Consórcio acusa SATA e Governo Regional de ignorarem trabalhadores no processo de privatização
Em comunicado, o Atlantic Connect Group, único consórcio interessado na privatização da Azores Airlines, afirma que tanto os trabalhadores da companhia aérea como os investidores “participaram num processo que nunca teve uma verdadeira intenção de conclusão”.
“O Atlantic Connect Group considera que, com ou sem divulgação do relatório, o desfecho da privatização da Azores Airlines revela uma realidade que já não pode ser ignorada: trabalhadores e investidores participaram num processo que nunca teve uma verdadeira intenção de conclusão”, afirmou o consórcio.
No comunicado divulgado esta segunda-feira, 2 de março, o Atlantic Connect Group, formado pelos empresários Carlos Tavares, Tiago Raiano , Paulo Pereira e Nuno Pereira, diz ter trabalhado, “ao longo de 3 anos”, na estruturação de uma “proposta exigente, ajustada à realidade financeira da companhia”, tendo aberto “canais de diálogo com pilotos e tripulantes”. Acrescenta que nas reuniões havidas a situação e o futuro da empresa foram discutidos “com realismo”, tendo os trabalhadores respondido com “sentido de responsabilidade, autonomia e maturidade, celebrando acordos de estabilidade laboral”, os quais, sublinha, não mereceram “qualquer relevo na avaliação da proposta apresentada”
“Ao chumbar a proposta do Atlantic Connect Group, o Conselho de Administração da SATA optou por manter problemas que são estruturais e que antecedem este processo” de privatização”, nomeadamente, “a não separação dos Serviços Partilhados, apesar das obrigações decorrentes da decisão da Comissão Europeia, o aumento significativo do número de trabalhadores entre 2022 e 2025 sem reforço da frota; e a tentativa de impor ao comprador a assunção definitiva de obrigações que o próprio caderno de encargos previa ajustar num período de transição”.
O consórcio acusa ainda a administração da Azores Airlines de ter agravado “drasticamente a situação da empresa nos últimos 3 anos”, tendo sido “totalmente incapaz de separar as empresas”, sustentando que ainda existem trabalhadores que têm um vínculo laboral com a Azores Airlines, mas que exercem funções noutras empresas do Grupo SATA.
“Querer imputar esta incapacidade ao consórcio é mais uma clara manifestação da falta de pudor na condução de todo este processo, numa tentativa de esconder uma gestão incompetente, e contrária aos objetivos definidos pela Comissão Europeia”, afirma o Atlantic Connect Group, acrescentando que “perante este quadro, é legítimo perguntar se todos estavam verdadeiramente comprometidos com o mesmo objetivo”.
Isto porque, prossegue, “enquanto o Atlantic Connect Group negociava soluções e assumia responsabilidades à mesa com os trabalhadores, outros cenários começaram a ser preparados nos bastidores e apresentados no espaço público, antecipando o fracasso da privatização – antes mesmo de esta ser formalmente encerrada (o que ainda não sucedeu!).
Afirmando que “o Governo Regional dos Açores e a administração da SATA não podem tratar os trabalhadores como variável secundária numa estratégia política”, o consórcio deixa o alerta: “Se o Governo Regional e a administração da SATA não assumirem com clareza as consequências deste desfecho, investidores e trabalhadores terão legítimas razões para se sentirem figurantes e concluírem que participaram num processo cujo resultado estava previamente definido e para o qual era irrelevante as suas propostas ou esforço”.


