Daniel Santos: “O programa da Sonhando para São Tomé é muito fácil de trabalhar…”
Surpreendido pela positiva com o destino São Tomé e Príncipe, o delegado da GEA Portugal para o Norte e Açores, que se deslocou ao arquipélago durante uma famtrip do operador turístico Sonhando, acredita que este “é excelente para o mercado português”, no entanto, na sua opinião deverá “ser bem explicado ao cliente”. Hotelaria, gastronomia e segurança são apontadas como fatores a favor do destino.
Qual é a sua opinião sobre o destino São Tomé e Príncipe? É apropriado para o mercado português?
Em relação ao destino não conhecia, estou muito surpreendido pela positiva e penso que é excelente para o mercado português. No entanto, tem algumas nuances que devem ser explicadas ao cliente. O destino não é para qualquer cliente, não é Cabo Verde, não é um destino de resort. Na minha opinião não é efetivamente um destino de sol e praia, pode ter sol e praia, mas é mais um destino de ecoturismo e de turismo de aventura, sobretudo em São Tomé. Na ilha do Príncipe penso que já dá para fazer sol e praia, mas também ecoturismo.
Penso que São Tomé e Príncipe é um destino muito completo, até na gastronomia, não a fazia tão rica e fiquei agradavelmente surpreendido. E o mesmo se aplica à alegria das pessoas, de sorriso fácil.
Em termos de hotelaria o que pensa da oferta existente, quer em São Tomé quer no Príncipe?
Em relação à hotelaria, de uma forma geral gostei. Penso que a hotelaria mais recente está muito cuidada e apresentada. Há alguns hotéis onde estivemos que estão mais em contacto com a natureza e por isso não são para qualquer cliente. Há clientes que gostam desse tipo de aventura e desafio, mas os clientes de resort clássico, talvez não vão achar tanta piada a um contacto tão próximo com a natureza.
De uma forma geral penso que aqueles que mais se adaptam ao gosto do turista português, em São Tomé, o Omali, na cidade e depois o Club Santana. Este último penso que se adapta muito bem ao cliente nacional, muito perto da praia, quartos confortáveis e um restaurante muito bonito.
Na minha opinião, o que menos se pode adaptar ao mercado português será o Inhame Eco Lodge Hotel, precisamente pelo facto de uma parte das pessoas não gostar tanto de aventura e de ser tão isolado, distante de tudo e ao mesmo tempo com um contacto tão grande com a natureza.
Já no que diz respeito ao Príncipe e das unidades hoteleiras que visitámos e que foram apenas duas, penso que se adaptam perfeitamente ao turista português, apesar de os preços serem mais elevados do que em São Tomé. Embora tenham contacto com a natureza, o nível de qualidade da hotelaria e o deslumbre que tem a parte colonial na Roça Sundy e no Sundy Beach, penso que se adaptam ao nosso mercado.



“Eu senti-me sempre seguro… é uma das coisas boas que vou transmitir às agências”
Em termos de segurança, São Tomé e Príncipe é um país seguro?
Eu senti-me sempre seguro, não houve nenhum momento em que sentisse insegurança neste país, acho que é uma das coisas boas que vou transmitir às agências. Ao longo destes dias da famtrip fui publicando algumas fotografias nas redes sociais, faz parte da filosofia da GEA enquanto estamos em viagens educacionais para darmos a conhecer um pouco às nossas agências o que estamos a visitar e aquilo que tem estado a acontecer. E a curiosidade dos agentes de viagens aumentou muito assim que chegámos ao Príncipe. Recebi imensas mensagens privadas a perguntar como é o destino, como são as estradas, como são os hotéis, como é o Sundy Beach, se estou a gostar ou não e uma das perguntas que colocavam muitas vezes é a questão da segurança. A que eu respondi que me senti superseguro.
Vai fazer algum relatório sobre esta viagem e de que forma vai transmitir aos agentes de viagens esta experiência?
