Com um novo destino e cinco charters semanais Egito já tem “um grande peso” nas vendas da Solférias, diz Sónia Regateiro
Em entrevista ao Turisver, Sónia Regateiro, Chief Operating Officer da Solférias, faz a apresentação da programação do operador para 2026, com foco nas operações charter, mas as operações em voo regular foram também tema da conversa, nomeadamente no que se refere à Disneyland Paris e às Grandes Viagens.
O ano de 2026 não é de grandes novidades na programação da Solférias, ou é?
Depende de como se queira interpretar o que são novidades. Se estamos a falar em termos de destinos, nós tentamos todos os anos meter algumas novidades na rua ao nível do produto. Este ano não se pode dizer que temos uma grande novidade, porque a abertura que tivemos de um novo produto é dentro de um destino com o qual já trabalhamos há uns anos, que é o Egito: lançámos uma nova zona no Egito, que é Sharm El Sheikh com voo à partida do Porto. Cada vez se torna mais difícil conseguirmos colocar grandes novidades no mercado, porque o longo curso é muito difícil de rentabilizar e de operacionalizar no mercado português, e porque continuamos a ser um mercado muito pequeno para a oferta que já existe.
Depois, temos a parte do estrangulamento provocado pela situação do aeroporto de Lisboa, que não nos deixa “inventar” grande coisa, pelo contrário, ainda nos obriga a reduzir a oferta em termos de charters à partida de Lisboa e a tentar operacionalizar alguns destinos com base em muitas companhias regulares. Felizmente ainda temos uma TAP que está ao lado da operação turística e que continua a dar-nos a mão e a querer trabalhar connosco, o que é uma excelente mais-valia para nós. Por isso, em termos de novidades no mercado, o que temos que tentar é criar e inovar pelos serviços que apresentamos e não pelos produtos, tentar melhorar tecnologias e novas formas de facilitar a vida do agente de viagens.
Por isso, ainda durante este ano, talvez no segundo semestre, vamos lançar para o mercado o nosso novo site, que já está a ser trabalhado desde o ano passado, e tentamos encarar novas campanhas com algumas novidades, por exemplo, este ano a Solférias esteve presente, pela primeira vez, com stand próprio, na Expo Noivos em Lisboa e no Porto, o que para nós foi uma novidade, com agências convidadas para fazer venda, e onde aproveitámos para lançar o catálogo com ofertas exclusivas e mais detalhadas.
“O Egito está a tornar-se um destino com um grande peso dentro do volume de vendas Solférias, porque já estamos a voar para lá com cinco voos semanais. Este ano vamos ter dois voos para a Hurghada, um de Lisboa e outro do Porto, dois voos para a Costa Norte, também um de Lisboa e outro do Porto,e vamos ter o voo do Porto para Sharm El Sheikh, portanto são cinco voos charter exclusivos Solférias”
No Egito, neste momento a Solférias tem um fortíssimo posicionamento.
Sim. O Egito na Solférias já foi destino número dois o ano passado, e este ano pensamos que se vai manter, depois de Cade Verde, que continua imbatível.
O Egito está a tornar-se um destino com um grande peso dentro do volume de vendas Solférias, porque já estamos a voar para lá com cinco voos semanais. Este ano vamos ter dois voos para a Hurghada, um de Lisboa e outro do Porto, dois voos para a Costa Norte, também um de Lisboa e outro do Porto, e vamos ter o voo do Porto para Sharm El Sheikh, portanto são cinco voos charter exclusivos Solférias, pelo que já é um peso bastante grande dentro da nossa oferta.
Portanto a Costa Norte o ano passado correu muito bem?
A Costa Norte teve a estreia o ano passado, com o voo do Porto, e efetivamente é um grande destino, porque é um destino a cinco horas de Lisboa, com praias paradisíacas, completamente diferentes de Hurghada, porque a Costa Norte tem o mar mediterrâneo, areia branca, ao contrário da areia dourada de Hurghada, um mar azul, cristalino, transparente, e há a oportunidade de visitar o Cairo por via terrestre, porque está apenas a 4 horas de distância, além disso está ao lado da Alexandria, permitindo conhecer esta cidade histórica.
Penso que é o destino perfeito para aqueles clientes que já fizeram a parte do Cairo e Luxor, o cruzeiro no Nilo, ou Hurghada, poderem ter outro tipo de oferta dentro deste país. E também para aquele cliente que vai a primeira vez ao Egito, e que tem o desejo de ir ver as pirâmides e a esfinge, ir ao Novo Museu do Cairo, e combinar isto com dias de praia, em hotéis e resorts muito bons, em all inclusive.
Isso quer dizer que o voo para Costa Norte do Egito não veio canibalizar Hurghada, para onde a Solférias vai ter dois voos semanais?
