A vasta programação para 2025 e a importância dos agentes viagens para a Solférias, em conversa com Sónia Regateiro
Das operações charter aos voos regulares, Sónia Regateiro, Chief Operating Officer da Solférias, faz ao Turisver uma apresentação detalhada de toda a programação do operador para 2025, colocando grande destaque nas grandes viagens, segmento em que a Solférias pretende afirmar-se também no mercado. As ilhas portuguesas, o Viagens na Minha Terra, o Brasil e a Disneyland Paris entraram também na conversa.
Normalmente, os resultados de um ano servem de base para a programação do ano seguinte. Face aos resultados do ano passado, quais foram as alterações fundamentais que fizeram para 2025?
São bastantes. Para a Tunísia aumentámos largamente a nossa capacidade a nível de oferta de voos, porque foi um destino que o ano passado vendeu cerca de 6.000 passageiros e notámos que estava com uma penetração bastante interessante no mercado, porque é de médio curso, o tempo de voo não é muito – são 5 horas, aproximadamente -, é um destino onde a qualidade hoteleira está a crescer e oferece efetivamente o produto pelo qual o cliente paga, ou seja, não defrauda a expectativa do cliente.
Este ano temos uma alteração a nível da Tunísia que é o facto de ter passado a ser obrigatório o passaporte, o que pode criar aqui alguns constrangimentos na venda, mas face à performance que tivemos em 2024, tínhamos que aumentar exponencialmente a nossa oferta para este destino, não só com o aumento de capacidade aérea para Djerba, mas também com a colocação de mais 2 voos na parte continental.
Este ano vamos ter 2 novos voos, de Lisboa e Porto para Enfidha para explorarmos uma zona hoteleira que não explorávamos desde Monastir, nomeadamente Hammamet Yasmin, porque voar para Monastir era o mesmo que estar a vender um voo de 3 / 4 horas e depois o cliente tinha um transfere de hora e meia e sentia-se defraudado, pelo que era um produto que não gostávamos de vender no voo para Monastir.
Abrimos Enfidha, para conseguirmos também dar uma nova panóplia de produto ao mercado. Além disso, continuamos a apostar em ter lugares em garantia com a Tunisair para o voo de Tunes, que nos permite também explorar a Tunísia mais cultural para aqueles clientes que também gostam de ir a Sidi Bou Said, a Cartago, conhecer a vida da capital e isso cria uma nova envolvência.
Para Djerba também aumentaram a oferta?
Aumentámos, colocámos mais um voo para Djerba, vamos ter quatro voos, dois de Lisboa e dois do Porto, sendo que a novidade é que de Lisboa vamos começar a voar na Páscoa, no dia 5 de abril, e vai ser operação contínua até final de setembro, quando antes fazíamos duas operações na Páscoa e depois parávamos para recomeçar em junho, mas este ano, como a Páscoa é um pouco mais tarde, não vamos parar.
A grande novidade da Solférias em 2025 é a operação charter para a Costa Norte do Egito
Mas é para o Egito que surge uma novidade na programação da Solférias ?
Outro destino em que reforçámos a nossa presença foi o Egito, porque o ano passado, quando lançámos Hurghada, quer de Lisboa, quer do Porto, havia algum receio no mercado por causa da guerra na aixa de Gaza, só que no fim as pessoas aperceberam-se que efetivamente não havia problemas porque Hurghada é muito distante da faixa de Gaza, é como a distância de Lisboa a Valência, por exemplo, e a operação correu muito bem, ou seja, tivemos dificuldades no arranque mas no fim foi uma operação de sucesso.
Por isso, lançámos este ano uma nova operação para a Costa Norte, para El Alamein, à partida do Porto, porque é impossível viabilizar slots de Lisboa. Trata-se de uma zona completamente diferente, uma vez que a Hurghada é Mar Vermelho e El Alamein é Mediterrâneo, tem praias de areia branca, mar azul turquesa, sem ondulação e mais quente.
É uma zona que tem uma hotelaria de elevada qualidade, e até notamos isso pela diferença de preços entre a Costa Norte e Hurghada, os hotéis são de um nível um bocadinho acima, e abre a possibilidade daquele cliente que já foi a Hurghada e que até teve a possibilidade de visitar Luxor, mas que não quis ir ao Cairo, porque ficava a 8 / 9 horas de autocarro, ir agora fazer uma zona de praia diferente no Egito, e fazer uma visita ao Cairo que fica a quatro horas de distância de El Alamein. Ao lado temos Alexandria, que que foi a última capital faraónica da Cleópatra e é uma visita bastante interessante.
Portanto, para o Egito vão fazer quantos voos?
Para Hurghada vamos manter os dois voos que fizemos o ano passado, um á partida de Lisboa e outro do Porto, para a Costa Norte é que vamos fazer apenas do Porto.
Na vossa programação charter vão manter o Senegal?
