Crescimento “mais moderado” do turismo em Portugal é um “sinal de maturidade”, considera o presidente da CTP
Na abertura da VIII Cimeira do Turismo Português, o presidente da CTP, Francisco Calheiros, não se mostrou preocupado com o crescimento “mais moderado” do turismo, considerando-o um “sinal de maturidade”. Ainda assim, e revisitando um tema que lhe é tão caro, voltou a referir que o maior constrangimento ao crescimento do turismo continua a chamar-se Aeroporto de Lisboa.
Naquela que foi a sua última intervenção numa Cimeira do Turismo Português, enquanto presidente da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros escolheu por começar o seu discurso olhando de frente para os indicadores do setor, retirando-lhes a carga negativa que muitos têm vindo a atribuir-lhes.
“Há uma realidade que devemos encarar com clareza e sem medos ou tabus: o crescimento do turismo em Portugal está mais moderado”, disse, mostrando logo de seguida que o crescimento mais anémico que a atividade turística tem vindo a registar este ano, está longe de ser um motivo para preocupação: “Deixámos para trás os ritmos de crescimento a dois dígitos que caracterizaram os anos anteriores e isso não é motivo de preocupação. É, pelo contrário, um sinal de maturidade”, afirmou.
Uma maturidade que, disse, não foi imposta, mas escolhida. Neste contexto, destacou “com orgulho e sem complexos”, que “enquanto outros destinos europeus debatem hoje limites, taxas e moratórias para travar o turismo que os visita, Portugal escolheu antecipar-se. Não fomos empurrados para a maturidade por protesto nem por overtourism. Escolhemo-la”, afirmou, sustentando que “essa escolha antecipada é, também ela, uma vantagem competitiva que o país não pode desperdiçar”.
Sem pessimismos, Francisco Calheiros frisou que o turismo em Portugal encerrou um ciclo de crescimento em escala para “abrir a era do crescimento do turismo em valor”, tendo mesmo defendido que continuar a crescer a dois dígitos não seria sustentável “nem para o território, nem para as comunidades, nem para a qualidade da experiência que oferecemos a quem nos visita”.
“A estabilidade que hoje observamos permite-nos consolidar o que foi construído, qualificar a oferta em vez de apenas multiplicá-la, e planear com mais rigor o futuro da atividade turística”, sustentou o presidente da CTP que defendeu que o caminho é agora “crescer de forma mais moderada, mas crescer melhor: com mais valor, mais qualificação e mais equilíbrio”.
Olhando para trás recordou que o turismo português “praticamente dobrou” entre 2009 e 2019, e que taxas de crescimento semelhantes serão difíceis de repetir. Lembrou também que o turismo português foi, em 2022, o primeiro da Europa a recuperar da pandemia e que “em 2024, registou um desempenho superior ao de 2023, enquanto em 2025 voltou a crescer face ao ano anterior”. Já este ano, até julho, continuamos a crescer, ainda que de forma mais moderada”, apesar de uma “conjuntura mundial, cada vez mais complexa”.
“Não tenhamos dúvidas de que os constrangimentos do maior aeroporto do país são o principal obstáculo ao crescimento do Turismo em Portugal”
Mas até para um crescimento sustentado continuam a existir obstáculos e um dos maiores continua a ser o Aeroporto de Lisboa. Tal como prometeu há alguns anos, o presidente da CTP continua a colocar a tónica neste tema, que está ainda longe de estar resolvido.
“Não tenhamos dúvidas de que os constrangimentos do maior aeroporto do país são o principal obstáculo ao crescimento do Turismo em Portugal”, reafirmou, para lembrar que “o aeroporto de Lisboa está a funcionar acima das suas capacidades e quanto a Alcochete, serão mais de dez anos até ver a luz do dia”.
Francisco Calheiro deixou mesmo um aviso: “se daqui a dez anos ainda estivermos a explicar aos investidores porque é que Lisboa não tem capacidade aeroportuária, não terá sido a geografia a falhar-nos. Terá sido a decisão”.
Neste âmbito, voltou a deixar um apelo ao Governo para que “ainda venha a equacionar a hipótese de uma solução aeroportuária intermédia, para termos uma solução viável em termos de alternativa ao aeroporto da Portela, muito antes de termos Alcochete”.
“(…) a CTP não pode ser, nem quer ser, uma Confederação a olhar apenas para o retrovisor”
O presidente da CTP apontou ainda outras prioridades, como a redução da carga fiscal, a resolução da falta de mão de obra e a retoma das negociações sobre a revisão da legislação laboral, tendo também falado da necessidade de o beneficiar de um “simplex” que retire a carga burocrática que as empresas enfrentam.
Falando sobre a própria Confederação do Turismo, Francisco Calheiros alertou que a CTP “não pode ser, nem quer ser, uma Confederação a olhar apenas para o retrovisor. e que para olhar para o futuro de frente, vai ter que responder, nos próximos anos, a três grandes transformações: a inteligência artificial, a sustentabilidade e a qualificação das pessoas”.