De todo, ou seja, a Costa Norte o que veio fazer foi aumentar a procura pelo Egito, e não desviar clientes de um lado para o outro, aliás, o que pretendemos que também com Sharm El Sheikh é aumentar a procura pelo país.
Posso dizer, com base nas vendas que já tivemos durante a Black Friday, que o destino que continua a vender mais no Egito continua a ser Hurghada, e temos inclusivamente já algumas partidas de Agosto completas, e ainda temos disponibilidade para a Costa Norte para agosto. São destinos dentro do mesmo país, mas com ofertas completamente diferentes em termos do que é o produto turístico.
Que outro destino se destacou na vossa programação no ano passado e que este ano vocês decidem reforçar?
A Tunísia já foi um destino que no ano passado se vendeu muito bem, principalmente Djerba, para onde começámos um dos voos logo na Páscoa e depois estendeu-se até ao final de setembro.
A Tunísia tem estado a crescer muito bem e tem estado a ter também o seu peso dentro da nossa programação, por isso este ano reforçamos também a nossa aposta em termos de quota de lugares para a Tunísia, ajustando a operação, porque tivemos a saída de um parceiro. Acabámos por falar com outros parceiros do mercado, inclusivamente a Soltrópico e a Abreu, mas mesmo assim conseguimos aumentar a nosso número de lugares nos charters, mantendo a parceria já histórica que temos com o Viajar Tours.
“Apesar da entrada da easyJet no ano passado, a Solférias cresceu no seu volume de negócios e no número de passageiros para Cabo Verde. Em 2025 transportámos cerca de 37.000 passageiros para Cabo Verde, o que foi um aumento exponencial face ao 2024”
A vossa operação para Cabo Verde tem crescido apesar dos voos low cost?
Posso dizer que nós temos estado sempre a crescer. Apesar da entrada da easyJet no ano passado, a Solférias cresceu no seu volume de negócios e no número de passageiros para Cabo Verde. Em 2025 transportámos cerca de 37.000 passageiros para Cabo Verde, o que foi um aumento exponencial face ao 2024.
Este ano voltamos a reforçar o nosso posicionamento para Cabo Verde e vamos ter mais cerca de 100 lugares semanais no verão, mas de uma forma diferente, ou seja, deixamos cair os voos com a SATA, porque a SATA tinha já os slots na mão e quando isso acontece as companhias podem praticar os preços que querem. A proposta financeira que recebemos da SATA, dada a oferta que existe no mercado em termos da TAP e easyJet, não nos permitia continuar aquela operação charter com a SATA, dado que seria um risco financeiro muito elevado.
Então o que fizemos foi contratar lugares em garantia com a TAP, distribuídos nos voos de sexta-feira a segunda-feira, o que nos permitiu até aumentar o número de lugares que tínhamos, comparando com os charters da SATA que tivemos no ano passado. Vamos ter uma redução de lugares no Porto, porque vamos ter menos um voo do Porto para a ilha do Sal, mas compensamos isso com o aumento de lugares de Lisboa.
Há quem diga no mercado, nas agências de viagens, que para além de os clientes continuarem a comprar Cabo Verde, o destino está a atingir um patamar de preço muito elevado. Confirma isso?
É a verdade, verdadinha, e assino por baixo. O que se passa é a lei da oferta e da procura, Cabo Verde está na moda, não só em Portugal e na Europa, mas também está a começar a ser descoberto por outros países, como os da costa africana, o Brasil, e até pelo mercado americano, ou seja, começa a entrar num patamar completamente diferente. A abertura dos voos da easyJet veio acordar o mundo para um destino fantástico a muito poucas horas da Europa.
Logicamente, criando mais procura, os preços aumentam exponencialmente, mas ainda temos de tudo, quem reservar com antecedência, ainda consegue preços aceitáveis, quem deixa para a última ou paga muito caro, ou nem sequer consegue disponibilidade.
Outro destino que vocês vendem ao longo de todo o ano, é a Disneyland Paris. Como é que está a procura?
Este vai ser um ano especial, um ano de grandes novidades Disney, porque a 29 de março vai abrir o novo reino Frozen com novas atrações e isso vai trazer mais dinamismo ao parque. Inclusivamente, o que era o Disney Studios vai mudar de nome para Disney Adventure World, e o que se vai passar na Disneyland Paris vai provocar uma grande curiosidade.
A Frozen já por si só é um apelo para várias gerações, porque não são só os miúdos que gostam, também os graúdos, e o parque vai ter muito mais atrações, muito mais capacidade para receber mais visitantes. Aproveito para alertar que os hotéis vão ser os mesmos, não vão abrir novos hotéis, o que significa que quem quiser ficar alojado nos hotéis Disney tem que prever a sua ida com muita antecedência para garantir as melhores tarifas e disponibilidade, e vamos ter que trabalhar muito mais com os chamados hotéis associados, que são aqueles hotéis que estão ali à volta da Disney. Quem não tem budget para ficar num hotel Disney pode perfeitamente ficar alojado num hotel associado e depois ter os shuttles para os parques, por isso também é muito acessível.
