Charmosa, vibrante e de muitos encantos Pipa deixa sempre em quem a visita o desejo de voltar
A convite do operador turístico Exótico e da TAP, um grupo de agentes de viagens rumou ao Rio Grande do Norte, no nordeste brasileiro, para conhecer a sua capital, Natal, Pipa, São Miguel do Gostoso e Touros. A viagem começou pela sempre charmosa vila de Pipa, de que falamos nesta primeira parte da nossa reportagem.
Chegados já de noite, o primeiro contato com a vila de Pipa foi mais sentido pelo clima que o grupo encontrou: calor, mesmo sendo 23h00, algum grau de humidade, e um aroma no ar que, estando nós praticamente em cima do mar, era de maresia. A vila está localizada a cerca de 85 Km, perto de hora e meia de Natal (capital do estado do Rio Grande do Norte), por isso só foi possível começar a viver Pipa no dia seguinte.
Para que ninguém se esquecesse que estávamos ali em trabalho, não apenas para usufruir e para conhecer o destino, a manhã começou com a visita técnica ao Hotel Ponta do Madeiro, situado no topo de uma arriba, o hóspede tem um contato visual quase permanente com o mar, o que proporciona a quem está neste hotel de charme, tranquilidade e perceção de infinito.

Rumámos então à Praia do Madeiro, ou Praia Ponta do Madeiro, para o nosso primeiro momento de lazer do dia, fazendo desde já dois esclarecimentos. O primeiro, que os dois nomes identificam a mesma praia, que fica por baixo de uma falésia, o segundo que ela fica a cerca de 1,5 Km do centro de Pipa, em Tibau do Sul, município a que pertence toda a zona de que irei falar nesta reportagem.
E aí estávamos nós a descer, falésia a baixo, um pouco mais de 100 degraus que claro, teríamos mais tarde de subir, mas essa é outra história. Uma praia belíssima, onde “moram” várias barraquinhas ou ‘botecos’ tão típicos das praias brasileiras, com as suas mesas e cadeiras de plástico, sem faltarem os respetivos guarda-sóis que polvilham o areal. Sentados à beira-mar, foi tempo de matar a sede que, no caso, o mesmo é dizer tomar a primeira caipirinha ou cervejinha desta viagem, e dar uma olhadela pela carta recheada de petiscos, ou ‘tira-gostos’, como por ali se diz.
Esta, como nos foi descrito pelo Evaldo, um dos empregados do ‘boteco’ que nos atendia, “é uma praia de duas caras”. Segundo ele, na maré vazia, o mar está sempre calmo e convida os banhistas a umas belas braçadas, já na maré alta o mar torna-se mais revolto, mais perigoso, as ondas ganham alguma dimensão e a Praia do Madeiro vira lugar de surfista, de resto existe na praia uma escola de surf, que também aluga pranchas aos turistas.
Chegou a hora do grupo encarar a subida, não sem antes alguns passarem pelo duche para tirar o sal e se livrarem da areia que teimava em colar-se ao corpo. Os cento e poucos degraus de alvenaria – há praias por aqui onde os degraus são em madeira -, sempre à sombra, por entre a mata, deram azo a três pequenas paragens para tirar fotografias e recuperar o fôlego, mas fizeram-se bem e chegados ao topo foi entrar para o ‘ónibus’ e continuar.
A Lagoa dos Guaraíras, da natureza aos golfinhos, dos bancos de areia ao batelão bar
Seguia-se mais uma visita, desta feita ao Hotel Pipa Lagoa, já em Tibau do Sul. Um pouco mais afastada da vila de Pipa, esta unidade tem um cunho mais contemporâneo, uma construção em blocos, decorada em tons claros, bem equipada e com quartos espaçosos, com vista para a Lagoa de Guaraíras. Foi nesta unidade que aposta no segmento de famílias, que o grupo almoçou, e pôde degustar a comida nordestina, filé de carne de sol, ou uma peixada de peixe com camarão e molho de coco.
A seguir ao almoço, houve tempo para outro momento de lazer. Atravessando a estrada e descendo uma pequena rampa estávamos num velho cais, para embarcarmos num barco a motor, bem moderno e confortável, para conhecermos a fauna e a flora da Lagoa dos Guaraíras. Dirigimo-nos à área onde o mar faz a sua entrada na lagoa, que por esta altura do dia estava em vazante, e quando regressávamos ao centro desta fomos surpreendidos por dois pequenos bancos de areia que já vislumbrávamos e que estavam a ficar cada vez maiores, formando uma praia de areia branca no meio da lagoa. Para que não faltasse a cereja no topo do bolo, a embarcação começou a ser seguida por uma família de golfinhos, que fez a delícia visual de todos que iam a bordo.