Normalmente, nós fazemos relatório interno, em que transmito aos meus colegas da GEA como foi a viagem e também como é o funcionamento do operador turístico. Para as agências de viagens não fazemos o envio de um relatório da viagem, o que vai acontecer é que nas visitas comerciais que vamos fazer e, é assim que normalmente funciona, quer eu no Norte, quer o Nuno Tomaz, quer o Bruno Fonseca no Sul acabamos por dar esses inputs do conhecimento adquirido.
O programa delineado pela Sonhando parece-lhe fácil para os agentes de viagens venderem o destino aos turistas portugueses?
Colocando-me na pele de agente de viagens que já fui, o programa é muito fácil de trabalhar. Na minha opinião e se fosse para o turista padrão português, eu colocaria menos uma noite em São Tomé e mais uma noite no Príncipe. Acredito que as pessoas ao irem ao Príncipe duas noites vão achar que fica qualquer coisa por ver, que é a sensação que eu fiquei, que poderia ter aproveitado um pouco mais. Portanto, eu não mudaria grande coisa, penso que o programa está bom, os horários dos voos não são maus, o destino está muito fácil de vender, eu só colocaria mais tempo na ilha do Príncipe.



“… tem de se preparar esse cliente para algumas diferenças culturais, estruturais… e de ser um país ‘leve-leve’”
Por vezes acontece na ligação entre São Tomé e o Príncipe o avião avariar ou o tempo impedir o voo e os clientes terem de ficar mais um dia à espera de nova ligação. Esta situação é previamente explicada ao cliente?
Penso que o destino não é para qualquer cliente, tem de se preparar esse cliente para algumas diferenças culturais, estruturais e também para a diferença de ser um país “leve-leve”, em que às vezes os imprevistos acontecem. E é preciso explicar que vir ao Príncipe tem esse pequeno handicap. Em que estamos dependentes de um pequeno aparelho que leva e traz passageiros, que podem acontecer algumas contingências e que as pessoas têm de vir preparadas para isso. É raro acontecer, mas pode acontecer e é um bocadinho o mesmo discurso que se utiliza quando se visita uma ilha das Flores ou do Corvo, nos Açores.
E mais uma vez nos hotéis visitámos foi-nos informado e bem que existe essa proteção em relação ao alojamento, em relação aos atrasos e às avarias dos aviões, e isso é uma mais-valia do hotel.
Como funcionam as famtrips exclusivas que a GEA leva a cabo?
As famtrips exclusivas do Grupo GEA começaram em 2005, quando o malogrado Miguel Fonseca propôs ao nosso diretor Pedro Gordon a organização de uma famtrip exclusiva para a GEA aos Açores. Desde aí já várias se concretizaram, uma à China em 2007 organizada para a GEA Espanha e GEA Portugal, várias à Tunísia com vários operadores ao longo dos anos, em 2012 uma à Argentina organizada em conjunto com a Air Europa e uma agência de incoming, membro do Grupo GEA Argentina e, mais recentemente, a Cabo Verde no ano passado. Estamos continuamente em contacto com vários parceiros para que organizem outras famtrips exclusivas para destinos que estejam nos portefólios das vendas das agências, e que sejam apetecíveis para o cliente português.
Desta viagem e do grupo de agentes de viagens que vieram também, qual tem sido o feedback que lhe tem chegado?
À parte com o encanto, com a beleza natural e com as pessoas que todos tiveram, o facto de termos trazido material escolar para distribuir nas escolas foi uma experiência magnífica e enriquecedora. Em relação a mim e por aquilo que vi dos outros colegas vamos seguramente muito diferentes. Penso que todos gostaram e todos levam consciência de que o destino é fantástico, vende muito bem, é um destino de moda, mas têm de o explicar muito bem e neste momento ficam com essa capacidade. Mas de uma forma geral estão todos satisfeitos, porque quase todos já o venderam e agora vão poder vender muito melhor e com muito mais capacidade de explicação.
Nota: O Turisver viajou para São Tomé e Príncipe a convite do operador turístico Sonhando


