Corfu: Entre o fantasioso mar azul jónico e uma cidade que é Património da Humanidade
Subir, entre um mar feito de um azul único e uma série delicada de planaltos e vales por onde se estendem extensos olivais até atingir uma igreja grega à beira de mais um promontório, a partir da qual se prolonga o olhar pela genialidade da Mãe Natureza. Isto é apenas uma parte do que faz de Corfu, ou Kerkyra, como lhe chamam os gregos, uma das ilhas mais fascinantes do Mar Jónico, que descobrimos a convite do operador turístico Viajar Tours. Depois ainda há a capital, que tem o mesmo nome da ilha, e que é Património Mundial pela Unesco.
Por Fernando Borges
Podemos começar pelo que poderia ser o final, ou seja, por afirmar que Corfu é uma verdadeira joia: verde, montanhosa, desenhada por magníficas costas feitas de abruptas arribas, abrindo-se em praias que formam belas baías exibindo paisagens sumptuosas. Umas vezes. cobertas por um soberbo monocromático de flores silvestres, outras de ciprestes e oliveiras de tamanhos surpreendentes, outras ainda pontilhadas de cidades e aldeias que hesitam entre a Grécia e a Itália. Estas são, por certo, algumas das razões que inspiraram escritores, dramaturgos e poetas ao longo dos séculos, como Homero, Shakespeare ou Lawrence Durrell.
É sempre com um destes cenários que se abrem perante os nossos olhos, após mais uma curva, entre paisagens de tirar o fôlego, que chegamos a lugares como o Cabo Drastis, onde “residem” algumas das mais sedutoras e arrebatadoras falésias da ilha que teimam em terminar a sua queda sobre pequenas e românticas praias, ou que escondem cavernas que guardam pequenas piscinas e lagoas naturais feitas de uma água de um azul eletrizante.

Mas há outros lugares que fazem igualmente com que Corfu seja uma das ilhas mais apetecidas da Grécia: as suas praias. É nestes lugares que convidam à contemplação, numa esplanada ou num terraço debruçado sobre o Mar Adriático, outras vezes sobre o Mar Jónico, a norte ou a sul da ilha, a este ou a oeste, que nos é dado a provar a “dolce vida” grega.
São muitas as opções oferecidas, tornando a escolha um exercício difícil. Talvez uma das que ficam entre as enseadas selvagens de Paleokastritsa, possivelmente a mais famosa de todas, ou as do Canal d’Amour que se distinguem pelas suas formações rochosas escavadas pela erosão, formando pequenas passagens naturais onde se pode nadar em águas pouco profundas. Ou ainda, para quem prefere ambientes mais descontraídos, a Praia de Glyfada, que convida a aproveitar o sol na areia dourada de frente para o mar, enquanto a este, as águas calmas da praia Dassia e de Ipsos são ideais para relaxar com total tranquilidade.
Mais a norte, depois de percorrer uma estrada que teima em mostrar cenários deslumbrantes, obrigando a várias paragens em miradouros estrategicamente colocados para tirar mais umas fotos que poderiam obrigatoriamente transformar-se em apelativos postais ilustrados, encontramos a praia de Kalami, uma das mais preenchidas por espreguiçadeiras, para depois de mais umas subidas, descidas e curvas, encontrarmos Kassiopi, um lugar onde Corfu se confunde com a silhueta da vizinha Albânia e com a sua Baía de Saranda, logo ali do outro lado do mar, ou a praia de Arkoudilas, uma enseada ladeada por falésias brancas e conhecida pelas suas águas límpidas, um lugar onde areia e lama são utilizadas para tratamentos naturais, uma prática local ainda bastante difundida.
Para dificultar ainda mais a escolha, aparecem as praias de Bataria, Zanoni, Agios Gordios e Drastis, um pouco menos faladas mas igualmente belas, assim como a praia de Ampelaki Bay, uma praia diferente que parece um lago cercado de montanhas, com pinheiros enfileirados até o mar. Há ainda a de Rovinia, uma praia para os mais aventureiros, cercada por rochedos, florestas e cavernas marinhas para mergulhos, ou La Grotta, um dos mais instagramáveis pontos turísticos da ilha, que não é bem uma praia, mas sim um bar localizado entre rochas, com um deck de madeira virado para uma pequena baía encravada entre impressionantes declives onde se ergue no meio das águas um pontiagudo rochedo de onde os mais corajosos saltam do seu topo para as águas azuis que o rodeiam, um lugar onde a diversão é uma constante.
Por águas de um azul raro a caminho de Paxos e Antipaxos
Mas há que seguir por outras paisagens que vão revelando um verdadeiro mosaico de aldeias tradicionais, de visita obrigatória, como Pelekas, que oferece vistas deslumbrantes da ilha e um pôr do sol espetacular do Trono de Kaiser, enquanto mais ao norte Lakones seduz com suas ruas estreitas e panoramas da costa oeste, como Périthia, uma pequena aldeia rodeada por um intenso ambiente verde a meio caminho da encosta do Monte Pantokrator, ou Doukades, que personifica com charme a autenticidade com as suas casas de pedra e tabernas locais, para de repente descobrirmos o Palácio de Achilleion, que foi residência da famosa Imperatriz Sissi da Áustria.
