Contratações temporárias no turismo crescem face ao ano passado, segundo a Randstad
Segundo a Randstad a contratação de profissionais temporários vai aumentar face ao verão de 2024, catapultada pelo turismo. O Algarve, Lisboa e Porto concentram a maior procura por trabalho sazonal, com os empregados de mesa e bar a dominarem a serem os profissionais mais procurados. No entanto, há vários constrangimentos.
A puxar pelo incremento do trabalho sazonal está a crescente procura turística e a realização de grandes eventos e festivais em várias regiões do país, que impulsionam a necessidade de reforços temporários na hotelaria e na restauração, mas também em áreas como a logística, os transportes e a segurança. A maior confiança dos empresários, tem também vindo a traduzir-se traduzido num reforço do investimento na contratação, antecipando o aumento do consumo típico do período estival.
A Randstat, empresa de talento, que perspetiva que este verão sejam contratados mais 10 mil trabalhadores temporários do que no verão passado, avança que a maior procura por trabalhadores sazonais regista-se no Algarve, Área Metropolitana de Lisboa e Porto, com destaque para zonas costeiras e cidades com forte atratividade turística. “Nestes territórios, os setores de hotelaria e restauração podem duplicar ou até triplicar o número de trabalhadores temporários contratados”, sublinha o estudo.
O Algarve destaca-se como a principal zona de recrutamento sazonal, com os setores da hotelaria e da restauração a duplicarem — e, por vezes, até triplicarem — o número de trabalhadores contratados nesta altura do ano, segundo dados da Randstad relativos aos últimos três anos.
Entre as funções mais procuradas destacam-se os empregados de mesa e bar, ajudantes de cozinha, rececionistas de hotel, camareiros(as) e animadores turísticos, entre outros.
O perfil dominante dos candidatos a estas funções temporárias continua a ser marcado por jovens e estudantes, mas também há uma percentagem significativa de profissionais com experiência no setor que regressam todos os anos a estas funções sazonais.
As empresas procuram candidatos com flexibilidade de horários, boa capacidade de comunicação e interação com o público, e que estejam disponíveis para trabalhar aos fins de semana e feriados — requisitos fundamentais para responder à elevada procura nos meses de verão, sobretudo em zonas turísticas.
Com base em dados da segurança social, a Randstad indica que o verão representa um pico nos salários declarados. “Embora muitas das funções partam do salário mínimo nacional (870 euros em 2025), há uma valorização clara dos profissionais com mais experiência ou em funções especializadas, o que se reflete no aumento das remunerações médias durante os meses de junho e julho”, refere o estudo.
Escassez de qualificações e crise na habitação deixam vagas por preencher
A escassez de candidatos qualificados em áreas como cozinha, receção ou serviço de mesa especializada, como uma das principais dificuldades, é um dos principais desafios que as empresas têm que ultrapassar quando procuram trabalhadores temporários.
Juntam-se ainda desafios estruturais como as condições associadas ao trabalho temporário (contratos de curta duração, horários exigentes e remunerações próximas do salário mínimo) que afastam os mais jovens, e a crise na habitação, principalmente em zonas de forte pressão turística como o Algarve.
De acordo com a empresa de talento, “estes fatores combinados explicam porque muitas vagas sazonais continuam por preencher”. Por isso, Aníbal Martins, Talent Center Director, da área Operational Talent Solutions da Randstad Portugal, defende que “é fundamental investir em condições de trabalho dignas, formação contínua e soluções de alojamento, sobretudo nas regiões mais pressionadas”.
O estudo realça que apesar de o verão de 2025 parecer indicar um aumento das contratações sazonais face ao ano anterior, a taxa de emprego temporário tem registado uma trajetória descendente em Portugal, estando a recuar há 6 trimestres seguidos, segundo o INE.
A crescente digitalização e automação de várias funções, e alterações nos padrões do turismo e nas dinâmicas sazonais, com uma distribuição mais uniforme dos fluxos turísticos ao longo do ano, poderão estar na base deste recuo.

