A GlobalSea CruiseXperts acaba de celebrar 17 anos e Fernando Santos explica-nos o segredo do sucesso e aponta o futuro
Especialista em cruzeiros, Fernando Santos é sócio-gerente da agência GlobalSea CruiseXperts, que está no mercado há 17 anos, celebrados no passado dia 16 de abril. Em entrevista ao Turisver falou do caminho que a sua empresa está a trilhar mas também da evolução do turismo de cruzeiros, especialmente em Portugal.
Fernando, a sua agência especializada em cruzeiros, a GlobalSea CruiseXperts, celebrou o 17º aniversário no passado dia 16 de abril. Se no início tivesse pensado que era este o percurso, seria esta a vertente que escolheria para trabalhar?
Sim, sem dúvida. Eu, quando decidi montar a agência, foi essencialmente para ser uma agência de turismo de cruzeiros, porque era onde eu me sentia bem, era aquilo que eu conhecia. Depois de ter estado com o projeto da InfoCruzeiros, que foi a primeira rede social em Portugal sobre turismo de cruzeiros, e depois de ter tido, durante dois anos, o programa ‘Cruzeiros’ na SIC Notícias, este era o caminho natural, era passar não só da área da comunicação mas ir buscar alguns ‘skill adquiridos na comunicação dentro de um nicho muito concreto, e dedicar-me totalmente ao turismo de cruzeiros.
Claro que há 18, 20 anos, o turismo de cruzeiros estava numa fase muito embrionária, depois foi crescendo, viemos a assistir a um conjunto de transformações ao nível dos navios, do próprio cliente, e dos destinos, e tem sido um percurso em crescendo, um percurso que foi acrescentando ano após ano, embora tivéssemos vivido algumas situações menos positivas, algumas crises, como a pandemia, como as situações que temos atualmente de algumas guerras, e outras semelhantes.
Mas este é o percurso que eu queria fazer. Não quero ser muito grande, não quero nem poderia nunca ser a agência que vende mais nesta área, o que quero é continuar a ser uma agência boutique em termos de turismo de cruzeiros. E quero ter clientes felizes quando chegam até nós depois de uma viagem.
Houve uma grande evolução nestes 17 anos que se passaram desde que abriu a agência, e muita coisa mudou, incluindo este terminal de cruzeiros [de Lisboa] onde estamos e que então não existia, não é?
Há 17 anos nós tínhamos aqui uns, não quero dizer barracões, mas era algo semelhante que existia ali em frente à estação de Santa Apolónia, e havia de facto a necessidade de dotar a cidade, de dotar o turismo de cruzeiros, com um conjunto de espaços que permitissem receber bem o turista e que permitissem criar novas valências, nomeadamente fazer embarques e ter a possibilidade de em Lisboa se fazerem turnarounds.
Recordo-me perfeitamente do início deste projeto, de quando foi a concurso e estive na abertura do concurso das propostas. Recordo-me que estive cá quando foi a apresentação do projeto vencedor do professor arquiteto Carrilho da Graça, a oportunidade que tive de o entrevistar no meu primeiro programa na SIC Notícias – fui ao ateliê do arquiteto Carrilho da Graça e vi as maquetes em primeira mão. Portanto, há também aqui alguma relação emocional entre Lisboa e entre o terminal onde nós estamos.
“(…)com a quantidade de pseudo-influencers e de pessoas que, de um momento para o outro, começaram a vender viagens sem ter um conhecimento profundo do que é o turismo de cruzeiros, podem meter muito rapidamente os outros, e a eles próprios também, em grandes problemas”
O cliente português tem crescido para este segmento da oferta, mas ainda é muito desconhecedor quando vai a uma agência fazer a sua marcação para uma viagem de cruzeiro…
Eu dividiria essa pergunta em duas fases. Há aquele cliente que quando chega a uma agência já tem alguma noção daquilo que quer, porque é repetente, há aquele outro cliente, ou potencial cliente, que já fez um conjunto de outras férias, nomeadamente de pacotes para as Caraíbas, o Mediterrâneo, etc., e que quer variar, quer ter outro tipo de experiência, e os clientes que procuram nas redes sociais informações para poderem fazer umas férias. Esse é o grande perigo, porque hoje em dia, com a quantidade de pseudo-influencers e de pessoas que, de um momento para o outro, começaram a vender viagens sem terem um conhecimento profundo do que é o turismo de cruzeiros, podem muito rapidamente meter os outros, e a eles próprios também, em grandes problemas.
