Guerra no Médio Oriente não arrefece desejos dos britânicos por viagens internacionais
Uma sondagem divulgada pela ABTA – The Travel Association, explora o impacto do conflito no Médio Oriente e do aumento do custo de vida nas intenções de viajam para os próximos 12 meses. Os resultados mostram que os britânicos mantêm o desejo por viagens internacionais, considerando que as férias são uma prioridade.
O inquérito realizado pela Associação Britânica das Agências de Viagens mostra que o desejo de viajar para o estrangeiro continua forte entre os britânicos, com 64% das pessoas a planear viajar para fora do país nos próximos 12 meses. Ao mesmo tempo, as férias continuam a ser consideradas como uma prioridade de gastos e mais de um terço (34%) afirma que planeia gastar mais em férias no próximo ano.
Quando questionados se precisariam de cortar nas despesas para cobrir o custo de vida, as férias continuam a ser a última coisa a ser cortada. Comer fora de casa (55%), atividades de lazer (45%) e roupa/calçado etc. (41%) são os itens que as pessoas dizem que cortariam antes das férias (33% viagens internacionais, 23% viagens no Reino Unido).
Face aos resultados obtidos, a ABTA considera que embora a intenção de viajar para o estrangeiro no próximo ano ainda exista (apesar de ter diminuído em relação aos 70% do ano passado, apresentando uma ligeira desaceleração), é esperado um forte aumento das reservas de última hora já nos próximos meses, com muitas pessoas a planearem fazer as suas reservas apenas algumas semanas antes da viagem.
Os novos dados revelam que quase um terço (30%) das pessoas que planeiam viajar durante o verão pretendem reservar as suas viagens com duas a quatro semanas de antecedência, e outros 10% afirmam que irão reservar com menos de duas semanas de antecedência.
Entre os que planeiam viajar nos próximos 12 meses, 38% adiaram a reserva das suas férias. Aguardar para ver o que acontece aos preços dos bilhetes de avião (43%) e dos pacotes de viagem (31%) e esperar para ver se o custo de vida melhora (33%) estão entre os principais motivos para o adiamento das reservas. Outras razões incluem a preocupação com o conflito no Médio Oriente (36%), que é mais relevante do que a disponibilidade de combustível de aviação (26%).
Com o custo de vida a aumentar, o preço das férias segue o mesmo ritmo, sendo o aumento de preços sugerido por 31% dos inquiridos como razão central para não reservarem férias. Além disso, 20% dos inquiridos disse que irá gastar menos nas férias a gozar nos próximos 12 meses, em comparação com 15% no inquérito anterior. A justificação dada para isso é, uma vez mais, o custo de vida, razão apontada por 54% daqueles que tencionam reduzir despesas com as férias, número que se compara com os 47% do inquérito anterior, realizado no verão do ano passado.
“A incerteza global e económica representa desafios para qualquer empresa, e o sector das viagens costuma senti-los com mais intensidade; o conflito no Médio Oriente não só teve um impacto operacional, como também afetou a confiança dos consumidores, tanto em relação às viagens como nas suas finanças”, diz Mark Tanzer, CEO da ABTA, que realça, no entanto, o facto de se manter a vontade de viajar.
Por isso, apesar de este não ser um momento fácil para o setor das viagens, devido à guerra no Médio Oriente e às sobretaxas de combustível que as companhias aéreas estão a cobrar “continuamos otimistas quanto a uma época de verão forte”, afirma.


