Ana Tomás responsável de reservas da Sonhando: “A redução dos destinos não afetou a relação com as agências”
Responsável pela área de reservas do operador turístico Sonhando, Ana Tomás tem agora também responsabilidades pelas áreas de contratação e programação, fruto das recentes alterações verificadas na equipa do operador. O Turisver falou com ela para saber como está a ser a adaptação às novas funções e também sobre a programação que a Sonhando tem no mercado.
Com as alterações que aconteceram na Sonhando nos últimos tempos, quais são hoje as suas funções e como é que foi a adaptação?
Atualmente estou como responsável da área das reservas e tenho também a parte da programação e da contratação. Como o nosso diretor-geral costuma dizer “sou o seu braço direito e o seu braço esquerdo”, porque basicamente tenho um bocadinho de tudo.
A nível de adaptação, não foi necessário fazer nenhuma, em particular. Fiquei bastante mais sobrecarregada com a saída de algumas colegas que tinham funções de coordenação de algumas áreas, mas em termos de trabalho não foi nada de novo.
Este ano, a Sonhando optou por colocar menos produto no mercado, por várias razões. Essa situação ajudou a compactar mais a equipe?
Essa redução da programação acabou por facilitar um bocadinho mais, face às saídas que tivemos na equipa. Com uma maior oferta de destinos seria quase impossível sermos uma equipe tão pequena.
Os destinos acabam por estar mais concentrados, quanto a voos charter temos os vários destinos na Tunísia e temos a nossa operação charter para o Porto Santo.
Depois temos os voos de linha regular, que mantemos o ano inteiro, mas a diminuição dos voos charter acabou por facilitar um bocadinho, até porque temos apenas dois destinos, apesar de a Tunísia estar separada em várias zonas. Por isso, para estes dois destinos, acabam por ser nove voos, dado que temos partidas de Lisboa e do Porto.
Esta diminuição, eu diria, sem a “cenoura” que existiu em anos anteriores, primeiro com Cuba e depois com Zanzibar, nota-se na relação com os agrupamentos ou nem por isso?
Penso que a redução dos destinos não afetou a relação com os agrupamentos nem com as agências. O que acho que afetou um bocadinho foi a saída do Fernando Bandrés, que tinha toda a parte comercial e que mantinha uma relação sempre muito ativa com esses nossos parceiros de negócio.
“Tirando a programação charters, que estamos a vender bem, um destino em que o mercado reconhece que temos uma boa oferta, e por isso vendemos muito bem, é São Tomé e Príncipe”
Que produtos é que estão a vender mais?
Tirando a programação charter, que estamos a vender bem, um destino em que o mercado reconhece que temos uma boa oferta, e por isso vendemos muito bem, é São Tomé e Príncipe.
Vendemos muito bem São Tomé, para onde apresentamos uma programação muito diversificada, abrangemos várias partes da ilha, e trabalhamos com um recetivo local que apresenta várias excursões e que faz transferes para todas as partes turísticas da ilha. Temos também contactos no Príncipe para oferecer programação de visitas à ilha, e uma colaboração com os próprios hotéis que organizam muitas visitas. Por isso, oferecemos facilmente a programação e arranjamos todos os serviços que os clientes necessitem no Príncipe.
Os clientes estão a pedir cada vez mais uns dias na ilha do Príncipe?
Cada vez mais, a procura pela ilha do Príncipe tem vindo em crescendo. Penso que é natural que esta procura esteja a acontecer, porque os clientes acabam por aproveitar estarem no país e irem conhecer outro destino. Por outro lado, aquilo que nós, na Sonhando, temos notado, é que estamos a começar a vender produtos, nomeadamente hotéis, mais económicos. As pessoas baixam um bocadinho o nível da hotelaria para conseguirem ir ao Príncipe, porque esta deslocação acaba por ter uma parte da viagem que encarece.
Então, aquilo que nós temos notado é que estamos a vender mais produtos médios, ou seja, temos mais passageiros com valores médios um bocadinho mais baixos, mas que acabam por incluir sempre a ida ao Príncipe.
Por outro lado, por aquilo que conheço da oferta hoteleira em São Tomé, o produto médio também acaba por ser aquele que tem mais a ver com a própria oferta do destino, não é?
Vendemos sempre muito a parte sul da ilha, os clientes gostam muito de ir à zona do Ilhéu das Rolas, e acabam sempre por ir visitar o Marco Geodésico por onde passa a linha que divide os dois hemisférios.