Não é por acaso que vimos pessoas, que estão muitas vezes longe dos seus países e que depois ficam perfeitamente desacompanhadas sem o apoio de uma agência de viagens, sem ter um conhecimento específico, técnico e científico do papel que o agente de viagens pode transmitir. O agente de viagens não é apenas a pessoa que passa uns bilhetes para a mão e que recebe uns dinheiros por isso, o agente de viagens mais do que um consultor, é uma pessoa que está ao lado do cliente, que acompanha a viagem, que conhece o destino, que já lá foi.
Eu, por exemplo, posso dizer que se calhar 95% dos cruzeiros que vendo são de sítios onde já estive, daí os meus 107 cruzeiros e mais de 180 portos visitados em todo o mundo, portanto, mantenho uma memória bastante fresca de onde estive, do que quero fazer, como mantenho uma procura muito atenta e uma atualização de todo esse espaço, para poder dar a melhor informação possível às pessoas que connosco viajam.
O turismo de cruzeiros ainda tem possibilidade de crescer no mercado português?
O turismo de cruzeiros tem toda a possibilidade de crescer porque tem um conjunto de valências de que os viajantes se vão apercebendo, seja o fator preço, seja a qualidade que têm no produto que adquirem, seja a experiência que têm quando viajam num cruzeiro. Quando regressam, essa experiência é comentada nas suas redes sociais, é comentada no local onde trabalham, que é outra rede social, é comentado com os amigos, com a família e depois, em vez de ir um casal ou dois, o que acontece é que começam a juntar-se em grupos de pessoas amigas, e é frequente termos 10, 12, 15 pessoas ou 20 pessoas amigas a viajarem em conjunto.
Diz-se muitas vezes que a oferta que tem motivado este crescimento é muito assente nas partidas e chegadas a Lisboa. Está de acordo?
Estou perfeitamente de acordo. As partidas que têm acontecido e os desembarques na cidade de Lisboa, pela proximidade e pela não necessidade de as pessoas terem que se deslocar para iniciar um cruzeiro, têm dado um grande impulso. Essas pessoas, mesmo que façam, por exemplo, um Mediterrâneo ocidental ou um posicionamento de Lisboa para o norte da Europa, para o Brasil ou para a América do Norte, são pessoas que depois continuam a fazer outro tipo de viagens.
É tão simples quanto isto: se eu fizer um Mediterrâneo ocidental, e foi assim que eu próprio comecei há muitos anos, o meu pensamento vai ser ‘e agora o que é que eu vou fazer? Talvez um Mediterrâneo oriental’. E se já fiz um Mediterrâneo oriental, se calhar vou fazer um fiorde, e depois um Báltico, depois Caraíbas… e depois vêm os outros destinos mais seletivos, como por exemplo, o Alasca. Eu agora vou novamente ao Alasca, vou fazer um Alasca com um cruise tour, que é outra forma diferente de fazer o Alasca que eu já fiz. É fazer a América do Sul, é fazer o Japão. Hoje em dia temos um conjunto grande de destinos, aliás, para o ano vamos fazer um grupo para a Austrália.
