Das dunas de Genipabu às lagoas, do forró à cultura e à gastronomia, Natal é terra de muitos atrativos e emoções
Porta de entrada no estado de Rio Grande do Norte, de que é capital, Natal tem tudo o que um turista quer encontrar: sol, praias e lagoas de águas tépidas e convidativas, calor, dunas que se descem com emoção, natureza exuberante, lugares que contêm pedaços da História, muita animação e boa gastronomia. Tudo isto comprovou o grupo que ali se deslocou a convite da Exótico e da TAP.
A proposta que o operador Exótico Online fez ao grupo de agentes de viagens que convidou, era a de mostrar o que o Rio Grande do Norte tem para oferecer aos turistas portugueses, por isso depois de uns dias em Pipa rumámos a Natal. A nossa paragem para almoço foi na praia de Camurupim a cerca de 35 km da capital do estado, no restaurante Caranguejo do Olavo, (barraca de praia), onde sentimos o nordeste brasileiro, e a forma genuína de estar e gozar a vida deste povo.
Sentados à mesa, o ex-libris do restaurante, os grandes caranguejos fizeram a sua aparição triunfal em duas travessas fundas de plástico. Depressa surgiram os pratos e martelinhos para se partirem os “bichos”, e porque nem só de finesse vive o homem, e a mulher claro, foi pegar à mão e partir, chupar as carnes e sucos dos ditos e dar uma lambidelazinha nos dedos, para não melar o copo de suco de maracujá ou copo da cerveja.
Houve outras entradas? Claro que sim, queijo coalho grelhado, saladinha de polvo, camarão frito panado e muitas outras bem típicas da região. Os pratos principais andaram pelo peixe com camarão, peixe grelhado, camarões com molho de coco e filetes de carne do sol. A cerveja matava a sede, dado que estavam 30 graus, e limpava o paladar para mais umas garfadas. Mesmo a caipirinha, neste humilde, mas limpíssimo restaurante, brilhavam nos seus copos de vidro enfeitados por uma rodela de abacaxi trabalhada como um sol.
Isto sim são férias, uma bela praia de areia aloirada, uma excelente refeição em que a etiqueta ficou ‘à porta’, que neste caso não existia, por isso, e por ventura, deve ter ficado em Portugal, porque aqui ninguém está de olho nesse aspetos, todos se querem sentir bem, longe dos dias stressantes e formais que se vivem nas grandes urbes europeias, desfrutar de uma refeição, um belo manjar que custa uma dúzia de euros, num local onde a tranquilidade é impagável.
Chegou a hora de deixar a praia de Camurupim e percorrer os quilómetros que faltavam até à cidade de Natal, mais precisamente ao nosso poiso dos próximos dias, o Hotel Ocean Palace uma unidade de cinco estrelas que oferece ao hóspede a possibilidade de ficar alojado em regime de Tudo Incluído.
Chegado à varanda do quarto estava a cair o dia, mas ainda desfiz uma ideia antiga, dado que já não ia a Natal há uns bons anos, e a última vez que pisei este lugar o mar, com maré cheia, chegava aos muros dos hotéis da orla marítima. Para espanto e contentamento pelo destino, da minha varanda pude constatar que o grande investimento para repor as areias da praia tinha resultado em pleno, a maré não estava ainda completamente vazia e o areal já distava dos passadiços do hotel uns bons 50 metros e, porque já é seguro, os apoios de praia, os chapéus de sol e as espreguiçadeiras, lá estavam preparados para receberem os turistas na manhã seguinte.

A manhã começou bem cedo para o grupo, a Exótico Online não nos dava folga, ou melhor, para nos dar tempos de lazer e conhecimento do destino o programa estava preparado na perfeição, pelo que aproveitar todo o tempo disponível era o mote. Lá fomos então fazer algumas visitas técnicas aos hotéis, começando pelo Aram Natal Mar, uma unidade de quatro estrelas situada em Ponta Negra, um hotel em que a classificação condiz com a oferta, indicado para famílias e que vale sobretudo pelas suas áreas publicas. Seguiu-se a visita ao Hotel Praiamar também de quatro estrelas e para o segmento de famílias, que tem duas partes destintas: de um lado da estrada, o edifício do hotel propriamente dito, e atravessando a estrada a área de lazer frente praia, onde se situam as piscinas, uma com parque aquático para criança, o maior que vimos em Natal. E porque foi o mais perto estivemos do ex-libris da cidade, o Morro do Careca, lá se deu serviço aos telemóveis, a fotografar e filmar.
