A DIT está a preparar-se internamente para ter “um crescimento na ordem de 50%” em 2026, adiantou César Clemente ao Turisver
Em entrevista ao Turisver, César Clemente, diretor comercial da DIT Portugal falou do crescimento que o grupo tem tido este ano em Portugal e traçou estimativas para 2026. A aquisição pelo grupo Ávoris e a mais-valia que representa para a DIT e a próxima macro convenção ibérica, estiveram também entre os vários temas abordados.
Ao longo deste ano, a DIT foi anunciado a entrada de várias agências. Pode dizer-se que, neste momento, já têm um número significativamente maior de agências em relação ao ano passado?
Temos um número bastante maior sim, e nem todas as agências foram anunciadas, não por uma questão nossa, porque nós gostamos de anunciar todas as agências que entram, mas por questões das próprias agências.
Há agências que não querem que se saiba onde estão, são questões internas e como nós somos um grupo de agências de viagens independentes, elas são independentes e têm direito a decidir o que querem ou não fazer. Ainda agora, por exemplo, tivemos três que entraram que não quiseram que fosse anunciado.
Qualquer das formas, isso tem que ser comunicado aos operadores, não?
Claro. Qualquer agência que entra é comunicada aos operadores mas a nível do público, de redes sociais, pedem para não se publicitar e nós respeitamos isso. Mas sim, estamos a ter um crescimento sustentado e estamos a crescer cada vez mais. Isto é, o número de agências que nos tem procurado e o número de agências que querem saber o que é o nosso projeto, tem vindo a aumentar.
O que é que isso significa para vocês?
Significa que o mercado está a olhar para a DIT com outros olhos. Não é uma questão de “andarmos atrás de agências”, são as agências que vêm ter connosco, que querem conhecer o nosso projeto, e querem saber junto de nós o que é uma agência DIT, pedir explicações sobre o que fazemos de diferente.
Houve uma reestruturação grande no último ano dentro da DIT, com a questão da aquisição da DIT por parte do Grupo Ávoris, e havia muito receio, mas penso que foi uma situação que toda a gente percebeu. Primeiro, tivemos a situação das nossas agências, quando a notícia surgiu no mercado, as nossas agências ficaram todas serenas porque elas já tinham tido a informação toda, sabiam que negócio estava a ser preparado, como é que estava a ser preparado e o que ia acontecer.
“O Grupo Ávoris vai-nos trazer ainda mais tecnologia, não tenho dúvidas, mas o importante é referir que vamos ter condições preferenciais, seja a nível de comissões de “rappel” e de “chapela”, que é o nosso “rappel” extra que nós damos às agências, porque queremos que elas nunca paguem quotas – pagam com o rapel de chapela”.
Mas a concretização do negócio foi um processo demorado?
Demorou um bocadinho a ser concluído, e depois de concluído demorou a ser autorizado pela Autoridade de Competência em Espanha, e é fácil perceber porquê: estamos a falar de um grupo que, em termos ibéricos, tem 1.200 agências, e esse grupo ser adquirido por outro grupo que já tinha mais umas centenas de agências, seja através da B travel, seja através da Halcón Viajes em Espanha, seja através dos dois grupos de gestão que tem em Espanha, constituía um grupo enorme, e foi preciso mostrar que não se chegaria a uma situação de quase monopólio do mercado.
As nossas agências perceberam e verificaram, nos últimos meses, desde que o negócio foi realmente feito, que a entrada da Ávoris não alterou em nada a estrutura da DIT. Continuamos a ser a mesma empresa gerida da mesma maneira, é óbvio que vamos buscar muita coisa à Ávoris, que aprendemos muito com um grupo como a Ávoris, que o ano passado faturou quase 5 mil milhões de euros.
Mas têm surgido notícias divulgadas pela DIT de alguma “arrumação na casa”?
