Com mais de 2,4 milhões de visitantes em 2025 turismo industrial tem potencial de crescimento
Em Portugal onde é um produto ainda relativamente novo, o turismo industrial apresenta grande potencial de crescimento, principalmente junto dos mercados internacionais que representam pouco mais de 40% dos visitantes. Mas se há oportunidades também há desafios.
Isso mesmo conclui do 2ºinquérito de caracterização da Rede Portuguesa de Turismo Industrial, realizado este ano pelo Turismo de Portugal, com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre a evolução da oferta e da procura deste produto turístico.
O inquérito, publicado pelo TravelBI by Turismo de Portugal, mostrou que o Turismo Industrial registou mais de 2,4 milhões de visitantes (concretamente 2.437438), um número que reflete um aumento de aproximadamente 245 mil visitantes face aos resultados de 2023.
Ainda assim, segundo concluiu o inquérito, a procura por este produto turístico, continua a apresentar uma “forte concentração territorial, com destaque para o Porto e Norte (35,7%), os Açores (26,6%) e o Centro de Portugal (12,5%).
O mercado nacional mantém-se predominante, representando 57,4% das visitas, mas observa-se um reforço da procura externa (42,6%, +12% face a 2023), com destaque para França (20,5%) e Espanha (18,6%), a par de mercados como Brasil e Estados Unidos.
Face a este panorama, o inquérito do Turismo de Portugal concluiu da necessidade de “consolidar a atratividade e atrair novos públicos”, uma vez que “apesar do crescimento registado, a procura continua maioritariamente centrada no mercado nacional, evidenciando potencial para reforçar a atratividade junto de visitantes internacionais”.
Por setor de atividade, destaca-se o predomínio da indústria agroalimentar (47,6%), seguida dos transportes, serviços e comunicações (26,2%), que em conjunto representam 73,8% das visitas.
Análise regional: Só no Algarve e nos Açores os visitantes internacionais superam os nacionais
Por regiões, no Porto e Norte, onde o número de visitantes atraídos pelo turismo industrial ascendeu a mais de 869.000, os nacionais estiveram em maioria, com 52,2%, enquanto nos mercados externos, França ocupou o 1º lugar. Já o setor de atividade com mais visitas foi o dos transportes, serviços e telecomunicações.
No Centro de Portugal, o turismo industrial, maioritariamente do setor do vidro e da cerâmica, registou mais de 305 mil visitantes, 83,4% dos quais eram residentes em Portugal. Os mercados externos, ainda com pouca expressão, foram liderados por França.
Com cerca de 158,6 mil visitantes, 63% do mercado nacional, na região de Lisboa o setor que mais visitas concentrou foi o da energia, e os franceses foram o principal mercado internacional.
No Alentejo e Ribatejo, o setor do agroalimentar foi o que originou mais visitas. No total, o turismo industrial registou 174,8 mil visitas, o mercado interno representou 77,8% e os espanhóis lideraram os mercados internacionais.
Também com a indústria do agroalimentar como estrela, o turismo industrial no Algarve registou cerca de 280.000 visitas, com os estrangeiros a predominarem, 52%, liderados pelos turistas do Reino Unido.
Também nos Açores foram os mercados internacionais lideraram (50,7%), mas neste caso com a Alemanha no primeiro lugar. O agroalimentar foi o setor que concentrou a maior parte das 649,3 mil visitas.
Desenvolver experiências integradas e estruturar rotas e percursos temáticos
Face à distribuição regional, que continua concentrada em algumas regiões, e também à concentração setorial das visitas, o inquérito efetuado pelo Turismo de Portugal, conclui que é necessário “reforçar a visibilidade da diversidade territorial e setorial”, dando “maior notoriedade à diversidade de experiências, recursos e territórios que integram a Rede Portuguesa de Turismo Industrial”.
Porque este tipo de visitas apresenta uma forte concentração das visitas entre os meses de abril e setembro, e uma “quebra mais acentuada nos meses de inverno”, o TP afirma que o desafio está, agora, em “dinamizar a procura ao longo de todo o ano para gerar mais impacto nos parceiros e nos territórios”.
Por outro lado, com a duração das visitas a não ultrapassar o meio dia em 68% dos casos, impõe-se agora “a necessidade de estimular experiências mais completes e imersivas, e com maior impacto na atratividade do turismo industrial”, desenvolvendo “experiências integradas”, ou seja, articulando o turismo industrial com “gastronomia, cultura, natureza e eventos locais” tendo em vista “enriquecer a experiência do visitante e aumentar a permanência nos destinos”.
O inquérito concluiu, igualmente, que é necessário estruturar rotas e percursos temáticos ou inter-regionais de turismo industrial para tornar a oferta mais legível, atrativa e facilmente comunicável ao público nacional e internacional, afirmando o turismo industrial como uma” experiência autêntica e diferenciadora”.
Recorde-se que a Rede Portuguesa de Turismo Industrial, conta atualmente com 261 entidades aderentes.


