Charter para a Sardenha à partida do Porto “é muito positivo” considera Alberta Gomes Alves
É sócia-gerente da Agência Gomes Alves Viagens em Guimarães e Vizela, chama-se Alberta Gomes Alves e é uma das sete agentes de viagens que participaram na fam trip do Viajar Tours à Sardenha. Formada em hotelaria pela Les Roches em Marbella acabou por trocar os hotéis para ajudar o seu pai, fundador das duas agências, em 1959 e 1981, respetivamente. Em conversa com o Turisver confessa que as expetativas que trazia para a Sardenha eram elevadas e não saíram goradas.
Já tinha visitado a Sardenha?
Não, foi a primeira vez. Eu tinha umas expectativas muito altas, primeiro porque adoro Itália e depois porque penso que a Sardenha tem um turismo médio/alto, ou seja, vem para aqui quem tem algum poder económico, porque os preços são elevados.
E eu tinha uma curiosidade muito grande quanto ao destino, porque as imagens que via da Sardenha, eram maravilhosas. Quando o Nuno Anjos me convidou aceitei logo, porque realmente era algo que eu queria fazer e visitando é mais fácil depois vender o destino.
Daquilo que viu e do que é o programa do Viajar Tours para a Sardenha, o que é que gostou mais?
No que se refere ao destino em si, só posso dizer que é maravilhoso, tem uns recursos fantásticos, já a nível de hotelaria está igual a toda a Europa, ou seja, estamos com uma falta de pessoal muito grande e isso nota-se em todos os sítios e em todos os hotéis, o que faz com que o serviço seja um bocadinho pior do que aquilo a que estávamos habituados. Os hotéis na Sardenha são caros e os clientes querem ter um serviço adequado àquilo que pagam e isso é difícil por causa da falta de funcionários. Penso que os serviços não são como deveriam e isso é mau para quem vem e para as expectativas que tinham.
Uma visão sobre os três hotéis programados pelo Viajar Tours na Sardenha
Dos três hotéis que visitámos, qual ou quais é que que se adequa(m) mais aos seus clientes?
O Mangia’s Santa Teresa Resort é lindíssimo, muito bom. Claro que é um hotel que abriu há muito pouco tempo e sabemos que as aberturas não são fáceis, quer a nível de organização interna quer a nível de tudo o resto, eles ainda estão a alinhavar as coisas e a aperfeiçoar-se a cada dia para funcionarem normalmente.
O Mangia’s Santa Teresa Resort tem uma estrutura muito boa, tem uma boa piscina e praias perto. O serviço ainda tem de ser melhorado, nota-se que estão a abrir e há hotéis que passado um ano ainda não estão a funcionar normalmente como deviam, portanto, isto é um processo normal na hotelaria. Agora penso que é importante alertar os clientes para o que se passa aqui, em Portugal também se passa o mesmo. Se informarmos o cliente penso que está tudo tranquilo.
Quanto ao segundo hotel que visitámos, o Club Esse Palmasera Village Resort, particularmente não gostei, mas porque também tenho um tipo de cliente que não se encaixa naquele tipo de unidade hoteleira. Para mim é um pouco antiga, muito grande, a sala das refeições não me agradou, mas é como digo não tenho clientes para aquele tipo de oferta, será talvez adequado a outro tipo de clientes.
Do terceiro hotel que tivemos oportunidade de visitar, o IS Serenas Badesi, gostei muito. É um hotel muito giro, com muitas áreas verdes, com quartos muito bons, muito clean, tudo muito branco, dá logo um ar de limpeza. Tem uma área grande dentro dos quartos, inseridos naquelas casinhas que lhe dá um ar muito engraçado.
É um hotel bom para as famílias, pois tem áreas destinadas a isso, com parques aquáticos para as crianças e um kids club que funciona bem, segundo nos informou o diretor do hotel. Tem um passadiço para a praia que é muito agradável, embora o mar seja mais revolto naquela zona.
