As praias e o mar são a grande atração mas a ilha Maurícia oferece muito mais do que isso a quem a visita (1ª parte)
Esta é a primeira parte da reportagem sobre a Ilha Maurícia com foco na região norte da ilha. Comercializado em charter pela Travelplan, à partida de Madrid, durante verão europeu, o operador promoveu em julho uma fam trip de agentes de viagens e jornalistas para proporcionar um maior conhecimento deste destino do Índico, com vista às operações que vai fazer futuramente.
A viagem começou no aeroporto de Lisboa e, menos de uma hora depois, o grupo de agentes de viagens e jornalistas que, a convite da Travelplan, operador turístico do Grupo Ávoris, se deslocou à ilha Maurícia, estava no aeroporto de Barajas, em Madrid, para embarcar no voo número 837 da EVE (Evelop/Orbest/Iberojet), que haveria de nos levar até ao destino tão ansiado.
Doze horas depois, após uma noite a bordo, a chegada à Ilha Maurícia ocorreu pouco passava das 7h30 (hora local), e o processo de verificação da documentação foi lesto. Já dentro do mini bus que nos levaria até ao hotel, o grupo teve o primeiro contacto visual com a ilha. O percurso durou um pouco mais de hora e meia até Grand Baie no norte da ilha e durante o trajeto três coisas foram bem percetíveis.
Desde logo, que o trânsito se fazia pela esquerda, ao contrário do que acontece em Portugal onde conduzimos pela direita e que o parque automóvel tinha uma idade baixa, e a maioria dos quilómetros percorridos foi feito por numa estrada bem asfaltada, de duas faixas para cada sentido, uma espécie de “scut” que liga o centro da ilha onde se situa o aeroporto ao norte, para onde confluíam acessos que se faziam através de várias rotundas.
Em segundo, que a paisagem que se abria à nossa frente era quase sempre a das grandes montanhas que se situam no centro da ilha, que a agricultura era essencialmente de cana de açúcar, as povoações pareciam bem organizadas e nos maiores povoados habitacionais existiam parques industriais ou fábricas, depreendendo-se que existe organização e planeamento.
Em terceiro lugar, apesar de pelo caminho nunca termos vislumbrado o tão ansiado mar do Índico, à medida que nos aproximávamos de Grand Baie e das suas praias, começámos a passar pelo meio de povoações já viradas para o turismo, com lojas e centros comerciais, restaurantes, bares e discotecas, a par das habituais lojas de “souvenirs”.
Chegados ao Hotel Trou aux Biches Beachcomber onde iriamos pernoitar, verificámos que a organização no trabalho e na vida dos mauricianos também se faz sentir no turismo, dado que as nossas malas, que tinham viajado noutro veículo, já lá se encontravam.

Porque era ainda cedo para o check-in, até porque os quartos ainda não estavam prontos, a opção foi fazer a visita do hotel, a melhor e mais qualificada unidade hoteleira que o grupo visitou durante a sua estada na ilha, segundo a opinião generalizada.
O almoço, no final da visita ao hotel, foi no ‘La Caravelle’, um restaurante gourmet de cozinha internacional e serviço à la carte ao almoço e jantar, mas onde também se pode tomar o pequeno almoço. Essencialmente construído em madeira, o restaurante apresenta-se quase na totalidade aberto para a praia, proporcionando uma vista espetacular para o oceano Índico.
O jantar foi num dos mais emblemáticos restaurantes do hotel o ‘Gengibre Azul’, especializado em comida de fusão asiática, com o digestivo a ser tomado no ‘L’ Oásis’, um bar junto à piscina e onde todas as noites há animação ao vivo.
Depois de uma noite bem dormida que nos recompôs da noite passada a bordo e dos afazeres do dia da chegada, o segundo dia na ilha começou cedo, com a saída do hotel a acontecer pouco passava das 8h00, para uma excursão de meio dia com almoço incluído chamada “Joias do Norte”.
Jardim Botânico de Pamplemousses, o mais antigo do hemisfério sul pois foi iniciado no ano de 1769. Com 33 hectares, este é um dos locais mais visitados na ilha, o que se justifica amplamente pelos encantos proporcionados aos visitantes
A primeira paragem foi no Château de Labourdonnais, para uma visita pormenorizada. Mandado erguer por Christian Wiehe, uma proeminente figura da sociedade mauriciana nos meados do século XIX, o Château de Labourdonnais, edifício neoclássico, começou a ser construído em 1856, tendo ficado concluído apenas três anos depois.
Propriedade notável que hoje é um símbolo da vida refinada da época, o edifício foi alvo de uma demorada e pormenorizada restauração em 2006, que lhe deu uma nova vida e o transformou num pedaço da história das Maurícias.
A visita ao imponente palácio vale bem a pena, permitindo-nos mergulhar no conhecimento daquilo que era o mobiliário usado há cerca de século e meio, admirar os lustres de cristal, em especial o da sala de refeições, os quartos com destaque para o principal com mobiliário estilo vitoriano, e admirar as pequenas peças expostas, em se destacam os conjuntos de serviço de mesa. Antes ou depois da visita ao palácio é quase obrigatório desfrutar de um passeio pelos jardins que, com uma vegetação incrível e árvores de grande porte, transmite uma rara sensação de calma e tranquilidade.
