AHETA pede suspensão do sistema EES no aeroporto de Faro durante o verão
A AHETA enviou uma carta ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, e aos responsáveis pelas pastas da Economia e do Turismo, em que manifesta a “mais profunda apreensão” face à implementação do novo sistema europeu de controlo de fronteiras, e pede a sua suspensão no aeroporto de Faro de junho a setembro.
Este sistema, que resultou de um acordo entre 29 países do Espaço Schengen, começou a ser testado em outubro do ano passado e tem a sua operabilidade total prevista para o próximo mês de abril, coincidindo com o arranque da época alta no Algarve.
O objetivo é evitar a replicação, no aeroporto do Algarve, das “filas monumentais” que aconteceram já em 2025 em diversos aeroportos europeus, nomeadamente no Aeroporto de Lisboa, o tendo o Executivo sido forçado a suspender a aplicação do EES por três meses, no final do ano passado “para evitar o colapso da operação e repor a normalidade no fluxo de passageiros”.
Na carta enviada ao Governo, a AHETA – Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, chama a atenção para o facto de o mercado do Reino Unido, que representa mais de 50% do tráfego no Aeroporto de Faro entre abril e outubro, ser externo ao Espaço Schengen, pelo que está totalmente sujeito aos novos controlos, o que poderá agravar a situação.
A Associação alerta que o esforço contínuo de diversificação de mercados, que tem trazido resultados muito positivos na captação de turistas provenientes dos Estados Unidos e do Canadá, “poderá ser severamente comprometido, uma vez que estes passageiros de longo curso também enfrentarão as mesmas barreiras burocráticas à chegada”.
Assim, e após uma reunião com a direção do Aeroporto de Faro, a AHETA manifesta “o seu profundo receio de que as perspetivas para o verão de 2026 sejam assustadoras, antevendo-se um cenário de congestionamento agravado que poderá superar o caos vivido em anos anteriores, resultando em danos irreparáveis para a reputação e imagem do Algarve enquanto destino turístico de excelência”.
Perante este cenário, a AHETA insta o Governo a seguir as recomendações da ABTA (Associação Britânica de Agentes de Viagens) e a aplicar, na sua máxima extensão, as medidas de contingência previstas pela União Europeia.
“A exigência central da associação passa pela suspensão temporária do sistema EES no período compreendido entre 1 de junho e 30 de setembro, garantindo que o pico da procura turística não seja marcado por esperas de várias horas e protestos massivos de passageiros e operadores”.
Ao mesmo tempo, a AHETA pretende o “reforço urgente de meios humanos e de pontos de controlo eletrónicos junto da ANA Aeroportos e das autoridades de fronteira, defendendo que é imperativo fazer tudo o que estiver ao alcance do Estado e das instituições para minimizar as dificuldades de quem visita o país”.
“A hospitalidade portuguesa é incompatível com as imagens de filas intermináveis, sendo fundamental proteger a rentabilidade das empresas e a qualidade da experiência turística que define a região”, afirma ainda a AHETA.