Vamos manter os voos para o Senegal, um de Lisboa e outro do Porto. A operação à partida de Lisboa vai ser feita com lugares em firme com a TAP. Por causa da inviabilização de slots de Lisboa, tivemos que optar, ou seja, não reduzimos o risco, porque mantivemos o mesmo número de lugares do charter, mas dentro do voo regular da TAP. E em vez de ser à segunda-feira, assumimos o risco ao sábado, que consideramos ser um dia mais nobre, pelo que vamos voar de Lisboa aos sábados e do Porto, em charter com o avião da Privilege, às segundas-feiras, sendo que tanto a operação de Lisboa como a do Porto vão começar dia 2 de junho.
Saidia é o único destino em que a Solférias vai reduzir a sua operação charter
E quanto a Saidia?
Para Saidia vamos reduzir a operação. Mantemos o produto porque achamos que continua a ser vendável e em 2024 não sentimos grande impacto a nível de reclamações. É um produto de baixo custo e muitas famílias sentem-se agradadas, principalmente os clientes que procuram a Iberostar, porque têm uma equipa de animação brasileira e há a aproximação da língua. No entanto, reduzimos um voo do Porto, ou seja, vamos ter um voo do Porto e outro de Lisboa, a partir do início de junho até setembro.
Depois, a nível das outras operações charter, continuamos com o Porto Santo, também a partir do Porto, à segunda-feira, como a Air Horizont. De Lisboa, é exatamente o mesmo caso do Senegal, tivemos que assumir lugares em risco com a TAP, à segunda-feira, na mesma proporção dos lugares que tínhamos no charter, para manter o voo de Lisboa. O risco está concentrado, porque o Porto Santo, além de tudo, tem a dificuldade da hotelaria e se não concentramos as vendas no mesmo dia da semana, há descompensação e ficamos sem quartos. Ambas as operações começam no dia 2 de junho e a última partida é dia 29 de setembro.
“… a Solférias tem nome no mercado, é reconhecida pelo cliente final até, tem a sua notoriedade de marca, mas é sempre muito associada a sol e praia, a produtos charter e nós temos uma equipa de grande qualidade nas grandes viagens”
Além dos charters, a Solférias tem uma grande oferta em voos regulares. O que é que destaca para este ano?
Gostava de dar um destaque às grandes viagens, porque a Solférias não tem uma marca própria ou independente de grandes viagens. O mercado reconhece muito a Solférias, também pelo esforço que foi desenvolvido ao longo dos anos, temos um nome no mercado, reconhecido até pelo cliente final, temos notoriedade de marca, mas somos sempre muito associados ao sol e praia, a produtos charter e nós temos uma equipa de grande qualidade nas grandes viagens porque apostamos muito na formação do nosso staff.
A maior parte das pessoas que estão neste produto conhecem os destinos, porque nós investimos nisso. Temos o Filipe Silva, que é supervisor das grandes viagens, que não há um destino que ele venda que não tenha conhecimento pleno do mesmo. Pode falar-se sobre Vietname, Tailândia, Maldivas, Maurícia, Seychelles, e ele sabe responder, o que acontece também com a nossa equipa de longo curso. Por isso gostava de dar um grande destaque às grandes viagens, que é um setor em que temos crescido bastante e acho que podemos crescer mais.
Temos tido um travão de desenvolvimento a nível tecnológico, porque precisamos que o nosso site se torne mais flexível na parte da escolha do agente de viagens, de poder fazer combinados, escolher hotel, tipo de quarto, independentemente de não ser uma coisa fechada, como está aos dias de hoje, que podemos escolher sete ou cinco noites, mas não mais do que isso. Já andamos a trabalhar nesse desenvolvimento informático há cerca de ano e meio, e esperamos que até ao final de janeiro venham as primeiras demos para começarmos a fazer testes. Aredito que a partir do momento que consigamos implementar os pacotes flexíveis no que toca ao produto de longo curso e de combinados, podemos dar um salto muito grande e ser mais um elemento facilitador para o agente de viagens.
A Soférias preza muito o papel do agente de viagens, dependemos do agente de viagens para continuarmos a ter sucesso, porque não temos venda direta nem isso está nos seus planos, nem temos formação adequada para lidar com o público final e queremos ser sempre um facilitador no dia a dia do agente de viagens. Esse será sempre o nosso papel, por isso procuramos ter ferramentas tecnológicas que permitam ao agente de viagens ser cada vez mais autónomo, dar uma resposta cada vez ter mais rápida ao seu cliente, tendo sempre por trás o apoio e o conhecimento da Soférias.
Com essas melhorias tecnológicas, vocês pensam dar, então, esse pulo na venda das grandes viagens?
Sim, até porque somos muito competitivos. Aliás, compararmos o nosso produto de grandes viagens com outros operadores que o fazem, às vezes a diferença de preço está no seguro ou porque uns incluem visto no destino, outros não, e nós, quando apresentamos os pacotes, apresentamos no todo.