Um “cheirinho a foguetões”, o Maior Cajueiro do Mundo, compra do fruto do dito no Mercado de Ponta Negra e visita guiada ao Forte dos Reis Magos
Depois, o grupo teve direito ao primeiro momento de lazer, com a visita ao maior Cajueiro do Mundo que fica em Pirangi do Norte a cerca de 15 Km de Ponta Negra. Seguindo pela estrada da “Rota do Sol”, percebemos o quanto a cidade de Natal tem crescido, até para fora do seu município, como podemos constatar no de Parnamirim, onde fica o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI). Fundada em 1965, esta foi a primeira base de lançamentos de foguetões da América do Sul, e os turistas interessados nestas matérias podem visitar o Centro de Cultura Espacial.


O nosso ónibus contornou parte do perímetro do Maior Cajueiro do Mundo, as imediações estavam polvilhadas de barraquinhas que vendem desde bikinis, saídas de praia coloridas a mil e uma coisas, mas desta vez a “ordem” era não parar para compras, e o grupo cumpriu.
Fomos fazer as formalidades da entrada e logo os telemóveis se fizeram notar apontando para aqui e para ali, e depois de uma explicação pormenorizada mas breve feita por um guia local, foi iniciar o passeio pelos passadiços, apreciar a natureza de troncos que se entrelaçam, que voltam a surgir debaixo do chão para se juntarem em cúpulas onde nem o sol a pique por vezes consegue penetrar. Por fim, o desafio de subir a um miradouro construído em madeira que possibilita ao visitante ver toda a cúpula desta grande árvore.
De volta à capital, tivemos uma pequena paragem no Mercado de Ponta Negra, para podermos degustar e comprar, segundo o nosso guia, “a melhor e mais variada oferta de castanha de caju da região”. Em recipientes transparentes tínhamos desde castanha de caju natural, ao torrado com ou sem sal, de castanha caramelizados, açucaradas, com sal marinho ou pimenta e muitas outras variedades.
Após esta paragem rápida, percorremos toda a orla marítima até chegarmos ao Forte dos Reis Magos, construído em 1598, no lado direito do rio Potengí, o monumento mais antigo da região tem formato de estrela de cinco pontas, permitindo assim uma visão de 360 graus e cruzamentos de tiros disparados do forte, garantindo a defesa contra os inimigos, enquanto em Natal surgia o primeiro povoamento.
No Forte dos Reis Magos está uma réplica de um Padrão colocado pelos descobridores portugueses que, segundo alguns historiadores, foi o primeiro colocado em Terras de Vera Cruz, na Praia do Marco, pondo em causa a versão oficial de que diz que Pedro Álvares Cabral terá aportado em Porto Seguro, no Estado da Bahia em 1500.
‘Eita’… Genipabu já tem um restaurante de praia que é “um luxo”, mas as dunas não mudaram… são sempre com emoção
De novo a bordo, que é como quem diz dentro do ónibus que o Bira, o nosso motorista, conduz sempre com um sorriso nos lábios, e porque os corpos já davam sinais de fraqueza, fomos almoçar a Genipabu, no restaurante Miramar. Com cerca de 800 lugares, e para surpresa geral, este é um restaurante de praia de nível cinco estrelas, onde depois de atravessar um edifício de pé alto com ar condicionado, o cliente tem um portal de frente para uma bela praia, o que levou o Jorge Fontes, que não vinha a estas paragens há quase duas décadas, a comentar: “Isto é um luxo para Genipabu”.
O local tem mesas com cadeirões super confortáveis forrados a napa, para quem prefira ficar com o pé na areia, ou numa estrutura recolhida em madeira, com vários andares, mas sempre com vista para a praia. A comida estava deliciosa, peixe grelhado acompanhado de risoto de limão siciliano, moqueca de camarão com arroz branco, e muitas outras opções de pratos com frutos do mar. Os amantes de carne tinham à escolha a carne de sol da casa, também acompanhada de risoto, bife (filé em brasileiro) à parmegiana, ou medalhão de vaca.


Se no Miramar estávamos bem, tudo nos dizia que o melhor estava para vir, e assim foi. Deixámos o ónibus e instalámo-nos em três buggys para irmos à aventura no Parque Ecológico Dunas de Genipabu, simplesmente tratado por Dunas de Genipabu, e a pergunta que qualquer bugueiro que se preze faz no início da “expedição”, não se fez esperar: “Com ou sem emoção?”, e depois da resposta dos clientes que invariavelmente é a mesma “lá começa a “dança” com emoção”.
O mais parecido com esta aventura, é andarmos numa montanha russa, só que sem carris, a destreza dos condutores e o comportamento dos passageiros, são o garante de que a segurança e a diversão está assegurada. Começa o rodopio, numa fase inicial sem “drama” nem altos e baixos, são percorridos alguns quilómetros, depois sim, as subidas e descidas das dunas que parecem cada vez maiores, começa a soltar quem está a usufruir, os gritinhos acompanham cada derrapagem ou descida mais íngreme dos buggys, e quer se queira quer não, quando a descida termina, e antes de vir a próxima subida, o espírito é de alivio.
