António Marques Vidal apela a que no apoio às empresas “deixem o burocrata de lado” e anuncia Congresso para 1 e 2 de outubro
O impacto que as tempestades na região centro do país tiveram nas empresas associadas da APECATE – Associação Portuguesa de Empresas de Congressos, Animação Turística e Eventos, foi o ponto de partida para a conversa do Turisver com António Marques Vidal, presidente desta entidade, que adiou para 1 e 2 de outubro o seu congresso em Leiria.
Como é que estão as empresas vossas associadas na região centro?
Temos todo o tipo de situações, temos empresas que não foram afetadas em nada, empresas que tiveram alguns danos, mas perfeitamente comportáveis e que a custos próprios conseguiram recuperar, e empresas que tiveram problemas estruturais bastante complexos. Mas penso que essa análise é curta, o problema é vermos em que condições ficaram, e que capacidade de operação é que elas vão conseguir ter, e aí sim, as empresas não querem tanto os apoios imediatos, querem é fortalecer-se para poderem continuar a trabalhar para superarem o ano, e isso vai ser um desafio.
Associando a isto, as condições meteorológicas não têm sido as melhores e como tal, mesmo que algumas empresas não tenham sofrido nada, estão impedidas de operar. O mar tem estado muito complicado, há caminhos que derrocaram, estradas em que a passagem está impedida, muitos fornecedores locais estão fechados, portanto vão ter que reconstruir todos os seus programas, readaptar, e depois é que podem começar a dizer que às pessoas para virem.
Essas empresas são importantíssimas no que se refere a prestar serviço aos turistas que vão para a região. Tem existido algum apoio?
Os apoios que estão programados enfermam de problemas, são demasiado generalistas, muitos deles não são apoios, são empréstimos e repare que isso já se passou no Covid. Criar mais dívida às empresas não vale a pena, e depois voltamos sempre à maldita burocracia e ao maldito problema de levantar problemazinhos e de haver dúvidas que emperram todo o sistema de acesso aos apoios.
Imagine o empresário que já tem que resolver mil coisas, e que ainda tem aturar um burocrata qualquer porque falta uma palavra, falta uma vírgula ou porque não está bem descrito … nisto é que é o mal, se há uma necessidade de apoio, apoie-se, e depois, se alguém desviou alguma coisa, tem que haver capacidade de fiscalizar e de punir, o que não podemos é estar, num momento de aperto como este, a levantar barreiras que levam as pessoas a desistir.
Há empresários que já me telefonaram a dizer que aquilo que o Estado lhes está a dar, ao nível de possíveis empréstimos, tem os juros muito mais altos do que aqueles que conseguem pessoalmente, portanto não vamos fazer isso.
De uma vez por todas, deixem o burocrata de lado e comecem a seguir os bons exemplos que houve na altura do Covid, onde houve uma medida que resultou muitíssimo bem e não teve efeitos nefastos, que foi o apoio que o Turismo de Portugal deu às empresas com efeitos imediatos, que eram entre 7 mil e 20 mil euros. Por isso, a pergunta que faço é porque não fazem agora igual’? Porque é que se está a complicar uma coisa que já devia ter sido feita? Nós já temos experiência, já vimos que deu certo, as questões dos desvios e eventuais aproveitamentos ilegais também foram resolvidas, portanto a APECATE pensa que é isto que temos que voltar a fazer.
“Neste momento já conseguimos definir uma data, vai ser nos dias 1 e 2 de outubro, e o que temos previsto, até lá, é criar pequenos eventos. Sabemos que o início de outubro não é de todo a melhor data para o nosso setor, porque coincide com a época alta para a realização de eventos, é época alta para o setor dos congressos, e é época ainda alta para o setor da animação turística, mas face à situação é o que tem de ser, porque a Leiria merece”
A APECATE viu-se obrigada a adiar o seu congresso que estava marcado para esta semana, em Leiria. Qual é o ponto da situação?
O congresso já tinha o seu programa feito, estava tudo preparado, aconteceu o que aconteceu, até existia capacidade logística nos locais onde o iríamos realizar, mas não existem, neste momento, nem condições emocionais nem condições sociais para o fazer, e então, como é de bom senso, adiámos.
Neste momento já conseguimos definir uma data, vai ser nos dias 1 e 2 de outubro, e o que temos previsto, até lá, é criar pequenos eventos.Sabemos que o início de outubro não é de todo a melhor data para o nosso setor, porque coincide com a época alta para a realização de eventos, é época alta para o setor dos congressos, e é época ainda alta para o setor da animação turística, mas face à situação é o que tem de ser, porque a Leiria merece.
Até lá, como disse, vamos construir uma série de pequenos eventos e vamos ter que retirar um dos blocos do programa que já estava montado para encaixar o programa final de apoio a Leiria, é nisso que neste momento estamos a trabalhar articuladamente com a Câmara de Leiria.
Tenho conhecimento que empresas associadas da APECATE estão a colaborar com a Câmara Municipal na ajuda. Que tipo de iniciativas estão a fazer, que características têm?
Sim porque o nosso setor é um setor operacional, sabemos organizar, sabemos pôr equipas a trabalhar, sabemos conjugar e agora, depois da grande reparação para tornar as coisas minimamente aceitáveis, é o momento dos trabalhos mais delicados, mais específicos para resolver as situações.
Pode ser desde reabrir um caminho, desde ensinar e treinar pessoas a andarem em cima de telhados, porque nós temos essa competência dos trabalhos em altura, pode ser também a realização de pequenos espetáculos que tragam e aportem pessoas para deixar mais valias na região, porque todo o nosso setor dos eventos e dos espetáculos está pensado para isso, eventualmente podemos fazer um videomapping – as ideias ainda estão a surgir, mas têm que ser encaixadas com aquilo que é fundamental.
Como é que foi o ano de 2025 para as empresas associadas da APECATE?
Foi um bom ano, como é lógico numas regiões mais do que em outras, para umas empresas mais do que para outras, mas no global foi positivo, quer no setor de congressos que subiu muito, quer no setor dos eventos, a área da animação turística também subiu, portanto, no geral foi um ano positivo, e principalmente estava a ser positivo para as áreas mais distantes dos aeroportos.
Temos este problema que a tempestade criou, mas o resto do país, e até uma parte da região centro, não foi afetada. Pensa que este poderá também ser um bom ano para as atividades que a APECATE representa?
Penso que até para Leiria, que era a região da zona centro que estava a crescer mais. Acho que Leiria também vai continuar a crescer, mas claro que não vai poder oferecer de imediato o mesmo tipo de experiências que tinha. Penso que esta guerra no Médio Oriente vai ter muito mais influência do que propriamente as alterações climáticas, as tempestades, as vagas de calor, essas nós já vamos integrando. A guerra, essa sim, pode ter influência, nomeadamente para o mercado externo, mas também para as nossas empresas, como acontece com este aumento dos combustíveis que tem impacto na nossa capacidade de funcionar. Estamos à espera para ver o que se vai passar, neste momento ninguém sabe o que se vai passar no próximo mês.