Se o destino obriga a um visto, temos que incluir o visto no pacote, porque estamos a ludibriar um bocadinho se não o incluirmos. Temos, inclusivamente, em determinados períodos, ofertas exclusivas de alguns fornecedores nessas grandes viagens para o mercado e em exclusivos para a Solférias.
Somos mesmo muito competitivos e em todos os nossos eventos, em todas as nossas apresentações, o que pedimos sempre é para que nunca deixem de nos consultar nas grandes viagens e, pelo menos, comparem.
No regular, a Solférias tem alguns destinos em que é muito forte, como é o caso da Disney…
Sim, e temos o São Tomé e Príncipe, por exemplo, em que continuamos a ser líderes de mercado na venda do produto regular. Temos alguns destinos que foram lançados pela Soférias, como a Gâmbia, por exemplo, no período de inverno. Moçambique, pelos atuais problemas políticos, teve a sua quebra, mas éramos o único operador que estava a comercializar Moçambique em termos de pacote turístico e que estava efetivamente a recuperar.
Temos as Maldivas, temos a Maurícia, em que em 2023 fomos o número um ibérico, nos hotéis SunLife. Ou seja, continuamos a ser muito reconhecidos e a ter papéis de liderança em algumas cadeias hoteleiras nesses países de longa distância.
“As Ilhas Portuguesas, tanto a Madeira como os Açores, e até o Viagens na Minha Terra, porque apesar de sermos um operador generalista, em termos de destinos, nós temos equipas muito especializadas em cada um dos continentes e em cada uma das áreas…”
Relativamente à vossa programação, o que é que gostava ainda de destacar?
As Ilhas Portuguesas, tanto a Madeira como os Açores, e até o Viagens na Minha Terra, porque apesar de sermos um operador generalista, em termos de destinos, nós temos equipas muito especializadas em cada um dos continentes e em cada uma das áreas, ou seja, dentro da nossa generalidade de destinos, continuamos a valorizar muito a especialização em cada destino que trabalhamos. E as Ilhas Portuguesas e o Viagens na Minha Terra são produtos a que nós continuamos a dedicar muita nossa atenção e um grande carinho.
Gostava de destacar também o esforço não só do charter para Porto Santo, mas toda a programação que fazemos, de dinamização de pacotes, de eventos especiais na Madeira. Nós acompanhamos muito a agenda cultural da Ilha da Madeira para podermos criar produtos novos, novas dinâmicas, temos uma excelente relação com o Turismo da Madeira que nos ajuda imenso nesta dinamização, assim como os Açores, porque embora nos Açores não tenhamos grande apoio da parte do turismo, continuamos a fazer muito pelos Açores.
Nos Açores, vocês programam circuitos, basicamente?
Fazemos circuitos, fazemos só Ilhas, combinados, a pessoa pode optar só por 3 noites em São Miguel ou combinar o São Miguel com a Terceira, Faial, o que queira. Inclusive temos allotments com a TAP, assumimos lugares em risco com a SATA também. É um produto a que nós também damos atenção e em que assumimos algum risco.
Começámos a falar da Disneyland e voltamos lá: quais são as perspetivas para este ano?
Face a 2024 é muito grande porque acreditamos que depois de um ano difícil com os Jogos Olímpicos, este ano iremos recuperar as vendas, em 2025 temos que fazer parte das vendas de 2024, por isso queremos crescer, pelo menos temos que crescer em torno dos 25%, face às vendas de 2024.
Guardei para o fim um destino que tem muita tradição nas Solférias e que vocês mantêm em charter na passagem de ano, com grande êxito, que é o Brasil, que nos operadores, que está sempre ali em lume brando. Como é no vosso caso?
Na Solférias, esteve realmente um pouco em lume brando, quando estávamos com contratação estática com a hotelaria. A partir do momento em que conseguimos ter as tarifas dinâmicas, o Brasil deu um salto tremendo. Acredito que, em termos de mercado português, os clientes também voltaram a acordar para o Brasil, porque o Brasil passou alguns anos meio adormecido no mercado em geral.
Depois, há a concorrência que as Caraíbas fazem ao Brasil e temos valores quase de metade do preço para o Caribe, à mesma distância de voo do Brasil, com melhor qualidade a nível da hotelaria, e de all-inclusive e tudo mais. Mas o Brasil está a crescer, nós temos uma média entre 40 e 60 passageiros diários para o Brasil.
Sentimos esta tendência desde novembro, tem havido uma grande procura. Os destinos, dentro do Brasil, estão a diversificar-se, embora ainda não tenhamos sentido nenhum impacto do novo destino que lançámos, que foi Santa Catarina.
Quando há novas rotas da TAP, a Solférias tenta apoiar mas Santa Catarina ainda não teve o impacto que estávamos à espera. Esperemos que no roadshow que vamos fazer em março, consigamos divulgar um bocadinho mais o que é Santa Catarina.
Agora, em termos de Nordeste, de Rio de Janeiro, acho que os portugueses voltaram a acordar para o Brasil. Sem falar na passagem de ano em que foram quatro voos sem um lugar disponível – e mais que houvesse para vender.