Pois é, estava-se bem nos jardins do Château de Labourdonnais, mas tínhamos mais ícones locais para visitar e rumámos ao Jardim Botânico de Pamplemousses, o mais antigo do hemisfério sul pois foi iniciado no ano de 1769. Com 33 hectares, este é um dos locais mais visitados na ilha, o que se justifica amplamente pelos encantos proporcionados aos visitantes. Em destaque neste Jardim Botânico, estão os vários lagos repletos de Vitória-régia ou Vitória Amazónica, a maior planta aquática flutuante do mundo, conhecida pelas suas enormes folhas circulares que podem chegar aos dois metros de diâmetro. A planta é dotada de flores brancas que mudam a sua cor para rosa em cerca de 48 horas e que, tal como as folhas, também são de tamanho gigante.
Passeando pelo vasto parque, por entre grandes árvores, sobretudo palmeiras de várias espécies, saltam à vista não apenas os lagos com plantas flutuando mas também as flores de lótus–flor nacional da Índia, onde é considerada planta sagrada -, igualmente de grandes dimensões. Nativas das regiões asiáticas, também estas plantas impressionam com as suas flores rosadas ou brancas. Mas por ali encontra-se uma vegetação tão rica que não foi difícil para o grupo encontrar locais fotografáveis, ou instagramáveis como se diz agora.
Após esta visita, a hora do almoço aproximava-se e por isso rumámos ao Museu ‘L’Aventure du Sucre’, ali bem perto, onde o grupo pôde experimentar uma refeição tipicamente mauriciana. Mas como o nome indica, trata-se de um museu e na visita ao espaço aprende-se um pouco da história e da importância que a cana de açúcar tem desde há séculos para a economia do país.
O espaço circundante do museu é bastante apelativo. Por lá se encontra um antigo comboio, cenário muito fotografado e que faz as delícias das crianças; um jardim com bancos como aqueles que ainda podem ser encontrados no nosso país, e o restaurante. No interior do museu existe uma loja para venda de produtos ligados à cana de açúcar, nomeadamente bebidas, com destaque para o Rum, vários tipos de açúcar e alguns produtos gourmet, além de peças de artesanato e desenhos de artistas, acessórios de moda, cosméticos naturais e alguns “souvenirs” alusivos à temática do espaço.
A visita à vibrante capital da Maurícia começou pelo local em que o coração da cidade mais palpita, o Mercado Central de Port Louis que praticamente está aberto 24 horas por dia e fica no centro da cidade, perto do porto
A última visita do dia foi a Port Louis, a capital do país. A cidade tem vários pontos de interesse, mas destaco dois lugares de grande interesse. Um é a Cidadela (Fort Adelaide) datada de 1838, uma antiga fortaleza que fica sobre uma colina no centro da cidade; outro é o seu porto de águas profundas e o principal da ilha, virado para o oceano Índico e entre montanhas que sobre ele fazem uma meia lua.
A visita à vibrante capital da Maurícia começou pelo local em que o coração da cidade mais palpita, o Mercado Central de Port Louis que praticamente está aberto 24 horas por dia e fica no centro da cidade, perto do porto. Considerado o melhor local da ilha para comprar artesanato e outras recordações, o mercado, pela sua dimensão e mistura da população local que ali se abastece de temperos tradicionais, frutas tropicais ou legumes, transmite ao visitante um pouco da cultura e do modo como vivem as gentes locais.
É no piso térreo que se comercializam os alimentos do dia a dia, e é percorrendo as bancas calmamente que o turista pode ir descobrindo frutas que raramente chegam aos grandes supermercados portugueses, e essencialmente especiarias vindas da Índia, que os locais consomem dando um toque exótico à alimentação. É também nesta área que o burburinho das gentes mais se faz sentir e ombreamos diretamente com os locais, remexendo nas frutas e legumes.


O artesanato fica no primeiro piso do mercado, sendo por ali que o turista facilmente pode encontrar a lembrança que quer levar, sejam têxteis como t-shirts ou roupa leve de praia, malinhas de senhora ou cestos de vime, esculturas em madeira, frascos com ervas aromáticas ou chás – afinal, há de tudo um pouco, seja mais ou menos artesanal, incluindo os habituais ímanes para colocar na porta do frigorifico.
Uma dezena de metros mais à frente, caminhando em direção ao mar, encontra-se um moderno centro comercial que pede meças a muitos dos que existem por cá, e que tem duas partes distintas: uma quase exclusiva para quem quer comprar roupa, incluindo de praia, e outra um nível a cima onde se encontra várias lojas mais sofisticadas onde a venda de tecnologia domina.
Foi com a visita a Port Louis que terminou o nosso périplo pela zona Norte da Ilha Maurícia de que descobrimos um pouco durante a excursão ‘Joias do Norte’. Para os dias seguintes estavam reservados outros passeios e mais duas excursões, uma ao Sul e outra à zona Este da Ilha, mas disso falaremos noutra peça.
O Turisver deslocou-se à Ilha Maurícia a convite da Travelplan, operador turístico do Grupo Ávoris.






















