Bernardo Trindade: “2022 tem sido um ano excecional” mas pandemia fez hotelaria “recuar 20 anos”
Na abertura do 33º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo, o presidente da AHP revisitou alguns dos temas a que tinha aludido na sua tomada de posse. Agora com indicadores que recolocam o turismo como motor da economia, Bernardo Trindade exige maior atenção para a hotelaria, quer o alargamento das maturidades das linhas de crédito e a inclusão do setor no pacote de apoio às empresas para as energias.
Na sua intervenção, o presidente da Associação da Hotelaria de Portugal, Bernardo Trindade, começou por afirmar que “o ano de 2022 tem sido um ano excecional na recuperação da confiança dos nossos clientes” e sublinhou que Portugal vai liderar o crescimento económico na União Europeia, impulsionado pelo turismo. Mas alertou também que o crescimento verificado este ano não chega para «tapar o rombo» provocado pela pandemia: “não nos iludamos: os anos da pandemia fizeram-nos recuar 20 anos em termos de dormidas e 10 anos em termos de proveitos”.
Alertando que a guerra na Ucrânia e tudo o que a ela anda associado, como a escalada de preços “não nos permite dizer qual o nível de resultados que teremos em 2022”, Bernardo Trindade revisitou uma das ideias deixadas na sua tomada de posse: “realisticamente temos de ser ajudados”.
Uma das ajudas que pediu diretamente ao ministro da Economia que estava presente, foi a de que a hotelaria tenha acesso ao pacote de três mil milhões de euros de apoio às empresas para fazer face aos custos energéticos. “Temos a expetativa de ser incluídos nesse pacote de ajudas”, manifestou, acrescentando que “ só quem não é hoteleiro é que não sabe quanto impacta na demonstração de resultados de um hotel o peso da eletricidade e do gás”.
Por outro lado, recordando “as linhas de crédito de apoio foram importantes, mas caminham para a sua maturidade”, Bernardo Trindade deixou claro que a hotelaria precisa “de ver alargadas as maturidades das linhas de crédito e premiados projetos em função de metas realizadas”.
A escassez de recursos humanos foi outro dos temas abordados “durante a pandemia perdemos 45.000 ativos no setor do turismo”, recordou, afirmando que “da recuperação mais rápida do que prevíamos em 2022, resultou também uma qualidade de serviço pior porque, apesar de os salários no setor terem aumentado acima da média da economia nacional, a escassez continua e quem chega de fora não traz formação.
O presidente da AHP deixou claro que o setor está “a trabalhar num novo paradigma de prestação de serviço que confira outro tipo de regalias aos nossos colaboradores” Ainda assim, sublinhou, “num contexto de verdade e transparência, um hotel é o que sabemos. Estamos abertos 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano…”, o que não permite uma gestão de recursos humanos em igualdade com outros setores da economia
*O Turisver está em Fátima a convite da AHP


