Contributo de 11,9% para o PIB em 2024: Turismo desacelera mas continua a crescer mais do que a economia, segundo a Conta Satélite
Em 2024, o turismo terá contribuído, direta e indiretamente, com 34 mil milhões de euros para o Produto Interno Bruto, o que equivale a 11,9%, contribuindo com 0,3pp para o crescimento real do PIB. Os resultados da Conta Satélite do Turismo apontam para uma desaceleração do turismo em 2024 mas o contributo do setor “continua a ser positivo”.
De acordo com os resultados da Conta Satélite do Turismo, divulgados na sexta-feira, 1 de agosto, pelo INE, “estima-se que a atividade turística tenha gerado um contributo total (direto e indireto) de 34 mil milhões de euros para o PIB em 2024, o que corresponde a 11,9%”, em linha com os resultados de 2023 (12%) e acima do valor registado em 2022 (11,2%)”, avança o Instituto de Estatística.
No ano em análise, o PIB do Turismo aumentou 5,8%, em termos nominais face a 2023, com o INE a especificar que, em termos reais, estes resultados refletem “um contributo de 0,3 pontos percentuais (p.p.) para o crescimento real do PIB em 2024”, que aumentou 1,9% em 2024.
Embora os valores tenham ficado abaixo dos registados em 2023, quando o turismo contribuiu “com quase metade (1,1 pontos percentuais) para o crescimento real do PIB em 2023 (2,3%)”, o INE não deixa de sublinhar que embora exista um abrandamento, o contributo para a evolução da economia “continua a ser positivo”.
VABGT e CTTE com aumentos nominais de 6,5%
Os dados agora revelados mostram que o VABGT (Valor Acrescentado Bruto Gerado pelo Turismo) totalizou 20.110 milhões de euros (mais de 21 mil milhões em 2023) mantendo a sua importância relativa no VAB da economia nacional (8,1% em 2023 e 2024).
Já o Consumo do Turismo no Território Económico (CTTE) cifrou-se em 47.227 milhões de euros, mantendo, também aqui, o peso relativo no PIB observado em 2023 (16,6%).
“O VABGT e o CTTE registaram aumentos nominais de 6,5% face a 2023, acima dos crescimentos do VAB (6,2%) e o PIB nacionais (6,4%), evidenciando um dinamismo do setor do turismo ligeiramente superior ao observado na economia portuguesa em 2024”, afirma o INE.
Contas feitas, mesmo com um peso relativo menor, o nível de crescimento do setor superou o da globalidade da economia.
Nesta síntese, o INE faz uma análise à trajetória do turismo entre os anos de 2021 e 2024, começando por destacar que os principais agregados da Conta Satélite do Turismo, o CTTE e o VABGT, bem como os respetivos pesos no PIB e no VAB nacionais, continuam a refletir a dinâmica de crescimento da atividade turística no período pós-pandemia 2022 – 2024.
Também “as dormidas em estabelecimentos de alojamento turístico em Portugal, de residentes e não residentes, entre 2021 e 2024, registaram taxas de variação positivas, tendo sido mais elevadas no caso dos não residentes”.
As exportações do turismo subiram 173,1% entre 2021 e 2024, enquanto as importações registaram um aumento de 88,4%, com o INE a destacar que, ao longo dos anos analisados, o crescimento das exportações foi “sempre superior ao das importações”.
Peso do turismo no PIB em Portugal só fica atrás da Islândia
Em 2023, ano dos últimos resultados conhecidos, “Portugal manteve a segunda posição no que se refere à importância relativa da procura turística no PIB (16,6 %), atrás da Islândia, que manteve a primeira posição (18,9%)”.
“Com exceção da Finlândia, com o mesmo peso do CTTE [Consumo de Turismo no Território Económico] no PIB em 2022 e 2023 (5,6%), todos os restantes países registaram aumentos, refletindo a recuperação do setor no período pós-pandemia”, refere o Instituto.
Além disso, em 2023 Portugal apresentou “o peso mais elevado do VAGBT na economia nacional (8,1%), seguindo-se a Islândia (7,8%) e a Áustria (4,2%), segundo a comparação feita com um conjunto de países europeus que têm já dados, para esse ano.
Emprego e remunerações
Entre 2021 e 2022, o emprego nas atividades turísticas a tempo completo cresceu 14,2%, “acima do observado na economia nacional (5,7%), representando 9,8% do emprego da economia nacional (9,0% em 2021)”, com o emprego remunerado nas actividades do setor a aumentar 15,3% (5,5% na economia nacinal), enquanto o não remunerado cresceu 9,3% (7,5% no global).
“Estas dinâmicas são o reflexo da recuperação da atividade turística após o impacto marcadamente negativo da pandemia COVID-19”, afirma o INE, que dá conta de que no período em análise, as atividades características do turismo evidenciaram crescimento acentuado no emprego principalmente “os hotéis e similares (19,4%) e os restaurantes e similares (14,4%) ”, com transportes aéreos (4,2%) e os serviços culturais (6,9%) a ficarem entre as atividades que registaram menor crescimento.
Também no que se refere às remunerações, foi na hotelaria e similares que se deu maior aumento (37,9%), seguidos dos restaurantes e similares (24,2%), enquanto as atividades em que as remunerações menos aumentaram foram os serviços de desporto, recreação e lazer (10,7%) e os serviços culturais (13,0%).
Já a remuneração média por trabalhador nas atividades de turismo foi inferior à média nacional, ainda que se tenha registado “um ligeiro acréscimo em 2022 face a 2021, graças a um aumento de 6,2%, passando a representar 91,1% do total da média da remuneração nacional”. Acima da média da economia nacional surgem apenas os transportes aéreos (127,3%), o desporto, recreação e lazer (33,2%) e o aluguer de equipamento de transporte (11,4%)


