Candidatura de Marco Sequeira à presidência da APAVT surge de “uma vontade coletiva”
Marco Sequeira, COO Europe do OnTourism Group que entre várias outras marcas integra a Alive Travel, oficializou esta segunda-feira, 4 de maio, em conferência de imprensa, a sua candidatura à presidência da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) para o triénio 2027-2029.
Na intervenção com que oficializou a sua candidatura, Marco Sequeira começou por deixar algumas palavras de “respeito e gratidão” pelo percurso da APAVT, associação que “não pertence a uma empresa, não pertence a uma geração, não pertence a uma geografia” mas “pertence ao setor”.
Deixou, por isso, claro que a sua candidatura não é unipessoal nem de uma empresa ou grupo, sendo antes “a face visível de uma corrente de opinião”, de “uma vontade coletiva” que junta muitos gestores e profissionais da distribuição. Uma candidatura que nasceu, sublinhou, de “muitas conversas”, da “escuta” e de “preocupações reais” e da convicção de que “a APAVT deve continuar a ser a associação de todos”.
“Todos significa os grupos verticais, TMCs, operadores turísticos, o incoming, o outgoing, o corporate, o lazer, o MICE, o online, o offline, o especializado e o generalista. Significa as PMEs, que são a espinha dorsal do nosso tecido empresarial, e muito especialmente as microempresas e as agências independentes, muitas vezes localizadas fora dos grandes centros e que todos os dias mantém viva a relação de proximidade com o consumidor e com as comunidades locais”, explicitou o candidato, deixando claro que “a APAVT que queremos não escolhe entre grandes e pequenos” nem cria “divisões artificiais dentro de um setor que já enfrenta desafios suficientes”.
Porque “unidade não significa unanimidade” nem “ausência de debate”, mas sim “capacidade de juntar sensibilidades de um propósito comum”, o candidato assume que terá que ser aberto agora um novo ciclo na vida da associação que não significa uma rutura com um passado que deve ser respeitado. “Há momentos em que a mudança não é uma rutura. É uma responsabilidade”, afirmou.
“Estamos perante uma mudança de ciclo no setor, não apenas porque agora termina uma etapa associativa de incontestável vigor, mas porque o próprio mercado está a mudar de forma acelerada”
Deixando claro que “este é um desses momentos”, frisou que “estamos perante uma mudança de ciclo no setor, não apenas porque agora termina uma etapa associativa de incontestável vigor, mas porque o próprio mercado está a mudar de forma acelerada”, com a digitalização, o NDC, a revisão da Diretiva das Viagens Organizadas, a proteção do consumidor, a privatização da TAP ou o novo aeroporto, que “tem que ser pensado no quadro global da competitividade turística nacional”.
As mudanças vão exigir “uma associação mais preparada, mais técnica, mais presente e mais intraventiva”, pelo que, “a APAVT do futuro tem de ser uma associação de influência, mas também e principalmente de execução”, defendeu.
Tem também que ser uma associação de maior proximidade: “Temos de afastar qualquer tentação centralista. O país turístico não cabe numa avenida de Lisboa, o setor não cabe numa sala de reuniões em Lisboa”, pelo que, assumiu, “uma das prioridades deste projeto será criar uma APAVT mais territorial, mais descentralizada e mais próxima” dos associados, uma associação que “escute antes de decidir, que vá ao terreno antes de falar em nome do terreno, que construa posições nacionais a partir da soma das realidades locais”.
“A inteligência artificial não pode ser um privilégio das grandes empresas. A digitalização não pode ser um reforço entre os que têm escala e os que ficam para trás. A modernização tem de ser prática, democrática e útil”
A candidatura de Marco Sequeira assenta, também, “numa ideia muito clara de modernização” para poder “ajudar o setor a transformar-se”, e exemplificou: “A inteligência artificial não pode ser um privilégio das grandes empresas. A digitalização não pode ser um reforço entre os que têm escala e os que ficam para trás. A modernização tem de ser prática, democrática e útil.” Também por isso, assumiu a necessidade de apostar numa formação que “não pode ser episódica”, porque a história já confirmou que o agente de viagens “é um profissional de futuro” mas para isso “tem que ter formação, ferramentas, reconhecimento, ética, capacidade técnica e orgulho na sua função”.
“A APAVT deve continuar a valorizar a profissão, mas deve fazê-lo com uma ambição maior”, deve “atrair talento novo, aproximar escolas e empresas, criar percursos de formação, dignificar carreiras e mostrar que trabalhar numa agência de viagens é trabalhar num setor tecnológico, internacional, exigente, humano e estratégico”, disse, sublinhando que “a Associação deve ser uma plataforma de inteligência coletiva. Uma casa onde se discutem ideias, sim, mas principalmente uma casa onde se produzem soluções” em todas as dimensões da sua atividade, e “deve ser uma associação construtiva, dialogante e institucional.”
A terminar enfatizou que oficializa a sua candidatura à presidência da APAVT com “sentido dever”, uma candidatura que não promete soluções fáceis, até porque o setor é complexo. “Venho propor método. Venho propor trabalho. Venho propor escuta. Venho propor unidade. Venho propor uma APAVT mais próxima, mais técnica, mais descentralizada, mais moderna e mais representativa (…). Uma APAVT onde todos contam”.