Almoçámos lindamente, tem boas salas de refeição e, por muito que o hotel esteja cheio, penso que não se vai notar as pessoas acumuladas. É um soft Tudo Incluído, penso que os portugueses vão adorar e é um hotel que eu venderia sem problema nenhum.

Aconselhava a excursão que fizemos ao arquipélago da Maddalena aos seus clientes?
Visitar o arquipélago da Maddalena eu aconselho, agora é uma excursão cansativa e algo massificada. Se calhar dar-lhes-ia a opção de fazê-la em privado, alugando um iate, que penso que seria muito mais agradável.
“Para as agências de viagens do norte, todos os programas à saída do Porto são muito positivos, porque a TAP prejudica-nos muito tendo poucas saídas do Porto, ou seja, não há opções como por exemplo para Barcelona que é um destino tão básico”
O facto de este programa ter saída do aeroporto do Porto para vocês que têm agências a norte, torna-se mais facilmente vendável?
Para as agências de viagens do norte, todos os programas à saída do Porto são muito positivos, porque a TAP prejudica-nos muito tendo poucas saídas do Porto, ou seja, não há opções como por exemplo para Barcelona que é um destino tão básico, até para os nossos clientes a nível de trabalho. Nós temos de oferecer companhias low cost, porque a TAP “cortou-nos um bocadinho as pernas” e as agências do Norte tiveram de encontrar soluções em outras companhias aéreas para transportarem os seus clientes.
Portanto, todas as operações à partida do Porto são uma mais-valia. Primeiro porque, apesar de não ser longe ir a Lisboa, é sempre mais cansativo e dispendioso. Para ir os clientes ainda vão, mas depois para regressar têm de optar ou por um voo da TAP e aí têm de comprar o bilhete com antecedência, ou tens o comboio, ou então alugar um carro ou levar o carro para Lisboa e isso implica muito mais custos. Por isso, para nós, as partidas do Porto são muito mais interessantes e está provado – e os operadores não nos deixam mentir -, que as operações à partida do Porto têm vendas muito boas.
Já tem clientes a procurar este programa?
Eu tenho muitos clientes a procurar Sardenha, agora este é um destino que não é económico, aliás nada é económico este ano, está tudo caríssimo e até aquilo que tinha um preço aceitável em anos anteriores agora está muito mais caro. Depois as pessoas estão com receio do que vem aí, porque as taxas de juro estão a ter aumentos constantes, a inflação também, e, portanto, receiam pelo que vão gastar nas férias porque podem precisar depois.
Querem orçamentos mais reduzidos, mas estão muito mais caros do que estavam no ano passado, hotéis então nem se fala. Por exemplo hotéis no Algarve estão proibitivos a nível de preços. E eu acho que Sardenha é para um cliente específico para quem já tem um poder de compra mais elevado.
Acha que alugar um carro faz sentido aqui na Sardenha?
Acho que faz todo o sentido, pelo menos para quem ficar hospedado no Mangia’s Santa Teresa Resort. Se calhar no IS Serenas Badesi não faz tanto, porque estando em TI o cliente fica mais preso ao hotel e pode optar por fazer uma ou duas excursões. Nada como alugarem um carro para terem um pouco mais de liberdade e irem conhecer o destino que vale a pena.
Em relação à sua loja como correu o verão este ano?
Correu bem, neste último mês sentimos um decréscimo nas vendas, porque houve muitas pessoas que começaram logo a fazer reservas nos meses de fevereiro, março e abril.
Tiveram muitas vendas antecipadas?
Tivemos, logo em janeiro, assim que os operadores começaram a lançar e houve muitos operadores que se anteciparam no lançamento dos charters, tivemos reservas e clientes a compraram bem porque agora já nem sequer há hotéis em alguns destinos.
Agora sentimos um decréscimo, primeiro porque as opções que existem são muito caras. E segundo quem quer ir de férias já pensou nisso e comprou, portanto, temos vendas mais esporádicas e já estamos a trabalhar o fim de ano que está a correr muito bem. Estamos a vender muito bem o Brasil, porque há um voo charter à partida do Porto para Salvador da Bahia, que foi lançado há pouco tempo e é um produto que esgota.