Estamos a falar de destinos que não são propriamente aqui à volta de casa, mas todos nós começámos por aí. Se calhar há poucas pessoas que começaram por fazer um Japão ou um Alasca, portanto, eu diria que isto é como se fosse uma pirâmide. Cá em baixo, na base da pirâmide, temos um Mediterrâneo, e depois se calhar começamos a subir e chegamos até outras situações, que é o luxo, ou outro patamar ainda, que é a exploração. Os navios de exploração, que fazem Galápagos, que fazem Antártida, o Ártico, e que fazem pedaços do nosso globo, muito exclusivos. Portanto, se tivermos isto em mente, uma pirâmide, conseguimos aqui perfeitamente definir as várias camadas, até chegar lá acima.
Hoje em dia, havendo uma panóplia grande de companhias de cruzeiros, Portugal tem uma grande oferta, mas grande parte das vendas assentam numa companhia que é a MSC. Percebe-se o porquê de as outras companhias não terem um peso significativo no nosso mercado?
Isso para mim é muito claro. Eu acompanhei o nascimento da MSC em Portugal desde o primeiro dia e sei, como sabem todas as pessoas atentas dentro deste mercado, o papel que a MSC tem vindo a ter ao longo dos anos, desde que nasceu aqui em Portugal. A MSC deve ter 35, 36 funcionários, tem os navios que tem, tem equipas de marketing, de vendas, comunicação, booking, está muito bem estruturada. E para além de comunicar muito bem, tem outra coisa que é essencial: tem produto.
Isto é, não tem apenas uma partida desde Barcelona, não tem uma partida de apenas Veneza, têm variados navios com embarques principais em Barcelona, em Veneza, também no Norte da Europa, tem o Dubai, onde infelizmente teve agora um problema devido à guerra no Médio Oriente, mas felizmente já conseguiram retirar o MC EURIBIA. Têm uma aposta fortíssima no mercado americano, com um terminal fabuloso em Miami, onde eu tive a oportunidade de ter estado logo praticamente no primeiro dia. Têm no Alasca e na Ásia. Portanto, tem mercado, tem soluções, tem propostas, tem preço, e é uma companhia europeia muito adaptada também àquilo que é o povo latino. Portanto, não me espanta nada que possa ter 60 ou 70% do mercado em Portugal.
“(…)… todos os clientes são nossos clientes, todos os clientes são pessoas que acreditam em nós, mas em termos de produto gosto muito de vender premium, gosto muito do luxo e foco-me muito nessas áreas, quer seja individual, quer seja para grupos”
Voltando à GlobalSea. Dizia há pouco que não tem a pretensão de ser quem vende mais cruzeiros em Portugal, mas qual é o caminho que está a trilhar e que pensa seguir em termos dos próximos anos?
Estou muito focado no mercado premium e no mercado de luxo. O premium e o luxo são muito interessantes do ponto de vista do contacto, são muito interessantes do ponto de vista do produto que temos para oferecer, e há muitas soluções. Claro que todos os clientes são nossos clientes, todos os clientes são pessoas que acreditam em nós, mas em termos de produto gosto muito de vender premium, gosto muito do luxo e foco-me muito nessas áreas, quer seja individual, quer seja para grupos. Há outra área que temos estado também a desenvolver, temos feito alguns grupos, nomeadamente este ano vamos ter um, que está fechado, que é o mercado do turismo fluvial.
O rio tem benefícios muito interessantes, consegue oferecer propostas muito interessantes aos viajantes, nomeadamente viajantes de cruzeiro, porque tem uma forma diferente de ver as cidades e uma calma diferente de ver e de estar a bordo. Portanto, eu diria que é um alargamento de mercado que estamos a fazer e que temos vindo a fazer nos últimos anos e com algum sucesso, porque abrimos uma partida e fechamos a partida.
Portanto estão a fazer os cruzeiros fluviais na Europa?
Na Europa, sim. Na Alemanha, em França.
Portugal não trabalha nesse segmento?
É difícil trabalhar isso do Douro, porque o Douro tem muitos datas fechado, para charters e não restam muitos lugares para datas que os clientes pretendem.


