Barómetro ANAV: Cabo Verde e Espanha lideram preferências das famílias portuguesas para o verão
Cabo Verde e Espanha são os destinos mais procurados pelas famílias portuguesas para as férias de verão, segundo o barómetro da ANAV, que indica também que o gasto médio dos portugueses medeia entre os 1.201€ e 2.000€ por pessoa, e a segurança do destino é o que pesa mais nas escolhas.
A ANAV – Associação Nacional de Agências de Viagens e a Universidade Europeia divulgaram esta quinta-feira, 21 de maio, o barómetro com as tendências para o verão 2026, revelando que o mercado das viagens organizadas em Portugal está fortemente segmentado por idade e perfil do viajante, com as famílias a assumirem um papel dominante na procura.
O estudo, que tem por base respostas de 122 agências de viagens, revela que Cabo Verde surge como o principal destino (34,4%), seguido de Espanha, com ambos os destinos a consolidarem-se como escolhas preferenciais das famílias portuguesas. De acordo com o relatório, o segmento famílias representa 57,4% do total dos clientes, com especial incidência na faixa etária dos 35 aos 49 anos.
O barómetro aponta para a existência de dois grandes perfis de consumo: por um lado, as famílias com filhos, focadas em destinos de sol e praia, com forte sensibilidade ao preço e elevada procura de flexibilidade; por outro, os casais e seniores, que privilegiam confiança, conveniência e experiências culturais diferenciadas.
Transversal a todos os perfis é o fato de a segurança se assumir como fator central na escolha de um destino de férias. Neste âmbito, 94% das agências a reportaram preferência por destinos considerados seguros, com este factor a deixar de ser um elemento diferenciador para passar a condição essencial na decisão de compra.
Relativamente aos padrões de reserva, o barómetro indica que 71,3% dos clientes reservam entre 3 a 6 meses de antecedência, com o gasto médio a situar-se, maioritariamente, entre 1.201€ e 2.000€ por pessoa. Revela igualmente que as famílias são o segmento que mais valoriza condições de reserva flexíveis.
A análise evidencia diferenças claras entre gerações. Assim, entre os consumidores com idades entre os 35 e os 49 anos, predomina a procura por relação qualidade/preço; entre os 50 e os 64 anos, ganham importância fatores como confiança na agência e conveniência da viagem; enquanto o segmento sénior distingue-se pela procura de cultura, património e experiências especializadas.
Para Miguel Quintas, presidente da ANAV, “os dados reforçam a necessidade de segmentação estratégica por parte das agências de viagens, com propostas de valor diferenciadas e ajustadas a cada perfil de cliente. O mercado não é homogéneo e exige respostas específicas. A personalização da oferta e da comunicação será determinante para a competitividade das agências no verão de 2026”.
Já Cláudia Gouveia, professora de Turismo da Universidade Europeia, considera que os resultados evidenciam padrões bem definidos no perfil dos turistas: “O comportamento do consumidor turístico varia de forma significativa em função da idade e do perfil do viajante. Esta leitura é particularmente relevante para as agências de viagens, porque permite compreender não apenas os destinos mais procurados, mas também os critérios que orientam a decisão de compra, como segurança, flexibilidade, confiança, conveniência e relação qualidade-preço”.



