ANAV reclama apoios imediatos e a fundo perdido para as agências afetadas pela tempestade
Um inquérito realizado pela ANAV conclui que um terço das agências de viagens, no norte e centro do país, foi afetada pela tempestade Kristin, com a maioria a indicar quebras nas vendas para o Carnaval e Páscoa. A Associação defende, por isso, que os apoios “têm de chegar já às empresas”
Os recentes temporais, com destaque para a depressão Kristin, tiveram impactos operacionais e comerciais significativos no setor das agências de viagens, com maior incidência nas regiões Norte e Centro do país, segundo um inquérito divulgado pela Associação Nacional de Agências de Viagens (ANAV).
O estudo, que considerou como válidas 31 respostas, indica que 40% das agências reportaram impacto direto na sua atividade, enquanto 32% foram obrigadas a interromper temporariamente o funcionamento.
Entre os principais constrangimentos registados destacam-se falhas de energia elétrica, interrupções nas comunicações, instalações inundadas, dificuldades de acesso às lojas e encerramentos durante vários dias consecutivos.
No total, cerca de um terço das agências de viagens enfrentou limitações operacionais imediatas, com reflexos diretos no atendimento ao público e na capacidade de resposta comercial.
Perdas nas vendas do Carnaval e efeitos na Páscoa
O desempenho comercial do setor também foi afetado, com 60% das agências a indicarem que as vendas relativas ao período do Carnaval foram afetadas, com perdas consideradas irreversíveis em muitos casos; enquanto 56% referiram que as reservas para a Páscoa estão também a ser afetadas negativamente.
“Os resultados demonstram que as consequências económicas não se limitaram ao momento da ocorrência da tempestade, projetando-se para períodos turísticos estratégicos do calendário nacional”, conclui a ANAV, sublinhando que embora o impacto não tenha sido uniforme em todo o território, “os dados apontam para prejuízos diretos e indiretos relevantes para o setor das agências de viagens, tanto ao nível da interrupção de atividade como da perda de receitas”.
Apoios “estão a tardar muitíssimo”, alerta presidente da ANAV
Miguel Quintas, presidente da ANAV, sublinha que é vital a chegada de apoios imediatos à economia: “Os apoios anunciados pelo Governo têm de chegar já às famílias e empresas, e estão a tardar muitíssimo. O anúncio de enquadrar o PRR em parte destes apoios e esperar para fazer uma avaliação profunda torna o caso aterrador, tendo em conta as experiências passadas como, por exemplo, os incêndios de Pedrogão”.
Além disto, defende Miguel Quintas, “estes apoios devem ser concedidos a fundo perdido e não através de linhas de crédito. Não queremos mais endividamento para as famílias nem para as empresas. Ninguém quer ficar com dividas para a vida. Se o objetivo é ajudar, não me parece que a melhor solução passe pelo endividamento generalizado”.
Não obstante as dificuldades, o presidente da ANAV mostra-se otimista e destaca a resiliência do setor: “Apesar dos constrangimentos operacionais e das perdas registadas, as agências de viagens demonstraram uma notável capacidade de adaptação e resistência. O setor respondeu com profissionalismo, manteve o apoio aos clientes, mesmo em condições adversas, e está já totalmente focado na recuperação das vendas e na preparação dos próximos períodos turísticos”.



