Analistas preveem “crescimento zero” das receitas dos hotéis nos EUA em 2025
Aumento da inflação, taxas de juro elevadas e desaceleração da economia estão a restringir as viagens dos consumidores, enquanto as viagens corporativas permanecem abaixo dos níveis pré-pandemia devido ao trabalho remoto.
O hoteleiro dos EUA está a enfrentar um ano desafiante, com as previsões a indicarem um crescimento zero das receitas para 2025, conclui a GlobalData, tendo por base a revisão das projecções efetuada pelos analistas da CoStar e da Tourism Economics que prevêem agora uma ligeira queda de 0,1% na receita por quarto disponível (RevPAR) para o ano.
Segundo a GlobalData, este ajustamento nas projecções reflete uma convergência das pressões económicas e das alterações nos comportamentos de viagem, para as quais estão a contribuir vários factores económicos, a começar pelo modesto crescimento da economia dos EUA que deverá rondar este ano 1,5%, ficando, portanto, abaixo das previsões anteriores que estimavam um aumento de 1,9%.
De acordo com os analistas, “esta desaceleração é atribuída a pressões inflacionistas persistentes, prevendo-se que o Índice de Preços no Consumidor (IPC) suba 2,9% em 2025, impactando os gastos dos consumidores e os orçamentos de viagens”.
Acresce que as elevadas taxas de juro continuam a afetar os gastos tanto do consumidor como das empresas e, mesmo podendo haver algum alivio resultante do recente corte de juros por parte da Reserva Federal (Fed) “o efeito cumulativo dos elevados custos dos empréstimos no último ano reduziu os investimentos e as despesas discricionárias, incluindo as viagens”.
Por outro lado, o setor hoteleiro está a assistir a uma mudança na procura de viagens, com as propriedades de luxo e de alto padrão a superarem os seus concorrentes de média dimensão. Significa isto que os viajantes com rendimentos elevados estão a manter os seus hábitos de viagem, optando por alojamentos premium, enquanto os hotéis de gama média estão a enfrentar uma queda na procura e margens de lucro mais estreitas.
Além disso, as viagens de negócios, uma fonte significativa de receitas para os hotéis, continuam abaixo dos níveis pré-pandemia. De acordo com os especialistas, “o aumento do trabalho remoto e das reuniões virtuais reduziu a necessidade de viagens de negócios, impactando as taxas de ocupação e as reservas de grupos”.
Perspetivas para 2026 dão conta de uma “recuperação modesta”
Olhando para o futuro, o setor hoteleiro prevê uma recuperação modesta em 2026, com projeções a indicar um aumento de 0,8% no RevPAR, com base nas expectativas de melhoria das condições económicas, incluindo um crescimento mais forte do PIB e uma estabilização das taxas de inflação.
Ainda assim, os analistas consideram que o ritmo da recuperação permanece incerto, influenciado por factores como eventos geopolíticos, alterações na confiança dos consumidores e a evolução do cenário das preferências de viagem.
Desta forma, sugere a GlobalData, os hotéis terão de se adaptar às novas dinâmicas, concentrando-se em melhorar a experiência dos hóspedes e a eficiência operacional.


