Aeroporto de Lisboa: “Vamos ter que viver com as infraestruturas que temos”, afirma Carlos Abade
Num almoço promovido pela AHP, o presidente do Turismo de Portugal falou do crescimento turístico do país em 2023 e da previsível continuação em 2024. Confrontado com a falta de capacidade do Aeroporto de Lisboa afirmou que “temos que viver com as infraestruturas que temos” e “trabalhar com os outros aeroportos”.
Num almoço com hoteleiros promovido esta segunda-feira pela Associação da Hotelaria de Portugal , Carlos Abade fez o balanço do ano turístico de 2023 e deixou clara a perspetiva de que o ano que agora se inicia será também de crescimento nos vários indicadores. Face a estas previsões, Raul Martins, administrador da Altis Hotels questionou o presidente do Turismo de Portugal sobre como será possível continuar a crescer em passageiros / turistas quando o aeroporto de Lisboa não tem capacidade de resposta.
Respondendo a Raul Martins, Carlos Abade começou por afirmar que “é urgente e é premente resolver a questão do Aeroporto de Lisboa”, sublinhando, no entanto, que há que combinar “uma decisão urgente com uma decisão inteligente”, o que “não vai fazer com que tenhamos amanhã uma infraestrutura aeroportuária nova”. Por isso, acrescentou, “vamos ter que viver com as infraestruturas que temos”.
Neste âmbito chamou a atenção para o facto de, ao falar-se em crescimento, não se falar apenas de Lisboa, “estamos a falar de todo o país”, motivo pelo qual “estamos a trabalhar co todas as companhias aéreas e com todos os aeroportos. Todos os aeroportos do país, incluindo o de Lisboa, têm capacidade de crescimento”, afirmou o presidente do Turismo de Portugal, fazendo notar que “se assim não fosse, nós não assistiríamos ao aumento do 8% de passageiros em Lisboa face a 2022”.
“Trabalhar com todos os aeroportos” e “gerir de forma cada vez mais inteligente e eficiente as infraestruturas que temos” e “fazer os investimentos que têm que ser feitos para garantir que haja espaço para continuarmos a crescer no Aeroporto de Lisboa enquanto não tivermos um novo” foram os caminhos apontados por Carlos Abade.
Sobre a possibilidade de colocar a funcionar o aeroporto do Montijo até que Lisboa seja servida por um novo aeroporto, o que demorará pelo menos 10 anos, Carlos Abade não quis pronunciar-se, referindo apenas que “quando fixámos, em 2021, o valor de 27 mil milhões de euros [de receitas turísticas] a atingir em 2027, fixámo-lo sabendo aquilo que eram as limitações do Aeroporto de Lisboa (…) e quando dizemos que estamos a 7% de atingir esses 27 mil milhões, também estamos a ter em conta que em 2024 não vamos ter uma infraestrutura nova”. Assim, reafirmou, “precisamos de apontar para o crescimento em todo o país e para uma melhor eficiência da infraestrutura aeroportuária de Lisboa”.