Parámos num dos bancos de areia onde uma embarcação que parecia de carga, acachapada, funcionava como bar de petiscos e bebidas. E foi então tempo para um momento bem relaxante, com mergulhos e o beberricar de uma cervejinha bem geladinha, com um pé na areia e outro dentro de água.
A Pipa de hoje já não é dos hippies e motards que a deram a conhecer nos anos 70 do século passado, mas é charmosa e de muitos encantos
Foi assim que chegou a hora de regressarmos, e porque estamos em junho, mês de inverno no Brasil, embora a temperatura ronde os 30 graus, uma chuva tropical quis dar-nos as boas-vindas. Percorremos o litoral por uma estrada de montanha, vislumbrando aqui e ali as principais praias de Pipa, para chegarmos ao centro da vila perto das cinco da tarde. Havia ainda tempo para um passeio, mas rapidamente as pequenas lojas, com roupas de verão coloridas, sacos e bolsas de praia, as celebrizadas havaianas e muito mais, tornaram-se a verdadeira atração.
Pipa deu-se a conhecer ao mundo, como de resto muitos lugarejos com praias de encantar no nordeste brasileiro, nos anos 70 do século passado, como verdadeiros paraísos para hippies, surfistas e motards, cada um viajando para estes destinos com as suas motivações, mas com um objetivo comum, encontrar ‘spots’ com belas praias, ambientalmente virgens, onde as praias e a mata abraçavam, e em que o contacto com a natureza lhes dava o que muitos outros lugares já então mais badalados há muito tinham perdido: tranquilidade e paz de espírito.
Passados 50 anos da sua descoberta, Pipa cresceu e desenvolveu-se, deixou de ser apenas um lugarejo de pescadores, com umas quantas ruas em terra batida, e passou a ser procurada por gente famosa, primeiro essencialmente por brasileiros que a colocaram nas páginas da imprensa “cor de rosa”, e depois vieram todos os estrangeiros, à procura do sol e praias diferenciadas como estas, protegidas pelas arribas e pela mata, com águas límpidas e quentes, onde de quando em vez se têm golfinhos por companhia.


Mas não se pense que Pipa virou um “mar” de cimento (concreto, como se diz no Brasil), muito pelo contrário, não se veem edifícios em altura, são raros os que têm mais de dois andares, sendo a maioria mesmo térreos. Por estas paragens, por acaso ou talvez não, souberam fazer bem as coisas, e ainda hoje existe uma associação com grande peso do setor do turismo (restauração, alojamento), e do comércio que tem sempre uma palavra a dizer sobre a preservação ambiental, o crescimento e o desenvolvimento da região.
Se a praia da Ponta do Madeiro tem duas caras, como nos disseram, o mesmo termo pode ser usado para nos referirmos a Pipa. Durante o dia, em especial pelo meio da manhã ou início da tarde, é que começa a ganhar vida, como que “espreguiçando-se” lentamente, as lojas comerciais vão abrindo, primeiro das farmácias às lojas de roupa, dos mercadinhos às lojas de ‘souvenirs’, depois alguns restaurantes que servem café da manhã e almoços, as gelatarias e bem mais para o final do dia, todo o resto.
Se o grupo dos nove agentes de viagens, ou melhor, o grupo dos 11, incluindo o escriba deste texto e a representante da TAP (durante toda a viagem que o operador Exótico e a TAP nos proporcionaram, sempre se tratou de um grupo coeso, aberto a fazer entre si amizades e trocar ideias e experiências, o que contribui para que todos pudessem vivenciar e usufruir melhor desta experiência e deste destino), foi rapidamente “mordido” pelo bichinho das compras, não é menos verdade que os telemóveis trabalharam arduamente a tirar fotos e a fazer vídeos, ou porque aquela ruela tem umas escadas lindas com azulejos coloridos, ou porque a iluminação (no nordeste a noite cai cedo), daquela outra era “bem lindinha”, como dizia alguém.