Há ainda Porto Timoni, com as suas pequenas ruas onde acabamos por nos sentir igualmente gregos e de onde se parte para uma das experiências mais inesquecíveis oferecidas por Corfu, um cruzeiro que nos leva ao encontro de Paxos e Antipaxos ao longo de uma costa abrupta que esconde magníficas covas marinhas que nos deixam maravilhados pela sua profundidade e pelas suas águas de um azul tão florescente que parece ter sido modificada e alvo de uma edição exagerada e supersaturada no Photoshop, numa grandiosidade e magia que nos alucina quando por elas entramos. E são esses azuis que nos esperam quando antes de chegarmos a Paxos o barco lança as suas amarras a uma pequena rocha e ali se detém para uns refrescantes mergulhos e umas braçadas que nos levam ao interior de mais uma gruta.
É ainda com esta visão que chegamos a Paxos, uma pequena ilha que conta a mitologia ter sido parte de Corfu mas que Poseidón separou com o seu tridente para a tornar num refúgio secreto, amoroso e de tranquilidade para si e para a sua amada Anphitrite. Ali está Porto Gaios, uma pequena vila tradicional cheia de pequenas lojas de souvenirs, tabernas cheias de charme e restaurantes à beira-mar que dão a conhecer os sabores locais entre pequenos edifícios de tons pastel que desenham animadas ruas de paralelepípedos que terminam obrigatoriamente num pequeno cais onde se amontoam veleiros que ali chegam, muitos deles acreditando que chegaram ao que ouviram chamar de “cantinho do Paraíso grego”.
Corfu, o berço da Grécia moderna
Mas falar de Corfu sem falar da sua história seria um exercício incompleto. Diria mesmo um erro imperdoável. Basta dizer, por exemplo, que foi a única região grega que não caiu sob o domínio otomano. Assim como foi nesta ilha que aconteceu o nascimento intelectual da Grécia moderna, muito devido às sucessivas presenças venezianas, francesa e britânica, tornando-a no grande polo cultural e intelectual de toda a Grécia. E basta percorrer as ruas, ruelas, praças, avenidas e estreitas escadarias da sua cidade-capital, que também dá pelo nome de Corfu, para encontrar esta realidade.
Tudo está ali ao longo da “cidade velha”, classificada como Património Mundial da UNESCO, um verdadeiro labirinto de ruelas pavimentadas por entre edifícios com janelas coloridas que lembram a arte veneziana e britânica, parecendo por vezes estar à beira de ruírem, ou romanticamente perdidos numa sincronizada utopia.
Percorrê-la é compreender a sua história, bastando olhar para a igreja de San Giacomo, que remonta à dominação veneziana que ocorreu entre os séculos XIV e XVIII, para as arcadas de Liston, com a sua elegância francesa e que nos falam da ocupação napoleónica iniciada em 1797, separando toda a área urbana da baía, ou olhamos para a antiga fortaleza veneziana que se ergue num promontório no mar, mesmo em frente das estátuas de Lawrence e George Durrell, dois famosos irmãos britânicos romancistas que fizeram de Corfu a sua casa.
É igualmente percorrer a sua “katounia”, que é como quem diz as ruelas da cidade velha, cercada por elegantes edifícios neoclássicos e venezianos onde persistem pequenos negócios com décadas de história, boutiques com bijuterias tradicionais, cafés, restaurantes com muito charme e muitas esplanadas, ou de repente estarmos perante a Igreja de Saint Spyridon, uma igreja ortodoxa grega que data da década de 1580, sendo a mais famosa da ilha, não só porque é no seu interior que estão as relíquias de São Spyridone, como também pela sua torre do sino que é a mais alta das ilhas Jónicas.
Há ainda o prazer de olhar para as cores desgastadas pelo tempo e pelo sol das ruas estreitas, para a cidadela bizantino-veneziana de Angelokastro, um complexo histórico com construções como a velha Igreja de St. George, a torre do relógio, o Palácio Kerkiras e um museu, um complexo que tudo domina desde a sua rocha, mesmo quando nos sentamos à beira de mais uma esplanada e com os pés dentro daquele mar azul nos deliciamos com um gelado acabado de comprar na mais famosa gelataria da Grécia, a Papagiorgis.


Mas falta o que podemos chamar de “cereja em cima do bolo”. Falta um olhar, como despedida, sobre o Mosteiro de Vlachérna, sem dúvida o mais emblemático postal ilustrado de Corfu, uma pequena ilhota com esse pequeno mosteiro bizantino no meio e que é ponto de encontro de centenas de turistas e fotógrafos que a partir de um miradouro ali ao lado, o Planespotting Spot do Aeroporto de Corfu, esperam que chegue mais um avião para capturar aquele momento especial em que sobrevoa a meia dúzia de metros de altitude o mosteiro e outros tantos de distância de um café tomado numa das suas esplanadas. Soberbo! Simplesmente soberbo!
E no final, podemos afirmar que Corfu sabe como seduzir: há sempre um pôr do sol que nos prende, praias que tocam um mar feito de um azul transparente quase sobrenatural, os odores florais e das azeitonas, os mosteiros cobertos de buganvílias, baías quase poéticas e esplanadas penduradas sobre esse mar. E é tudo isto, e muito mais, que faz desta ilha Jónica uma das estrelas principais entre as ilhas gregas.
O Turisver visitou Corfu a convite do operador turístico Viajar Tours
























