Alexandre Marto confirmou ao Turisver que 2025 “foi o melhor ano de sempre” para a United Hotels of Portugal
Constituída por empresas portuguesas que têm e operam hotéis independentes, a United Hotels of Portugal conta já com 10 unidades no seu portefólio, dada a recente integração do Grande Hotel de Luso. Na FITUR, o Turisver falou com Alexandre Marto, CEO da United Hotels, para fazer o balanço de 2025, olhar para 2026 e falar do Lumen Porto que tem abertura prevista para 2027.
O trabalho que vocês desenvolveram no ano passado, na United Hotels of Portugal, centrou-se em que mercados?
Nós continuamos a ter uma lógica de grande diversificação. Como a origem do grupo é Fátima, e Fátima é um dos destinos portugueses com maior nível de globalização, temos contactos em praticamente todos os continentes, e portanto, continuamos a desenvolver os contactos nos locais onde habitualmente fazíamos promoção.
Por isso, fomos mais uma vez ao Canadá, aos Estados Unidos, somos associados da USTOA [Associação de Tour Operadores dos EUA], nos Estados Unidos, somos associados da NTA [National Tour Association, América do Norte], que aliás fez um grande evento em Otava, no Canadá, mas vamos também à América do Sul, principalmente ao Brasil, que é o primeiro mercado sul-americano de todos os locais onde temos hotéis, e à Europa, mas estamos a dar muita atenção à Ásia. Contratámos uma pessoa para nos representar na China mas que a partir dali fará outros mercados asiáticos, portanto, estaremos este ano em Singapura, por exemplo, na ITB Ásia, vamos à Coreia todos os anos, e estamos a dar muita atenção à atenção à China.
A diversificação da promoção é a vossa aposta? Aquilo que poderíamos traduzir na expressão “não colocar todos os ovos no mesmo cesto … “?
Exato, porque o mundo está mais perigoso, é multipolar, os polos de maior crescimento já não estão na Europa, estão na América, mas principalmente na Ásia. Se olharmos para os números do tráfego aéreo e para o número de pessoas que estão a viajar pela primeira vez, claramente é da Ásia que estão a sair, e ainda que a Ásia, do ponto de vista estatístico, não seja hoje muito relevante para Portugal, acreditamos que a médio prazo vai ser extremamente relevante. No nosso caso já o é, nomeadamente com o mercado coreano, e de uma forma menos impactante com mercados como o Vietname, as Filipinas e a Índia.
Portanto, a ideia é diversificar a promoção, tentar manter canais abertos com o maior número possível de clientes em todo o mundo e isso necessariamente envolve um esforço financeiro brutal. Não apenas financeiro, mas principalmente humano. Precisamos de ter uma equipa que esteja permanentemente preparada para viajar pelo mundo inteiro, precisamos de recursos económicos para poder fazê-lo e essa é a essência do grupo: que os diversos hotéis não tenham que fazer um esforço de forma isolada, que tornaria isso impossível ou economicamente inviável, mas que possam colocar recursos num único veículo que possa fazer esta promoção em todo o mundo e que depois alavanque essa promoção com tecnologia e com uma central de reservas bem preparada.
“No caso do Grande Hotel de Luso é que as coisas são um bocadinho diferentes. Nós vamos entrar, essencialmente, na promoção, porque foram eles próprios que identificaram esta área como sendo aquela em que poderia haver mais sinergias”
O volume de negócios canalizado pelas vossas ações para os hotéis que representam, é quantificável?
Isso é um bocadinho redundante porque nós não somos apenas uma central de promoção, somos também uma central de vendas, o que significa que todas as reservas, quer sejam por operação de grupos, mas também a própria distribuição eletrónica e até a própria gestão do revenue, são feitas por nós. Portanto, quando pergunta se é quantificável, é praticamente 100%. Só os walk-ins é que não são geridos por nós, todo o resto é gerido por nós, a partir do escritório central.
No caso do Grande Hotel de Luso é que as coisas são um bocadinho diferentes. Nós vamos entrar, essencialmente, na promoção, porque foram eles próprios que identificaram esta área como sendo aquela em que poderia haver mais sinergias.