A rua principal tem tanto que chama a atenção de quem a visita que nem me apercebi que entre entradas de restaurantes, bares, lojas e lojinhas, pequenas unidades de alojamento e hotéis, do lado que tem vista para o mar estava um portão de ferro forjado. O Sena (que se escreve apenas com um ene, bem à portuguesa), o nosso guia de toda a viagem, chamou-me a atenção perguntando: José viu aqui a pousada do eterno sossego? Então reparei, o portão é a entrada do primeiro e pequeno cemitério da antiga vila de pescadores, atualmente constituído por jazigos e campas tapadas de pedra, mas com uma excelente vista para o mar.
Pipa tem várias caras: pela manhã é preguiçosa e sonolenta, à tarde começa a acordar com as sacolas de compras e à noite apresenta-se cheia de charme, mas tem sempre emoção
Era hora de o grupo voltar ao Hotel da Pipa (uma unidade hoteleira sobranceira ao mar, rústica, sem grandes luxos, mas capaz de satisfazer um cliente exigente) para tomar um merecido duche, e sair de novo para a vila para jantar num dos muitos restaurantes que por lá existem e que oferecem cardápios para todos os gostos e paladares, desde a comida regional à internacional, com destaque para a italiana. São desde restaurantes mais tipo ‘boteco’ até restaurantes ‘gourmet’, mas para os europeus apresentam uma extraordinária vantagem, não são nada caros.
Chegados de novo ao centro da vila, agora já noite cerrada, o grupo encontrou a outra cara de Pipa, mais cosmopolita, com turistas de várias nacionalidades, e uma atmosfera bem notívaga. As luzes e os sons que vinham dos barzinhos – uns com música ao vivo, outros com música de Dj –, das lojas todas abertas, e dos restaurantes, transmitiam um ambiente vibrante e convidativo a uma noite mais longa.
O restaurante desta noite foi o Macoco, com um chefe argentino há muito radicado na vila, motivado por dois amores, a Pipa e à esposa que o secunda na liderança da sala. É um restaurante com um ambiente simples, mas acolhedor, a ementa é composta por um misto de propostas brasileiras e argentinas, tendo vários tipos de empanadas como a grande sugestão para entrada, e carne grelhada como base dos pratos principais.
O dia tinha sido muito longo e ia seguir-se outro dia cheio, por isso, após o jantar, e de mais uma voltinha, regressámos ao hotel. Acordar cedo haveria de ser o mote durante toda a viagem, para se poder aproveitar bem o dia, e o pequeno almoço do Hotel da Pipa, onde o grupo ficou alojado nestes dias, fez jus à fama do café da manhã bem à brasileira – desde as tapiocas feitas na hora, doces ou salgadas, do bolo de banana aos habituais ovos mexidos, tudo estava delicioso.
Já com as malas dentro do atrelado do nosso ‘ónibus’, dirigimo-nos a Pipa, onde voltámos à rua principal da vila para visitarmos a Toca da Coruja, uma unidade de grande requinte, de que iremos falar noutra peça, e o Hotel Pipa Atlântico que ficou um pouco a destoar do que tínhamos visitado até aqui mas, como sempre digo, o turismo é para todos e tudo tem o seu preço. O nosso périplo por estas paragens terminou com a visita ao Hotel Sombra e Água Fresca, que mistura a modernidade ao bom gosto da decoração, com quartos de boa dimensão e bem equipados, restaurante panorâmico, várias piscinas e vistas deslumbrantes sobre o mar, as praias e a vila.
Pipa é o turista que a define, não deixa que se lhe colem rótulos à partida, se a vida de alguns é andar de fato e gravata, ou de jeans e camisa no seu dia a dia, se é dirigir uma fábrica com centenas de empregados, ou ser funcionário de qualquer repartição do Estado ou em qualquer outro emprego, não importa. Chegado a Pipa o cliente, qualquer cliente – o turista-, decide como quer vivenciar este lugar, porque aqui estará sempre bem e com tudo o que a natureza lhe dá de bom, da mata à praia, dos passeios de barco aos passeios de buggy ou jeep, da comida mais sofisticada à mais simplificada, é vir e moldar a sua estadia, até porque como dizem os locais “o amor de Pipa quando bate, fica”.
O Turisver foi ao Rio Grande do Norte, a convite do operador turístico Exótico e da TAP Air Portugal












