Dados e inteligência artificial assumem-se como vantagem competitiva para o setor do turismo, defende a Stratesys
A Stratesys identifica a inteligência de dados como a nova vantagem competitiva do setor do turismo, e destaca três pilares tecnológicos fundamentais: plataformas de inteligência turística, modelos preditivos de procura e de preços, e a transformação do CIO em Chief Data & AI Officer (diretor de Dados e Inteligência Artificial).
A análise da consultora sobre as tendências de inovação tecnológica que estão a transformar a indústria do turismo, conclui que a próxima fase da digitalização do turismo será marcada pela capacidade de integrar informação proveniente de diferentes fontes, antecipar a evolução da procura e transformar os dados em decisões operacionais e comerciais diretamente aplicáveis.
Neste âmbito, aponta que a inteligência de dados e a inteligência artificial assumem um papel cada vez mais relevante para a competitividade de todo o setor do turismo, desde a hotelaria à aviação.
Para Carlos Sirera, sócio-diretor da área de Turismo, Hotéis e Viagens da Stratesys, “a questão já não é se as empresas do setor do turismo irão utilizar dados e inteligência artificial, mas sim quais serão capazes de os integrar mais rapidamente e de os transformar em melhores decisões, maior eficiência e numa experiência mais ajustada às expectativas dos viajantes”.
Neste sentido, foram identificados três grandes eixos que irão determinar a capacidade das empresas do setor turístico para tirar partido da inteligência artificial e dos dados: plataformas integradas de inteligência turística; modelos preditivos de procura e preços dinâmicos; e uma nova função para os responsáveis tecnológicos das empresas.
A primeira prioridade passa por reunir, num único ambiente, os dados operacionais internos com fontes externas relevantes. Isto implica combinar informação sobre reservas, taxas de ocupação, preços, despesa por cliente, canais de distribuição e custos, com dados relativos à conectividade aérea, pesquisas digitais, mobilidade, opiniões dos viajantes, sentimento nas redes sociais e evolução económica dos mercados emissores.
Através da integração de todos estes dados, as empresas poderão decidir com maior precisão em que mercados investir, que segmentos priorizar, como distribuir a sua oferta pelos diferentes canais e que iniciativas podem efetivamente contribuir para reduzir a sazonalidade.
O segundo eixo reside na combinação de big data, inteligência artificial e algoritmos de machine learning, que permite identificar padrões, antecipar picos de procura e ajustar os preços em função da evolução do mercado. Neste contexto, as empresas conseguem ajustar com maior precisão a ocupação e as tarifas, reduzir a dependência de promoções de última hora e alinhar a sua capacidade e os seus custos operacionais com a procura prevista.
O terceiro eixo é a evolução da liderança tecnológica, com as funções dos CIOs das empresas do setor do turismo a deixarem de estar concentradas na gestão de infraestruturas, redes e sistemas corporativos. “O CIO deve assumir cada vez mais o papel de líder da estratégia de dados e inteligência artificial. A sua função não consiste apenas em incorporar novas ferramentas, mas em decidir de que informação a empresa necessita, como esta deve ser integrada e quais as aplicações tecnológicas capazes de gerar um impacto mensurável no negócio”, acrescenta Sirera.
O avanço da inteligência artificial levou à rápida proliferação de assistentes virtuais, chatbots e soluções digitais no setor. No entanto, a Stratesys alerta para o facto de nem todas estas iniciativas gerarem um impacto significativo nos resultados das empresas ou na experiência dos viajantes, pelo que o principal desafio está em distinguir entre aplicações experimentais e casos de utilização capazes de melhorar indicadores concretos, como a faturação, a margem, a taxa de ocupação, a receita por quarto disponível (RevPAR), a fidelização ou a eficiência operacional.
Integração, talento e governação: os principais desafios
Neste contexto, a Stratesys apresenta quatro recomendações: investimento em plataformas de dados integrados; desenvolvimento de competências analíticas e uma cultura de decisão baseada em dados; criação de regras sólidas para a governação dos dados e da IA; e partilha de conhecimentos entre entidades públicas e provadas para reforçar a competitividade e a inovação em todo o ecossistema turístico.
De acordo com a consultora, em Portugal, esta transformação está em linha com as áreas da digitalização, da inteligência artificial, da tecnologia e da gestão da informação como determinantes para reforçar a competitividade e a sustentabilidade do setor turístico.
“Quem reconhecer o CIO como líder desta agenda e alinhar a tecnologia com a estratégia de negócio estará mais bem preparado para competir, aumentar a rentabilidade e diferenciar-se de empresas que continuam a depender da inércia”, conclui Carlos Sirera.