Para além destes destinos de que temos estado a falar, que outras propostas em charter é que a Solférias tem para este ano?
Continuamos a apostar no Senegal, um destino que também é um exclusivo Sólférias no mercado, nomeadamente com o Riu Baobab, que é um hotel do qual temos exclusividade para o mercado português.
Continuamos com a nossa oferta de charter do Porto para o Senegal, e de Lisboa tivemos que ir contratar lugares à TAP, 120 lugares semanais, para fazer a parte do charter à partida de Lisboa, para não corrermos o risco de não termos slots, e então vamos manter o nosso foco no Senegal, com esse reforço de lugares durante o verão. No entanto a Solférias trabalha o Senegal todo o ano, porque além dos charters, que começam em junho e dos lugares garantidos, temos allotments com a TAP durante todo o ano.
Depois, continuamos também a programar Saidia em charter, embora seja um destino difícil, porque apesar de ser um destino de curta duração e de ter um preço mais baixo do que a maioria do produtos turísticos, acaba por sofrer com as ofertas que são colocadas no mercado, e às vezes é difícil vender Saidia pelo seu valor justo. No entanto, dada a relação e o compromisso que temos com o Turismo de Marrocos, é uma operação que não vamos abandonar, vamos continuar a apostar em Saidia com um voo de Lisboa e outro do Porto, com outros parceiros de mercado, para continuarmos a ter este produto disponível no mercado português. Aliás, este é o único destino em Marrocos para onde operados voos charter.
“A intenção da Solférias é abrir o mundo a quem queira comprar viagens com a Solférias, ou seja, não restringir destinos a quem gosta de trabalhar connosco, e então, à medida que as oportunidades vão surgindo e onde temos boas contratações e boas ligações aéreas, nós vamos abrindo outros produtos”
No regular, quais são os destinos em que colocam o vosso foco?
A Solférias tem uma larga panóplia de destinos em voos regulares. Até há uns anos, não era nossa filosofia da ter tudo e mais alguma coisa no mercado, mas com a evolução tecnológica e com a tecnologia que temos atualmente e as ligações que temos XML, torna-se muito acessível conseguir disponibilizar o mundo. A intenção da Solférias é abrir o mundo a quem queira comprar viagens com a Solférias, ou seja, não restringir destinos a quem gosta de trabalhar connosco, e então, à medida que as oportunidades vão surgindo e onde temos boas contratações e boas ligações aéreas, nós vamos abrindo outros produtos.
Abrimos imensos destinos, por exemplo nas Antilhas Holandesas, na parte das Bahamas, de Curaçau, St. Maarten, temos várias propostas para a região da Ásia, à medida que vai havendo oportunidades, por exemplo, o novo voo da Emirates para o sul do Vietname obriga-nos a ir atrás e a colocar nova programação no mercado.
A grande vantagem na Solférias. e que nos permite fazer isto, é o facto de termos a nossa área de contratação dividida em três grupos. Temos um gestor de produto da Ásia, que é o Ricardo Freixinho, que só se dedica a estes destinos, e a esta especialização permite-nos fazer as melhores contratações e a melhor análise do produto a colocar no mercado.
Temos um diretor de produto e um gestor de produto da África, o Dário e o David, que conseguem analisar toda a panóplia de destinos em África, ver para onde é que vamos, temos o João Cruz, e o Ricardo Freixinho que gerem a parte das Américas, incluindo os Estados Unidos. E depois temos uma tecnologia que está a evoluir a grande velocidade que nos vai permitindo ir abrindo estes novos destinos que vão alimentando também um setor que está a crescer muito dentro da Solférias, que são as grandes viagens.
São mais cinco ou seis pessoas só dedicadas a grandes viagens, o que nos permite dar uma qualidade de serviço que não impacta com os destinos charters nem com outros tipos de destinos de médio curso.
Para terminar esta nossa conversa sobre a programação da Solférias para 2026, gostava de pedir um ponto da situação das vendas. Até agora, neste período de pré-vendas, está a vender-se mais do que no mesmo período de 2024/25?
No período da Black Friday, que foi em novembro, nós tivemos um crescimento na ordem dos 42% face à Black Friday de 2024, por isso não posso estar mais otimista, e o ritmo de vendas está muito bom. Estou expectante que venha aí mais uma grande BTL, que é mais um grande momento de venda, desejo muito que a venda seja acompanhada de rentabilidade, porque às vezes a venda não significa rentabilidade, e uma empresa como a Solférias, que é um operador 100% independente e não tem outros negócios paralelos, só depende da rentabilidade da operação turística. Por isso, à parte do que é a preocupação da venda, temos uma grande preocupação também com a rentabilidade das operações, e é para isso que trabalhamos todos os dias.



