mundo feito de areias brancas e amarelas, aqui e ali marcadas pela vida que acontece nos oásis.
“(…) em termos de segurança no geral não há nada que nos possa levar a ter ou criar receios, até porque os marroquinos são um povo simpático, podendo no início parecer reservados”
Marrocos tem uma gastronomia muito própria. O que é que achou?
Por ser diferente daquela a que estamos habituados, penso que a gastronomia marroquina é uma experiência enriquecedora e aliciante, em especial para quem não tem receio de experimentar outros sabores. Agora para quem é mais suscetível a sabores diferentes, em especial os que têm mais picantes e especiarias, poderá ser mais complicado adaptar-se. Mas este não é um problema maior, porque nos hotéis há sempre muitas opções para quem não gosta de gastronomia com estas características.
Um fator que por vezes leva a que as pessoas não optem por Marrocos ou outro país magrebino para as suas férias que é a questão da segurança. É esta uma falsa questão que tem que ser desmistificada? Como se sentiu relativamente a este tema?
Sem dúvida que é uma falsa questão. Senti-me sempre muito segura. Muito importante, ou mais importante, é os turistas conhecerem a cultura deste povo, que há que respeitar as suas tradições, sendo por exemplo de bom-tom não usar grandes decotes ou roupas muito justas, respeitar o que é pedido quando se entra, por exemplo, nas mesquitas, ou não fotografar os locais sem que antes se lhes peça. Mas em termos de segurança no geral não há nada que nos possa levar a ter ou criar receios, até porque os marroquinos são um povo simpático, podendo no início parecer reservados.
E no que diz respeito à hotelaria? O que é que lhe pareceram os hotéis que conhecemos?
Conhecemos e desfrutámos de quatro hotéis da marca Xaluca, o Riad Xaluca, em Merzouga, o Dades Xaluca, em Boumalne-Dades, e o Kasbah Hotel Xaluca, em Erfoud, hotéis que me encantaram pela sua localização e pela sua decoração que nos “infiltra” no espírito do Saara e de África, e o Xaluca Lac, junto às águas do Aguelmame Sidi Ali, que mais parece ser um hotel alpino. Todos eles apresentam uma qualidade de alojamento muito acima do que até se poderia esperar, assim como os espaços públicos e a gastronomia oferecida.
Quanto ao hotel Palais Medina, em Fez, onde também ficámos, já no final desta viagem, é um hotel citadino, igualmente muito agradável e com uma localização que facilita partirmos à descoberta da cidade. Assim, facilmente se descobre que existe uma oferta hoteleira diversificada e para todos os gostos
“Vejo este destino como sendo mais para um público mais aventureiro e que procura novas experiências, e não tanto para famílias, em especial quando existem filhos ainda pequenos”
Que importância teve, para si, participar nesta famtrip?
Sem dúvida que foi muito importante, pessoal e profissionalmente. Pessoalmente porque me possibilitou conhecer um novo destino. Profissionalmente porque me vai facilitar muito, e com conhecimento na primeira pessoa, vender este destino, apresentando e falando sobre, por exemplo, o que é obrigatório visitar e fazer, e o que poderá ser secundário, sendo, obrigatoriamente, importante conhecer o tipo de cliente para poder oferecer uma opção com mais aventura, ou com mais cultura. E com esta famtrip levo esse conhecimento que me será muito útil.
A falta de ligações aéreas entre Portugal e esta região marroquina, já no Saara, que obriga a várias horas de viagem por estrada a partir dos aeroportos onde chegam os voos provenientes de Portugal, pode ser uma “não ajuda” para se vender este destino?
Não acho, porque quando uma pessoa quer mesmo conhecer um destino importa pouco as distâncias. Claro que pode ser cansativo, mas o desejo de conhecer sobrepõe-se a esse cansaço, até porque vejo este destino como sendo mais para um público mais aventureiro e que procura novas experiências, e não tanto para famílias, em especial quando existem filhos ainda pequenos. Varia muito de pessoa para pessoa.
O jornalista viajou a convite do Mercado das Viagens


