Bruno Reis presidente da Embratur: “Portugal vai ser o mercado emissor europeu número um para o Brasil este ano”
O presidente da Embratur, Bruno Reis, esteve presente, na passada quinta-feira, na apresentação do destino Florianópolis (capital do estado brasileiro de Santa Catarina) aos agentes de viagens, em Lisboa. O Turisver aproveitou a oportunidade para o entrevistar e saber um pouco mais da estratégia do organismo responsável pela promoção turística internacional do Brasil.
Mudou alguma coisa na estratégia da Embratur, com a sua entrada para presidente?
Não, não mudou. Nós estamos a seguir as orientações do ‘Plano Brasis’, que é o nosso plano de marketing que vai até dezembro de 2027, com essa linha lógica de negócios, justamente para termos uma visão de longo prazo da promoção do Brasil.
Que importância é que o mercado português tem para o Brasil no ranking dos mercados europeus?
No conjunto da Europa, na verdade, Portugal sempre ficou em segundo lugar, atrás da Espanha. Mas agora, no primeiro semestre de 2026, o número de portugueses que chegou ao Brasil cresceu 26%, e com isso Portugal ultrapassou a Espanha e é o maior mercado emissor. E tudo indica, dependendo do cenário geopolítico macroeconómico, que Portugal vai ser o mercado emissor europeu número um para o Brasil este ano.
Isso vai fazer com que haja uma presença maior da promoção do Brasil em Portugal?
Isso também desperta novos destinos, novos operadores aéreos, inclusive investimentos da hotelaria portuguesa no Brasil, e acaba por dar uma visão de longo prazo ao nível da promoção. Então, com certeza, vamos ter mais ações para se falar do Brasil, para dar a conhecer mais do Brasil, para além dos destinos muito tradicionais e conhecidos, como o Rio de Janeiro, Salvador ou Foz do Iguaçu.
A TAP é imprescindível para este vosso trabalho. Normalmente, tentam envolver a TAP na vossa produção na Europa?
Nós temos um acordo de cooperação assinado entre a Embratur e a companhia aérea portuguesa, para conseguirmos ser falados nas relações comerciais junto das operadoras de turismo, não só de Portugal, mas no mercado europeu como um todo. Então, desenhamos campanhas cooperadas de média, fam tours, press trips, ações com influenciadores, temos essa ação com a TAP de maneira bem macro.
Nós sabemos do crescimento que o Brasil tem tido no mercado internacional, mas quando olhamos, a Europa fica aquém dos mercados de maior proximidade, da América Latina e também dos Estados Unidos. Porquê? É pela distância? É pelo custo? Ou por causa de alguma coisa que ainda possam vir a fazer?
Claro que pela proximidade logística à América do Sul, tanto o mercado argentino como o chileno são os nossos dois principais mercados emissores. Depois vem os Estados Unidos, com quase 600 mil turistas todo ano, muito ligado ao fluxo corporativo.
O que entendemos é que precisamos ter uma visão de longo prazo, de permanência das ações promocionais. Sabemos que o mercado europeu é o mercado mais disputado, todos os países do mundo querem os turistas europeus.
Logicamente, porque o Brasil tem essa facilidade pela quantidade de destinos e aeroportos que estamos promovendo, entendemos que o nosso grande desafio é a governança da organização no Brasil, dos atores e dos fornecedores, para fazerem as relações no mercado europeu. Com certeza isso pode crescer, podemos ter aí uma grande retoma em relação aos nossos concorrentes do Caribe, o México, porque o Brasil consegue posicionar-se dessa maneira. Por isso, estou muito otimista que o nosso ciclo de 2027 – 2030 vamos conseguir trazer muito mais turistas europeus para o Brasil.
“Já estamos em negociação para a nossa presença em 2027, assim como também, além da feira, estamos a ver como conseguimos ter uma presença mais permanente no mercado português, desdobrando as ações da BTL, porque a entendemos que temos que estar sempre ativos aqui, fazendo promoção”
Já têm programada a vossa presença na próxima edição da BTL?
Sim, este ano o Brasil foi o país convidado e isso foi estratégico, inclusive porque cresceram os números de turistas portugueses para o Brasil, e isso, com certeza, é reflexo dessa iniciativa.
Já estamos em negociação para a nossa presença em 2027, assim como também, além da feira, estamos a ver como conseguimos ter uma presença mais permanente no mercado português, desdobrando as ações da BTL, porque a entendemos que temos que estar sempre ativos aqui, fazendo promoção.
Os operadores turísticos que querem fazer maiores apostas no Brasil, o que é que podem contar da parte da Embratur?
A Embratur tem 19 ferramentas de promoção internacional. Temos um escritório baseado em Lisboa, e os operadores podem procurar o nosso escritório para fazerem ações para o Brasil, desde campanhas cooperadas nos media, passando por fam tours e press trips em coordenação com a TAP, e também com outras companhias aéreas.
O que queremos é que os operadores que têm ainda um volume tímido de Brasil consigam explorar melhor os nossos produtos. Então, hoje, aquele operador que vende muito o Caribe, o sudoeste asiático, queremos que ele venha também procurar o Brasil para colocar os produtos na prateleira.


