ANAV contesta narrativa de quebra no turismo português e sustenta que “há crescimento” embora “moderado e desigual”
Em comunicado divulgado esta terça-feira, a ANAV veio contestar a narrativa que aponta para uma quebra no turismo em Portugal, dizendo que ela é fruto de “uma leitura incompleta dos indicadores. Afirmando que “os dados oficiais não sustentam essa ideia”, a Associação destaca o aumento de hóspedes, dormidas e receitas no primeiro semestre de 2026.
A análise da ANAV tem por base dados do INE, Banco de Portugal e Turismo de Portugal, que demonstram que “o turismo português continua a crescer em 2026, embora de forma moderada e desigual”. Com base nesses dados, refere que no primeiro semestre, os hóspedes e dormidas de estrangeiros aumentaram 1,9%, e 0,8%, respetivamente, as receitas externas de viagens e turismo subiram 4,2%, para 12,87 mil milhões de euros, e o saldo da balança turística cresceu 3,9%, para 9,71 mil milhões de euros.
“Os dados oficiais não sustentam a ideia de que o turismo português está a cair. Há crescimento moderado e desigual, com fragilidades que exigem gestão”, afirma Miguel Quintas, presidente da ANAV, que considera essencial distinguir entre um abrandamento do crescimento, alterações na composição dos mercados e uma efetiva queda da atividade turística.
O facto de em junho as dormidas de estrangeiros terem tido evolução negativa (-0,6%) “não deve ser confundido com a evolução acumulada do setor”, tal como o aumento de preços não pode servir de justificação, até porque, considera Miguel Quintas, “existe crescimento físico da atividade, ainda que a um ritmo mais moderado”.
A evolução dos mercados é outro ponto focado: “No primeiro semestre, as receitas provenientes de alguns dos principais mercados emissores aumentaram”, com destaque para Brasil (+18,1%), Estados Unidos (+8,0%), Espanha (+7,1%), Alemanha (+4,6%) e Reino Unido (+4,4%), enquanto as de França recuaram (-5,7%), considerando a ANAV que “estes números mostram sobretudo uma alteração na composição da procura, com alguns mercados a compensarem parcialmente a evolução menos favorável de outros”.
Além disso, nos primeiros seis meses do ano, os proveitos turísticos cresceram em 8 das 9 regiões: o Alentejo cresceu 9,0%, a Madeira 8,4%, o Algarve 7,7%, o Norte e os Açores 5,6%, a Grande Lisboa 3,4%, o Centro 1,6% e a Península de Setúbal +1,1%, sendo que apenas o Oeste registou uma evolução negativa (-0,6%) - números que configuram um “crescimento desigual, mas não uma quebra generalizada”.
“A questão é perceber como podemos transformar um crescimento mais moderado numa trajetória sustentável, diversificada e mais rentável para o setor e para o país”
Reconhecendo que “Portugal está a crescer a um ritmo inferior ao observado no turismo mundial”, o que não evidencia inversão da tendência de crescimento, a Associação considera que “existem desafios que justificam atenção por parte do setor e das entidades públicas”, como a recuperação de mercados em quebra; o aumento da estada média; uma melhor distribuição da procura pelo território e ao longo do ano; e a proteção da rentabilidade das empresas do setor.
“A questão não deve ser saber se o turismo português está a cair, porque os dados acumulados não apontam nesse sentido. A questão é perceber como podemos transformar um crescimento mais moderado numa trajetória sustentável, diversificada e mais rentável para o setor e para o país”, defende Miguel Quintas.