O Grande Hotel de Luso tem muito mercado nacional, não é?
Exato. Eu penso que o objetivo do Hotel do Luso é exatamente começar a ter uma maior exposição internacional. Como eu disse há pouco, é difícil dar estes passos de uma forma solitária e daí eles juntarem-se a nós.
O ano passado, o vosso volume de negócios aumentou?
Sim, foi o melhor ano de sempre. Agora, não sei se em 2026 será assim. Este mês de janeiro já está a claudicar, claramente sentimos que estamos num planalto, sentimos que há medo no ar e esse medo nasce essencialmente de duas razões.
A primeira é o facto de o aeroporto de Lisboa estar esgotado, acho que é um lugar-comum, dizê-lo, e isso significa que vai haver muita dificuldade em equilibrar a procura com a oferta crescente que vem aí. E em segundo lugar, tem a var com a situação internacional. Ninguém sabe exatamente o que é, espero que isto não se transforme num “rinoceronte cinzento”, porque toda a gente acha que vai acontecer qualquer coisa, mas ninguém sabe o que é que há de fazer, porque isto é altamente imprevisível.
“ … como somos um país mais irrelevante no contexto internacional, um país que é visto como seguro e com raízes muito fortes, com mercados como o brasileiro, com mercados como o norte-americano, mas também até com a Ásia, de uma forma mais forte que outros destinos, tenho de esperança em que Portugal continue a singrar no seu posicionamento”
Há o receio de que a situação possa piorar?
Exatamente, porque se existir de facto uma tensão geopolítica entre a Europa e os Estados Unidos, pode acontecer que a procura americana pela Europa caia. Apesar de tudo, como somos um país mais irrelevante no contexto internacional, um país que é visto como seguro e com raízes muito fortes, com mercados como o brasileiro, com mercados como o norte-americano, mas também até com a Ásia, de uma forma mais forte que outros destinos, tenho de esperança em que Portugal continue a singrar no seu posicionamento.
Esperam ter mais unidades hoteleiras a entrar para o grupo ainda este ano?
Não, não estamos a falar agora com ninguém, estamos com o projeto do Porto, se houver algum contacto, temos imenso gosto em propor essa adesão, porque pode fazer sentido, mas não estamos ativamente à procura.
Penso que a obra do projeto do Porto já arrancou, é assim?
Sim, a obra já está em andamento, vai ser um projeto icónico, uma unidade hoteleira com 158 quartos, mas acima de tudo vai estar implantada junto a um jardim com meio hectare, daí o nome do hotel ser Lumen Porto Hotel and the Magical Garden. O jardim vai ser uma fusão do conceito que temos no Lumen em Lisboa com o jardim que já existe e, portanto, vai ser uma fusão entre a natureza e a tecnologia, com projeção de mapping, com projeção tecnológica e com som, e com um percurso sensorial dentro desse jardim, entre os diversos blocos que constituem o hotel.
Esses blocos nascem da necessidade de respeitar pré-existências que eram compostas por um palácio, um pequeno palacete, que vai albergar os nossos quartos de ultra luxo, os Palace Rooms. Depois temos um edifício que já foi um teatro, a que vamos chamar Theater, que será usado para eventos, e temos um bloco de apartamentos vocacionado para estadas mais longas e para famílias. Teremos ainda um bloco de quartos SPA, quartos que chamaremos de Indulgent SPA, que terão ligação direta ao SPA e com ambiente de wellness nos próprios quartos e, finalmente, no bloco central, os Porto City Rooms, que serão os quartos mais estandardizados do hotel.
Este conceito de ter vários produtos integrados num ambiente natural, mas com uma experiência sensorial e tecnológica, acho que vai ser completamente diferente na cidade do Porto, até porque o que se pretende é que o próprio espetáculo em si, o ambiente do jardim, seja um elogio à cidade.
Qual é a empresa que vai fazer a gestão da unidade?
A mesma que faz a gestão do Lumem em Lisboa, a ARFH Hotels, que é uma fusão entre os interesses da Fátima Hotels e do Grupo Alves Ribeiro.


