Alternativa aos voos de curta distância: Bruxelas quer alta velocidade ferroviária a ligar as principais cidades da U.E. até 2040
O projeto, apresentado esta quarta-feira, 5 de novembro, visa fazer com que o comboio seja uma alternativa às viagens aéreas de curta distância. A Comissão Europeia quer também criar um bilhete único intermodal, combinando vários meios de transporte e diferentes empresas.
A Comissão Europeia apresentou esta quarta-feira um plano para impulsionar a alta velocidade ferroviária e liberalizar o serviço até 2040, tendo em vista a criação de uma infraestrutura que ligue as principais cidades e capitais da União Europeia . O projeto pretende ser uma alternativa aos voos de curta distância e às longas viagens rodoviárias, aumentar o número de passageiros da ferrovia e impulsionar as economias regionais e o turismo.
De acordo com o comunicado emitido pela Comissão Europeia, o plano prevê ligar os principais nós de transporte a velocidades de 200 quilómetros por hora ou superiores, o que permitirá viajar de Lisboa a Madrid em três horas (em 2034, prevendo-se cinco horas em 2030), bem como ligar Madrid a Paris em seis horas.
Outros exemplos citados no comunicado são as ligações entre Berlim e Copenhaga em 4 horas, em vez das atuais 7, entre Sófia e Atenas em 6 horas ao invés de 13 horas e 40 minutos, 13h40, entre Paris e Berlim em 7 horas em vez de 8h15 ou de Paris para Roma em 8h45 em vez de 10h50.
“Para além da redução dos tempos de viagem, o plano aliviará a congestão e libertará capacidade nas linhas convencionais, facilitando os comboios noturnos, o transporte de mercadorias e a mobilidade militar, ao mesmo tempo que reforça a competitividade europeia no turismo e na indústria”, refere o mesmo comunicado.
Para concretizar o seu plano, Bruxelas propõe que os países da União Europeia eliminem os estrangulamentos transfronteiriços, estabelecendo “cronogramas vinculativos para 2027 e identificando opções para atingir velocidades mais elevadas , mesmo superiores a 250 quilómetros por hora, sempre que seja economicamente viável”.
A Comissão Europeia pretende também que seja desenvolvida “uma estratégia de financiamento coordenada, incluindo um diálogo estratégico com os Estados-Membros, a indústria e as instituições financeiras para alcançar um Pacto Ferroviário de Alta Velocidade que mobilize os investimentos necessários”.
Recorde-se que Bruxelas já disponibilizou cerca de 100 mil milhões de euros de fundos europeus para infraestrutura ferroviária e 40 mil milhões emprestados pelo Banco Europeu de Investimento. No entanto, a Comissão Europeia estima que sejam necessários 345 mil milhões de euros para concluir a rede ferroviária de alta velocidade atualmente prevista na Rede Transeuropeia de Transportes (RTE-T) até 2040. “Segundo estimativas externas, ir além da RTE-T e triplicar a dimensão da atual rede ferroviária de alta velocidade da UE, com velocidades de 250 km/h ou superiores, poderia custar até 546 mil milhões de euros“, refere o comunicado que antecipa um “benefício líquido positivo para a sociedade na ordem dos 750 mil milhões de euros”.
Em conferência de imprensa em Bruxelas, o comissário europeu dos Transportes, Apostolos Tzitzikostas, revelou que a Comissão Europeia vai apresentar, no início de 2026, uma proposta “para que todos os passageiros possam, com um clique no seu telemóvel ou no seu computador, reservar e comprar um bilhete transfronteiriço através de diferentes empresas e de forma multimodal”. A prioridade, disse, é “garantir que os cidadãos, quando quiserem utilizar o comboio para ligações transfronteiriças através de diferentes empresas, possam reservá-lo como um único bilhete”.

