Artur Sousa: A ATR “é um GSA reconhecido e é o único que não pertence a nenhum GSA global”
Em conversa com o Turisver, Artur Sousa, diretor da ATR – Atividades Turísticas e Representações, afirmou que 2025 foi “um ano bom” para a empresa, embora nem todas as representadas tenham tido comportamento idêntico, como explicou. Já quanto a 2026 as perspetivas são positivas, com o ano a começar “muito bem”, por via das reservas antecipadas.
Artur, como é que foi o ano de 2025 para a ATR?
Para a empresa foi um ano bom, mas a nível das empresas representadas nem todas tiveram o mesmo comportamento. Por exemplo fruto da situação no Médio Oriente, uma das nossas representadas, a companhia aérea israelita EL Al, em que sempre tínhamos tido bons resultados, ressentiu-se e durante dois anos – não podemos dizer que esteve parada porque a companhia nunca deixou de operar – mas a procura à partida de Portugal foi diminuta. Isto apesar de em 2025 termos feito alguns grupos, poucos a partir de outubro, novembro. Já em Janeiro deste ano, sentimos que a procura está já a voltar ao nível de antes do conflito.
Isso dá-nos grandes expectativas, porque há uma recuperação clara de Israel como destino, acima de tudo ao nível do mercado religioso. A Jordânia também está a começar a recuperar e estou convencido que vai ser um ano forte para a Jordânia, face àquilo a que nós temos assistido no roadshow que realizamos, a procura e a própria dinâmica da companhia.
Relativamente às outras representadas da ATR 2025 foi um ano muito positivo. Com a Air Transat, tivemos um ano muito bom, em que nunca deixámos de operar, operámos o ano todo, do Porto e de Lisboa, com Faro a manter-se sazonal.
Relativamente à Air Baltic, abrimos rotas para o Porto, e estão a correr muito bem, além da rota de Lisboa, e do Funchal que já tínhamos, rotas que são para continuar, e a intenção é continuarmos a aumentar, porque quanto mais as pessoas vão conhecer os Bálticos, mais aumenta a procura, pois a melhor promoção é o “passa palavra”, tanto assim é que nunca vendemos tantos mercados de Natal para os países Bálticos como o ano passado.
Não vou falar de todas as empresas que representamos, mas ainda a nível da aviação, destaco também a Aeromexico, em que tivemos um resultado fortíssimo a nível de corporate.
Para este ano, quais são as perspetivas?
O ano está a começar muito bem, nota-se que cada vez há maior volume de vendas antecipadas, o que é positivo. No entanto, o que na minha opinião o que é menos positivo é o facto de vermos o mercado a vender constantemente com base em campanhas – olho para o calendário e só vejo campanhas, eu próprio já tenho alguma dificuldade em encontrar um produto para o qual não haja uma campanha, mas o mercado é o que é. Isto não tem a ver propriamente com os meus destinos, embora em alguns casos possam ser abrangidos, mas fizemos todos um excelente trabalho a nível de antecipação de vendas, e depois o mercado vive de campanha em campanha.
“Com a representação da Lojas dos Cruzeiros temos várias vantagens, nomeadamente termos companhias que não estão representadas em Portugal, já nas companhias mais visíveis no mercado português, uma das grandes vantagens que temos, e que o mercado tem através de nós, enquanto GSA da Loja dos Cruzeiros, é o facto de termos lugares garantidos”
Faz mais ou menos um ano que vocês incorporaram a representação da Loja dos Cruzeiros. Como é que correu o ano passado?
Correu bem, nós com a representação da Lojas dos Cruzeiros temos várias vantagens, nomeadamente termos companhias que não estão representadas em Portugal, já nas companhias mais visíveis no mercado português, uma das grandes vantagens que temos, e que o mercado tem através de nós, enquanto GSA da Loja dos Cruzeiros, é o facto de termos lugares garantidos, o que permite que o mercado tenha confirmação imediata para várias datas, através de nós.
Portanto, 2025 correu bem e tenho a certeza que 2026 vai correr ainda melhor, porque ainda há um caminho para percorrer, e isso faz parte do nosso trabalho enquanto GSA da Loja dos Cruzeiros, e para o ano estaremos a ter esta conversa com a certeza de termos concretizado o nosso objetivo para a Loja dos Cruzeiros, porque temos um grande espaço de crescimento.
Que representadas é que estão aí a bater à porta?
Estão a bater à porta. Há aqui um aspeto importante relativamente à ATR, como o mercado sabe a ATR tem conquistado várias representadas, é um GSA reconhecido e é o único GSA que não pertence a nenhum GSA global.
Portanto, quando a ATR conquista uma representada, isso tem a ver com nossas idas às feiras, é fruto do nosso trabalho, tem a ver com algumas companhias já representadas por nós, ou seja, não nos cai no colo, sem menosprezar os meus colegas de outras GSAs, o trabalho que fazemos é muito diferente, e tenho de dar mérito à empresa que represento e à minha equipa, por termos conquistado representadas muito importantes e reconhecidas em todo o mercado.
Nós não queremos companhias para encher calendários nem para dizer que representamos mais uma companhia, isso não faz parte do nosso ADN, nem temos tempo para isso, ou é uma parceria que poderá ser win-win, que nós vejamos juntamente com a representada, que temos de mercado para tal, ou então não faz qualquer sentido.
Nós não perspetivamos ter apenas um ano uma empresa, por isso fazemos o nosso trabalho de casa, traçamos um plano para melhorar cada uma das representadas que temos, porque há sempre espaço para crescer. Por exemplo a Eva Air é uma companhia recente, a Pegasus também, são companhias que têm passos para dar, juntamente connosco, em termos de crescimento.
Mais concretamente, esperam assinar com alguma empresa ainda no primeiro semestre do ano?
Espero sempre, mas do esperar ao concretizar vai alguma distância. Ninguém estava à espera e nós assinámos recentemente com um DMC que está presente em toda a Ásia, nós já tínhamos há alguns anos, a Europa Incoming como DMC, que cobre vários países na Europa, e agora estamos a diversificar o nosso produto.
É bom não esquecer que na ATR, além das companhias aéreas, além do broker de rent-a-car, a Flexible Autos, que continua a crescer ano após ano, também temos o produto de transferes, que não é, no caso dos transferes, que o mercado está a reconhecer pela qualidade, e temos o departamento de vistos, que, é mais um serviço que estamos a dar aos nossos parceiros do que pelo negócio em si.



