Afetada pelas tensões geopolíticas hotelaria no Médio Oriente ensaia planos de contingência
Encerramentos do espaço aéreo, cancelamentos de voos e alertas de viagens estão a provocar grande declínio no setor hoteleiro da região do Médio Oriente, adverte um artigo publicado pela plataforma de big data Mabrian. Entretanto, os hoteleiros já elaboram planos de resposta a crises.
De acordo com a análise publicada, o mercado hoteleiro do Médio Oriente começou a enfrentar pressão imediata após os ataques de 28 de fevereiro terem provocado uma ampla perturbação das viagens em toda a região do Golfo. As suspensões de voos, os encerramentos do espaço aéreo e as crescentes preocupações com a segurança reduziram as chegadas internacionais, afetando diretamente a ocupação hoteleira e as receitas do turismo em destinos importantes na região, como Dubai, Abu Dhabi e Doha.
Das consequências imediatas para as futuras, a análise publicada pela plataforma avança que estão a ser reportados cancelamentos de reservas ao mesmo tempo que as reservas para o futuro estão bem abaixo do que deveriam estar nesta altura do ano, com os analistas de mercado a explicarem que o impacto negativo abrange tanto o segmento de lazer como o de negócios.
A escalada ocorreu após uma ação militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra alvos no Irão. Ataques de retaliação em partes do Golfo levaram ao encerramento temporário de aeroportos e à interrupção operacional nos Emirados Árabes Unidos e no Qatar.
As principais companhias aéreas internacionais suspenderam ou redirecionaram voos para a região, com o tráfego de passageiros internacionais a cair drasticamente, sendo que “o mercado hoteleiro do Médio Oriente, que depende fortemente dos passageiros em trânsito internacional e dos visitantes de longa distância, registou uma queda imediata nas taxas de ocupação”, sublinham os especialistas.
Hoteleiros elaboram planos de contingência e adotam procedimentos de resposta a crises
Diversos governos emitiram alertas de viagem atualizados para partes do Médio Oriente, que influenciaram a cobertura de seguros e as políticas de viagens corporativas, limitando ainda mais as reservas.
Os hoteleiros relatam que os cancelamentos aumentaram poucas horas após as restrições do espaço aéreo. As viagens de negócios diminuíram à medida que as empresas reveem as diretrizes de segurança e os viajantes de lazer adiaram ou redirecionaram as suas viagens para destinos alternativos fora do Golfo.
A confiança no turismo é altamente sensível ao risco geopolítico. Mesmo a incerteza a curto prazo pode reduzir as reservas futuras para hotéis, e as perspetivas dependem da estabilidade, pelo que os analistas do setor afirmam que a duração da recessão dependerá da rapidez com que os voos normalizem e as tensões regionais diminuam.
Até lá, os grupos hoteleiros com presença significativa nos Emirados Árabes Unidos e no Qatar estão já a rever o controlo de custos, a ajustar as previsões de receitas de curto prazo e a reforçar o planeamento de contingência e os procedimentos de resposta a crises.


