Amadine Mendonça: “Saio do Senegal com o coração cheio e a certeza de que irei vender este destino com muito mais leveza”
Amadine Mayamputo Mendonça, da agência de viagens Marranita, de Setúbal, foi uma das participantes da fam trip organizada pela Soltrópico ao Senegal, uma viagem que para ela representou não só a descoberta deste país, mas também um regresso ao continente onde nasceu, o que lhe trouxe um sabor especial, e que para o Turisver representou mais um motivo para conversar com esta agente de viagens nascida em Angola.
Por Fernando Borges
A Amadine nasceu em Angola, onde viveu até há três anos, o que leva a que a primeira pergunta seja, que sentimentos, que sensações a invadem neste seu regresso ao continente que a viu nascer?
É como voltar a casa e ser abraçada, porque África é isso, é sentirmo-nos acolhidos de todas as mais belas formas, de sabermos como somos percebidos e, principalmente, sentirmos que pertencemos a esta terra quando a ela regressamos e nela pensamos. É uma sensação única esse abraço desta terra que é enorme em sentimentos e dádiva. Quem aqui vem, sente que somos todos irmãos pela forma como somos acolhidos, e todos os que nasceram neste continente e tiveram a sorte de nele viver a infância e adolescência, nunca deixam de se identificar com ela, com a sua cultura, a sua gente, essa que aqui vive, com a sua música, o seu jeito bonito e cativante de falar, de se expressar, de rir… Ou seja, com tudo aquilo que realmente é importante para um africano e que deveria importante para todos os seres humanos.
Esta é a sua primeira vez no Senegal. O que é que mais a marcou ao longo destes dias?
Muitas coisas me marcaram, mas eu acho que a experiência mais emblemática foi, realmente, a visita à Ilha de Gorée, à “Ilha dos Escravos”, porque naturalmente, para qualquer africano, traz lembranças muito pesadas. Mas também é um lugar libertador e de reconciliação. Por isso, pelo que representa, é uma das experiências mais marcantes que eu levo daqui. Mas, claro, levo as praias, levo a simpatia, a cultura, a música, levo as cores, a simplicidade de se viver e de conviver. Levo a boa comida, a muito boa comida, a boa fruta, o calor de África, o cheiro da terra…
Claramente que há muitas coisas a melhorar, mas é tudo parte de um processo, pois as coisas não acontecem da noite para o dia. E nota-se que já há muito a ser feito, tendo como exemplo a aposta que está a ser feita na segurança, que neste momento se sente, o que é muito importante para o turismo deste país.
Resumindo, saio daqui bem marcada de belas sensações, saio daqui com a convicção de que o que importa não é o que se traz para cá, mas sim o que se leva, o que este povo, que não perdeu a sua identidade, nos dá, a começar pela tal “teranga”, que tem como significado o “saber receber”, o receber da terra, da Mãe África, com alegria, comunhão e responsabilidade.
E obrigatoriamente tenho que dizer que esta experiência ainda se tornou mais enriquecedora porque foi partilhada entre um grupo de profissionais do turismo, de outros colegas agentes de viagens que também vieram à descoberta deste lugar, num espírito de envolvimento marcado pelo interesse comum da descoberta e de aprendizagem, assim como foi muito importante termos tido como guia local o experiente e conhecedor Boubacar.
“Como agente de viagens, estou muito feliz com esta experiência porque uma coisa é ler livros, percorrer catálogos, ver fotografias e não vivenciar aquilo que o próprio cliente pode fazer, e outra é ser portadora de experiências que se entregam nos braços do cliente”
Como agente de viagem, que importância teve esta fam trip?
Teve uma enorme importância. Conhecer o destino, saber aquilo que se vai oferecer ao cliente, passar-lhe as experiências vividas na primeira pessoa e o que está ao seu alcance. É importante para que também possamos assegurar que o cliente tenha realmente umas férias inesquecivelmente positivas, dignas, com consciência, tranquilidade e segurança.
Como agente de viagens, estou muito feliz com esta experiência porque uma coisa é ler livros, percorrer catálogos, ver fotografias e não vivenciar aquilo que o próprio cliente pode fazer, e outra é ser portadora de experiências que se entregam nos braços do cliente. Com esta fam trip, eu saio daqui de coração cheio e com a certeza de que estou realmente preparada para poder oferecer aos nossos clientes as melhores sensações e vibrações que podem sentir quando aqui chegarem.
Das diversas excursões que fizemos, quais são aquelas que irá recomendar aos seus clientes?
Para além da Ilha de Gorée, que obviamente é obrigatória, eu acho que o passeio de canoa pelo delta do rio Saloum, a visita a Fadiouth, ou Ilha das Conchas, à sua capital, a Dakar, às zonas mais rurais e às suas aldeias tradicionais Serer, permitindo um maior envolvimento e conhecimento de um Senegal mais ancestral, mais genuíno, e o safári na reserva de vida selvagem de Bandia, são também programas obrigatórios.
Tudo depende do próprio cliente, do que ele pretende fazer, competindo a nós ajudar e complementar o que ele tem na ideia, apresentando propostas baseadas no que aqui vivemos. E esta foi sem dúvida uma experiência que muito me irá ajudar, com muito mais leveza, a vender este destino. E sem dúvida que fiquei muito satisfeita por ouvir falar português nos diversos hotéis, por encontrar tantos portugueses que escolheram o Senegal para as suas férias, tanto casais como famílias. E isso é muito bom, quer para o turismo do Senegal como para as agências de viagens portuguesas.
Este é um destino que aposta igualmente na oferta hoteleira. Entre os diferentes hotéis que visitámos quais serão os mais indicados para o turista português?
Na minha opinião, sem dúvida que para o gosto dos portugueses, o Riu Baobab é o que melhor se enquadra, um cinco estrelas familiar com o sistema Tudo Incluído de que os portugueses tanto gostam, com uma boa relação preço/qualidade, com uma vasta oferta de entretenimento, piscinas e localizado em cima da praia. Mas para mim a melhor aposta é o Royal Horizon Baobab, um ótimo resort de quatro estrelas, também em Tudo Incluído, em cima da praia e composto por piscinas e bungalows que se espalham entre jardins e palmeiras ao longo do areal da praia, transmitindo uma africanidade harmoniosa do lugar onde estamos.


