Com projetos em Lagos e na Madeira Grupo PortoBay já está a olhar para Espanha
A renovação do PortoBay Falésia, no Algarve e a construção de um hotel em Lagos e do PortoBay Old Town, no Funchal, são projetos que a PortoBay Hotels & Resorts tem em curso, mas o Grupo está de olhos postos em Espanha, para o que seria uma nova fase do seu processo de internacionalização.
Em conferência de imprensa no Algarve, um dia após a inauguração do PortoBay Blue Ocean, o presidente do Grupo PortoBay, António Trindade, falou do novo hotel e dos investimentos que o grupo está a fazer, tanto em novos hotéis como na renovação das suas unidades, numa constante busca de melhorar a experiência dos hóspedes.
“Numa altura em que se discute se temos turismo a mais ou não, julgo que deve haver uma preocupação nacional e regional de requalificar os produtos. Quando ultrapasso determinados níveis do lado da procura, tenho de saber o que é preciso fazer do lado da oferta”, afirmou a propósito.
Sobre o PortoBay Blue Ocean, disse que, apesar de ter nascido com uma identidade própria, esta integra-se “perfeitamente”, naquilo que é o ADN PortoBay: “a atenção ao detalhe, o conforto, a qualidade gastronómica e uma hospitalidade próxima e diferenciadora”.
“Nós gostamos sempre de ser os melhores em cada segmento em que estamos”
Pelo produto em si e pelo que oferece ao hóspede, o PortoBay Blue Ocean poderia ostentar 5 estrelas, mas a opção do grupo hoteleiro foi diferente: “Nós gostamos sempre de ser os melhores em cada segmento em que estamos e temos de ter a consciência de que podemos criar produtos em que somos os melhores. Tenho a consciência de que poderemos ser o melhor 4 estrelas aqui [no Algarve], mas também tenho perfeita consciência de que não seríamos o melhor 5 estrelas aqui no Algarve”, justificou António Trindade em resposta a uma questão colocada na conferência de imprensa.
“Temos de ter a noção de onde é que podemos ser ganhadores, e de que tão importante como ter um bom produto é ter o conceito acertado”, acrescentou e, neste caso, o conceito é o de um resort que integra dois hotéis de 4 estrelas, que partilham as facilidades, proporcionando uma experiência diferente e acrescida.
Para que a experiência fique mais completa, o PortoBay Falésia, ao qual o Blue Ocean está agora ligado por um passadiço, e com o qual partilha diversas facilidades, vai também ser alvo de uma profunda requalificação, que rondará os 25 milhões de euros de investimento, que vão somar-se aos cerca de 15 milhões investidos renovação do PortoBay Blue Ocean. Será, também, uma requalificação total pelo que, segundo o presidente do grupo hoteleiro, o Falésia encerrará em outubro de 2026 para reabrir cerca de nove meses depois, “a tempo da época alta de 2027”.
Ainda em Portugal, o grupo tem em curso dois projetos: um em Lagos, que “está no momento em fase de aprovações – e todos nós sabemos quão difícil isso pode ser, mas nós continuamos a acreditar”, disse, e outro na Zona Velha do Funchal, o PortoBay Old Town, de que as escavações estão já a terminar. Neste hotel, frisou, “é natural que façamos algumas alterações, mas são mínimas”.
“É muito importante que, a par de marcas internacionais que aparecem em ambientes diferentes e que só passam a marca, nós possamos também transportar uma amostra de cultura” – António Trindade sobre uma eventual entrada da PortoBay em Espanha
Estes investimentos em requalificações (que permitem à marca recolocar os seus hotéis no mercado “num outro ambiente, e esta tem sido sempre a nossa filosofia”, sublinhou António Trindade) e em novos projetos em Portugal não impedem o Grupo de ter no horizonte um novo passo ao nível da internacionalização (a marca PortoBay já está há muito no Brasil, com hotéis no Rio de Janeiro, São Paulo e Búzios), desta feita para Espanha.
“Isto não nos impede de crescer em outros territórios”, afirmou o presidente da PortoBay, especificando que “nós continuamos a acreditar que teremos que crescer também num território que é cada vez mais identificável, porque não podemos esquecer que as diferentes áreas Portugal e Espanha têm crescido na identificação de produto, e isto obriga-nos a estarmos atentos às realidades espanholas”.
Para António Trindade, Espanha é, assim, “um mercado natural de crescimento da PortoBay”, apesar de estar consciente de que “não é fácil entrar em Espanha”. Para o Grupo não se trata apenas de colocar a sua marca em Espanha mas também de levar até ao país vizinho um pouco da cultura portuguesa: “É muito importante que, a par de marcas internacionais que aparecem em ambientes diferentes e que só passam a marca, nós possamos também transportar uma amostra de cultura”, defendeu.
“Julgo que uma eventual associação da TAP ao grupo IAG, à Iberia, determinará novas apetências dos grupos portugueses em entrarem em Espanha”
Porque “o mercado ibérico é um mercado natural”, António Trindade disse estar muito expectante relativamente ao processo de reprivatização da TAP: “Julgo que uma eventual associação da TAP ao grupo IAG, à Iberia, determinará novas apetências dos grupos portugueses em entrarem em Espanha”.
“Esta opção de integração numa ou noutra rede é particularmente importante porque trata-se de colocar o transporte aéreo numa perspetiva de procura ou de oferta, ou seja, se colocar a TAP junto à Lufthansa estou a passar a mentalidade do elemento oferta para o elemento procura e vou depender dos países que são procura em relação a Portugal. Já quando eu estou a falar de uma ligação com a Iberia, a minha filosofia toda ao nível do transporte liga-se ao território para a afirmação junto das origens, e isto é muito diferente. Se isto acontecer, julgo que o investimento de grupos portugueses em Espanha e de grupos espanhóis em Portugal far-se-á de forme diferente”, sustentou.


