Airmet Summit: Miguel Quintas incentiva os agentes de viagens a olharem o seu negócio com perspetiva “crítica” e “fora da caixa”
Na sessão de abertura do Airmet Summit 2026 que decorre no México, Miguel Quintas, chairman da Airmet, falou sobretudo do poder gerado pelo conhecimento, ou seja, do mote do próprio Summit, “Expertise is Power”, para deixar claro que o conhecimento gera oportunidades e permite a adaptação a um mercado em constante mudança.
Para exemplificar, começou por lembrar a história do conquistador espanhol Hernán Cortés que em 1519 chega ao México com um exército de apenas 500 soldados para conquistar um território com cerca de 30 milhões de pessoas. Acaba por consegui-lo porque uma das mulheres oferecidas como escravas pelos chefes locais aos espanhóis como símbolo de paz falava asteca, conhecia o território, as tribos, os costumes, tornando-se intérprete de Hernán Cortés, para conseguir falar com as tribos locais. Este conhecimento permitiu que Cortés dominasse o território e retirasse o trono àquele que era o imperador da região.
O pedaço de história lembrado por Miguel Quintas tinha um objetivo: fazer um paralelo com a importância que o conhecimento assume nos dias de hoje e o empoderamento que ele dá a quem o tem. Estava, assim, dado o pontapé de saída para a abordagem do tema do Summit Airmet: “Expertise is Power”. O que se passou há mais de 500 anos, disse, dirigindo-se aos agentes de viagens “não é diferente daquilo que se passa no nosso dia-a-dia, não é diferente do nosso denominador comum, “Expertise is Power”, ou seja, o conhecimento é poder, e é isso que queremos fazer durante esta semana, mas mais do que o consigam levar para casa”
O chairman da Airmet desafiou os agentes de viagens a refletirem sobre a importância do conhecimento para o desenvolvimento do seu negócio: “Quando nós olhamos as nossas vidas profissionais, em que temos as nossas dificuldades, ou porque alguém vende mais barato, ou vende online, ou porque agora vem inteligência artificial, ou porque o cliente agora sabe mais do que nós, ou só procura preço e nós não conseguimos entregar valor, ou porque agora é a legislação, ou porque agora é o aumento do jet fuel, quem tiver conhecimento, quem souber mais do que os demais, tem uma oportunidade”, defendeu, afirmando que “quanto maior for o nosso conhecimento, maiores as nossas oportunidades”.
Por isso, a ambição de Miguel Quintas é que os agentes de viagens levem deste Summit mais conhecimento para poderem olhar os negócios “com uma perspetiva diferente, mais crítica, mais fora da caixa”. Uma nova perspetiva que permita pensar que o e dizer que “não é, de facto, o mais forte” mas “não por haver grandes companhias concorrentes que ganham o nosso negócio, não por haver grandes companhias aéreas que querem o nosso negócio, não por haver grandes onlines que ganham o nosso negócio” nem sequer “por haver operadores que nos cancelam o contrato que ganham o nosso negócio” mas sim “por haver capacidade, conhecimento e ser resiliente o suficiente para quando chegarmos ao nosso cliente, quando chegarmos à nossa agência de viagens, utilizar melhor esse conhecimento que todos os demais”.
Porque é através do conhecimento que se chega à mudança, Miguel Quintas deixou ainda uma certeza: “Se nós conseguimos interpretar o mundo antes dos outros, se nós tivemos esse tal conhecimento, essa tal formação, e formos verdadeiramente mais capazes, conseguimos adaptar-nos mais depressa, e liderar com a coragem de poder mudar”.
Agências têm que começar a “olhar para dentro para perceber como é que, num universo tão vasto, nós podemos ser diferentes” – Susana Fonseca

Também na sessão de abertura, Susana Fonseca, diretora-geral da Airmet, começou por agradecer a presença dos agentes de viagens no evento, e sublinhando que “pela segunda vez conseguimos trazer um grupo de 40 diretores de agências associadas a mais um destino das Caraíbas”.
Dirigiu, também, um agradecimento ao Grupo Ávoris: “Desde o primeiro dia que nós abordámos a Ávoris para saber se teriam interesse em fazer connosco esta segunda edição do Airmet Summit, não houve dúvidas da parte deles”, referiu. Os agradecimentos da Airmet estenderam-se, também, à cadeia Hyatt, em cujos hotéis decorrem as atividades do Summit.
Depois de detalhar o programa das sessões dos dois dias de trabalhos do Summit, a diretora-geral da Airmet lançou uma “reflexão conjunta” à plateia sobre o papel que as agências de viagens têm no mundo atual. Começando por lembrar que no Turismo de Portugal estão atualmente registados “cerca de 1.500 RNAVTs”, mas a este número de 1.500 agências há que juntar ainda os “”ene” consultores de viagens que vêm juntar-se à nossa área de negócio”, o que torna imprescindível que as agências comecem a “olhar para dentro para perceber como é que, num universo tão vasto, nós podemos ser diferentes”. Ou seja, porque é que um cliente há de escolher comprar a sua viagem num local em vez de outro.
“Há 20 anos, o cliente quase obrigatoriamente tinha de recorrer às agências de viagens, porque a oferta era muito reduzida. Hoje em dia, o cliente precisa de internet e, em 20 minutos, vai à Booking.com e faz a reserva do hotel, vai à eDreams, ao Google e por aí fora, e faz a compra dos serviços turísticos que entender”, frisou.
Por isso, disse, “a pergunta que temos que nos colocar numa base regular é esta: se hoje em dia qualquer pessoa pode fazer a reserva de serviços turísticos, porque é que ainda precisa de nós?”. Às respostas da plateia que focaram a experiência, o conhecimento e o acompanhamento, Susana Fonseca acrescentou: “porque o cliente tem medo de errar”, porque o excesso de opções gera insegurança.
“O problema de hoje em dia é o excesso de informação e de acesso à mesma que acabam por ter”, disse Susana Fonseca, defendendo que os clientes procuram as agências de viagens principalmente pelo “serviço de consultoria que poderão dar”.
O Turisver acompanha o Airmet Summit, no México, a convite da Airmet