Temos uma oferta de hotelaria que abrange toda a ilha, não programamos apenas hotéis na capital, na cidade de São Tomé, temos oferta na parte norte da ilha ena zona das Roças.
As Maldivas também é um destino em que a Sonhando tem apostado. Está a vender-se bem? Continuam com o exclusivo para o resort Ecoboo?
As Maldivas é um destino que se vai vendendo praticamente ao longo de todo o ano, desde que lançámos pacotes para o Ecoboo na ilha de Thinadoo, um produto que temos vendido muito bem. As Maldivas são vendidas por muitos outros operadores, já com mais histórico que nós, mas a nossa procura pelo tipo de produto que propomos ao mercado tem aumentado.
Já temos tido também outros pedidos para outros hotéis e outras ilhas, temos vendido alguns grupos para outros hotéis, mas, maioritariamente as nossas vendas são para o Ecoboo.
Destaca mais algum destino para além destes de que falámos?
Vendemos muito bem a Guiné-Bissau, em especial o nosso programa para os Bijagós. É um destino que os agentes de viagens associam muito à Sonhando, inclusive já temos bastantes reservas para começar a próxima temporada, dado que nesta época lá é a altura das chuvas e não vendemos tanto.
Não sendo um destino propriamente barato, pelas dificuldades colocadas pela logística no próprio destino, que o acaba por encarecer o pacote, tem um nicho de clientes que procura mais aventura e o contacto com uma parte de África diferente.
“(…) as opções que oferecemos na Tunísia continental são mais completas para umas férias porque tendo belíssimas praias. os clientes podem também optar facilmente por fazer opcionais e juntar uma oferta cultural no mesmo período de férias”
Em relação à oferta charter da Sonhando para a Tunísia, têm voos à partida de Lisboa e do Porto para Djerba e para a Tunísia continental, nomeadamente para Enfidha e para Monastir. Notam diferença na procura para estes diferentes destinos?
Temos dois voos semanais para o aeroporto de Enfidha, um à partida de Lisboa e outro do Porto, e um para Monastir com saída do Porto.
Até ao dia de hoje, notamos que a procura por Djerba acaba por ser muito mais significativa do que propriamente a parte continental. Esta situação fica a dever-se aos clientes que procuram a Tunísia como um destino de praia e Djerba acaba por se identificar mais com essa ideia de praia.
Mas nós sabemos que as opções que oferecemos na Tunísia continental são mais completas para umas férias, porque tendo belíssimas praias os clientes podem também optar facilmente por fazer opcionais e juntar uma oferta cultural no mesmo período de férias.
Adiantava que esta opção dos clientes por Djerba, não tem muito a ver com o preço porque este não é muito diferente, diria mesmo que, actualmente, o preço da hotelaria em Djerba está até ligeiramente superior à da parte continental.
Em Djerba têm acontecido alguns problemas com overbookings. Na Sonhando essa situação está acautelada?
Posso afirmar que sim, dado que temos alguma hotelaria em garantia em Djerba. Já temos muitos quartos pagos, o que é uma garantia de que nesse aspeto as coisas vão correr bem.
Esta situação que prevenimos com antecedência dá-nos a segurança de garantirmos aos agentes de viagens que não vão haver problemas. Por exemplo, temos o hotel que é um dos que vendemos mais, com garantia durante o período todo da operação.
E o Porto Santo? Como é que está a procura por este destino que já é tradicional na Sonhando?
Porto Santo está a reagir mais devagar, é um destino que está com um preço médio elevado porque os preços na hotelaria estão muito elevados e o preço do pacote acaba por ser superior a outros destinos mais distantes e notamos que está a ressentir-se dessa concorrência.
Porto Santo acaba por ser talvez o destino mais próximo mas também dos mais caros. No entanto, tem algumas vantagens em relação a esses destinos, pela proximidade, pela segurança e por ser um destino em Portugal, sendo, por isso, um excelente destino para quem tem crianças.
No Porto Santo, a Sonhando trabalha com hoteleira que oferece o tudo incluído, mas também têm oferta em outros regimes?
Nós temos várias opções, desde resorts a unidades mais pequenas, desde o Tudo Incluído à APA [alojamento e pequeno almoço] mas os clientes procuram muito menos estes hotéis, preferem os que têm o regime de Tudo Incluído.
Isto acontece porque a maioria dos clientes que vai para o Porto Santo viaja em família e as famílias optam pela parte prática, que é não terem que se deslocar para encontrar um restaurante, não terem a preocupação dos horários.


