Barómetro ANAV: Portugueses gastam menos em férias de fim do ano mas Brasil é o destino mais procurado
Divulgados esta quarta-feira, os resultados do Barómetro ANAV e Universidade Europeia indicam que os portugueses estão mais prudentes com os gastos nas férias de final do ano. Ainda assim, nas agências de viagens, o Brasil mantém-se no topo da procura para esta época do ano.
A ANAV – Associação Nacional de Agências de Viagens – e a Universidade Europeia acabam de divulgar as principais conclusões do barómetro referente às preferências / tendências das férias dos portugueses no Natal e Passagem de Ano. O estudo baseia-se nas informações recolhidas junto das agências de viagens associadas e os dados permitem identificar as prioridades que orientam a procura turística nesta época do ano.
De acordo com o Barómetro, o Brasil (18%) é o destino mais procurado pelos portugueses para as férias de final de ano. Seguem-se as capitais europeias (16%), e Cabo Verde e Madeira, ambos com 15%.
Ainda assim, os Mercados de Natal destacam-se ao nível da procura, com 49% dos inquiridos a indicá-los como a principal motivação para viajar nesta época do ano. Os destinos de praia continuam a ser relevantes, concentrando 25% das preferências, sendo o seu peso mais expressivo entre famílias e casais, embora abaixo das viagens temáticas de inverno. Na escolha dos destinos, a segurança ganha importância, surgindo como 3ª motivação, com o seu peso a ser maior para viajantes seniores.
Indicada por 82% dos inquiridos, a relação preço-qualidade mantém posição central nas escolhas, revelando que os consumidores estão atentos ao valor real das propostas e habituados a comparar alternativas antes de tomar decisões. A confiança na agência, o tempo total da viagem ou a possibilidade de personalização surgem com menor expressão.
Portugueses mais prudentes com os gastos
O Barómetro ANAV / Universidade Europeia, conclui ainda que os portugueses estão mais prudentes com os gastos, com cerca de 43% dos clientes a destinarem entre 1.201€ e 2.000€ por pessoa para as férias. No entanto, mais de 25% ultrapassam os 2.000€.
Apesar do nível de despesa, o estudo aponta para uma contenção no orçamento das famílias refletida numa redução do valor gasto em comparação com o ano anterior. Cerca de 43% das agências referem que os seus clientes gastaram menos do que em 2024 e apenas 24% registou um aumento no gasto com viagens.
Para Miguel Quintas, presidente da ANAV, esta tendência “indica maior prudência financeira, embora sem afastamento da intenção de viajar. As viagens mantêm-se, mas os clientes analisam mais cuidadosamente o que cada programa inclui e quanto representa no orçamento familiar”.
Perfil dos viajantes portugueses
De acordo com o Barómetro agora divulgado, 89% dos clientes situam-se entre os 35 e os 64 anos, o que revela um segmento com estabilidade financeira. Além disso, a grande maioria das reservas são efetuadas com antecedência: 61% são feitas 3 meses ou mais antes da viagem.
As famílias representam 60% dos clientes, com os restantes segmentos (clientes individuais, seniores e grupos de amigos), a surgirem em proporções equilibradas, mas com peso inferior. “O domínio das famílias ajuda a explicar a procura por destinos seguros, experiências organizadas e relação preço-qualidade evidente”, refere a ANAV.
“Os resultados revelam um mercado ponderado, informado e sensível ao valor das propostas. Os viajantes procuram qualidade, flexibilidade e autenticidade, sem ultrapassar o orçamento familiar. As agências que apresentarem propostas claras, bem segmentadas e com valor evidente estarão mais bem posicionadas para responder às necessidades de 2026. Entre as prioridades recomendadas destacam-se diversificação da oferta, reforço da comunicação do valor das experiências, integração de produtos sazonais bem estruturados, atenção especial à segurança do destino para públicos mais vulneráveis”, considera Miguel Quintas.
“Estas tendências acompanham também a evolução observada noutros mercados europeus, nos quais se verificou um aumento da procura por destinos seguros, produtos temáticos e experiências culturais ao longo de 2024 e 2025”, conclui o responsável.