Parece viciante: quanto mais emoção se sente, mais queremos que a “dança” continue, e se durante o percurso nem reparamos muito nas paisagens, quando fazemos a primeira paragem num pequeno planalto, com vista para uma das lagoas, constatamos que as paisagens são incríveis e, mais uma vez, os telemóveis foram retendo as imagens para mais tarde recordar.
Num lugar que já serviu como cenário de novelas, sendo a mais conhecida a Tieta do Agreste, para além da aventura, na paragem bem no topo das dunas há uma barraquinha onde se pode beber uma água ou uma cervejinha, e diversões como o ‘esquibunda’ que mais não é do que descer a duna sentado numa tábua de madeira e cair na água, ou aerobunda, descer para a água pendurado numa tirolesa.
Um ponto alto é o por do sol, por isso é recomendável que o passeio se faça já pelo meio da tarde, a fim de assistir a este espetáculo extra. Foi muito bom, mas acabou-se, era tempo de regressar ao hotel tomar um duche para tirar os testos do protetor solar e da areia que se foi entranhando na pele.
‘Forró com Turista’ é um espaço lindo, onde a cultura nordestina através da música e da dança é o expoente máximo
Depois de um jantar no Gasparetto, restaurante italiano do hotel Ocean Palace, o grupo foi surpreendido com o Sena e o Bira – o nosso excelente guia já um companheiro destes dias e o nosso motorista que está sempre presente -, a anunciarem que a ida era para a casa Forró com Turista.
Lá chegados era uma animação só, e lá estavam as mesas reservadas para nós, e depois de pedirmos as indispensáveis caipirinhas e cervejinhas, entregámo-nos à festa. Pés de chumbo éramos muitos, por isso dançar com os e as animadoras do recinto, foi mais ter aulas do que dançar, fosse forró, xote, baião ou xaxado, mas ninguém se fez rogado, principalmente quando chegou a Quadrilha, uma dança folclórica coletiva levada pela corte portuguesa para o Brasil em 1808, e ponto forte das festas juninas no nordeste brasileiro.
Foi uma festa num espaço tipo pátio, onde algumas lojinhas faziam parte da oferta e mostravam tradições do nordeste brasileiro, como a Barraca do Beijo, e se olhássemos mais para o alto víamos fachadas trabalhadas com pormenores decorativos dos edifícios clássicos de outros tempos. O Centro de Turismo de Natal só apresenta o espetáculo, onde não faltam a Maria Bonita e o Lampião, o casal de cangaceiros mais famoso de todo o sertão nordestino, às quintas-feiras e é sempre casa cheia, por isso é aconselhável fazer reserva.
Eram horas de regressar que o dia ia longo, e impunha-se o velho ditado português, “deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer”, ditado sábio que não serviu para todos, já que cinco resistentes foram ainda a um barzinho de música ao vivo em Ponta Negra para tomar a ‘saideira’ e deitar um olhar pela noite nesta cidade.
Na manhã seguinte, após o check-out, foi a vez de visitar mais algumas unidades hoteleiras da Via Costeira de Natal. O Serhs Natal Grand Hotel de cinco estrelas, elegante e bem decorado, tem as suas áreas publicas, quer as interiores, mas especialmente as áreas ao ar livre viradas para o mar, uma mais-valia. A pouca distância fica o Wish Natal também de 5 estrelas, que apresenta quartos de boas dimensões e modernos, e conta com três restaurantes, SPA, ginásio e um Kids Club, com áreas publicas interessantes e bem equipadas na frente praia.
O grupo visitou ainda o Hotel El Aram Imirá Beach Resort, de quatro estrelas em regime de TI. Não sendo a estrela oferta da Via Costeira de Natal, esta unidade vale sobretudo pelo binómio qualidade-preço e por oferecer ter comidas e bebidas incluídas.
Natal é a porta de entrada dos turistas que procuram o Rio Grande do Norte para passarem as suas férias, e os portugueses são uns privilegiados dado que voos diretos entre a Europa e Natal só existem os da TAP, à partida de Lisboa. É uma cidade que consegue, através do seu grande parque dunar, dividir a sua enorme malha urbana da Via Costeira onde fica a maioria dos hotéis, trazendo a esta zona uma tranquilidade e um espirito de férias que de outra maneira era quase impossível de acontecer.
Pode ler a reportagem sobre Pipa, aqui.
O Turisver viajou para Rio Grande do Norte a convite do operador turístico Exótico e da TAP Air Portugal.




















