Atlantic Connect Group avança com providência cautelar para impedir fecho do concurso da Azores Airlines
“O Governo Regional está a empurrar a Azores Airlines para um cenário de rutura, sem que exista uma alternativa credível, estruturada e em tempo útil”, acusa o Atlantic Connect Group, único consórcio que esteve até ao final na corrida à privatização da Azores Airlines.
“O Atlantic Connect Group interpôs uma providência cautelar com o objetivo de suspender os efeitos da decisão do Conselho de Administração da SATA que determinou a exclusão da sua proposta e o encerramento do concurso de privatização da Azores Airlines sem seleção de qualquer investidor”, anuncia o consórcio em comunicado emitido esta segunda-feira, 23 de março.
“A poucos meses do prazo definido por Bruxelas para a conclusão da privatização, o Governo Regional dos Açores optou por encerrar o processo em curso e avançar para um novo procedimento por negociação particular, assumindo, na prática, o fracasso do modelo que definiu e conduziu ao longo dos últimos três anos”. Lê-se no comunicado, onde o consórcio acusa o Governo açoriano de “abrir uma nova via cujo desfecho não tem data prevista no curto ou médio prazo”, em vez de tentar encontrar uma solução no âmbito do processo que estava em curso.
“O Governo Regional está a empurrar a Azores Airlines para um cenário de rutura, sem que exista uma alternativa credível, estruturada e em tempo útil”, acusa o consórcio que alerta para o facto de o Governo Regional estar “a criar as condições que podem conduzir à insolvência da companhia aérea”.
Além disso, alerta também para as “sérias dúvidas quanto à coerência e credibilidade do novo procedimento”, a negociação direta. Aliás, para o consórcio, a designação de Augusto Mateus, antigo presidente do júri do concurso anterior, como supervisor independente é “dificilmente compatível com o princípio de independência que se pretende assegurar, sobretudo quando o próprio presidente do júri esteve, ao longo de todo o processo, associado a uma condução que desembocou no desfecho agora conhecido”.
O Atlantic Connect Group recorda que participou neste processo durante três anos “com total sentido de responsabilidade”, e apresentou “uma solução concreta para a sustentabilidade da companhia” pelo que “não pode, por isso, ser responsabilizado por um desfecho que resulta de decisões que impediram, de forma sucessiva, a concretização do processo”.
“As consequências do rumo que está a ser seguido terão de ser assumidas por quem teve o poder de decidir e optou por não o fazer. E essa escolha pode ditar o fim da Azores Airlines”, acusa ainda.