Sim, o Jon Arriaga passou a ser o presidente do grupo e o Lander Arriaga assumiu a direção-geral em Portugal. Tem estado muito empenhado no projeto, tem vindo a Portugal todos os meses, e participa ativamente como aconteceu recentemente nos “First DITs”, quer no Norte, quer no Sul, que são encontros com as nossas agências onde nós lhes passamos informações dos nossos fornecedores em primeira mão.
Neste momento temos uma visão para Portugal e isso potencia a que possa haver um grande crescimento e acredito que é isso que vai acontecer ao nível do número de agências aderentes ao nosso projeto.
Usando as suas palavras, o que é que este colosso que é o Grupo Ávoris, vos trouxe? Foi muito em termos de novas tecnologias?
Nós em termos de tecnologia já tínhamos muita coisa, a DIT é um grupo de gestão que sempre apostou muito na tecnologia, temos o nosso próprio CRM, o nosso sistema de tudo gratuito para as agências, o nosso próprio sistema de gestão da própria agência completamente gratuito, e somos o único grupo de gestão que tem uma aplicação onde as nossas agências conseguem fazer toda a gestão seja ao nível de clientes, de reservas, de operadores, até de recursos humanos. E somos também o único grupo em Portugal, que tem uma agência para os clientes, em que o cliente põe a aplicação no telemóvel dele e há uma comunicação direta com a agência, seja com promoções ou documentação, ou seja, o cliente vai para um país e consegue ter toda a informação de que possa necessitar – e tudo isto é completamente gratuito.
O Grupo Ávoris vai-nos trazer ainda mais tecnologia, não tenho dúvidas, mas o importante é referir que vamos ter condições preferenciais, seja a nível de comissões de “rappel” e de “chapela”, que é o nosso “rappel” extra que nós damos às agências, porque queremos que elas nunca paguem quotas – pagam com o rapel de chapela”. Além disso, também vamos ter algumas coisas exclusivas com a Ávoris, que já estamos a preparar.
O que é que são coisas exclusivas?
É imaginar por exemplo, o charter para o Cayo de Santa Maria, em que haja um hotel que só é comercializado por nós, com um preço diferenciado, o que é possível se mais ninguém comercializar aquele hotel. No futuro, que não será no próximo ano, estamos a pensar fazer uma operação de partidas exclusivas só para a DIT, uma situação que, obviamente, vai começar em Espanha, porque no mercado português ainda não temos capacidade para bloquear um charter só para nós.
“Vendeu-se bastante bem a costa de África, mas vendeu-se muito Caraíbas, no caso do nosso grupo, por exemplo, tivemos um grande crescimento para o destino Cuba, muito pelo facto de termos tido a nossa macro convenção lá, o que fez com que os agentes de viagens olhassem mais para o destino”
O que é que venderam mais este ano em Portugal este ano e o que é que teve mais aumento?
O destino que mais cresceu este ano na DIT foi o Japão, parece que toda a gente queria ir ao Japão. Penso que a Expo de Osaka teve muito a ver com essa procura, mas houve muita gente a ir sem ser pela exposição.
Acho que há uma coisa que mudou este ano, talvez pelas notícias que vão vendo sobre a situação mundial, há pessoas que decidiram fazer algumas viagens longas enquanto ainda dá, com o medo que daqui a algum tempo já não se possa ir. Noto que este ano, houve um grande aumento de vendas no longo curso, mas não só para o Japão, houve também uma boa procura para a Coreia do Sul, o que também ajudou a termos o voo direto de Portugal.
No período do verão, em que os charters ganham peso de vendas, os destinos foram essencialmente os do ano passado, ou houve alterações?
Vendeu-se bastante bem a costa de África, mas vendeu-se muito Caraíbas, no caso do nosso grupo, por exemplo, tivemos um grande crescimento para o destino Cuba, muito pelo facto de termos tido a nossa macro convenção lá, o que fez com que os agentes de viagens olhassem mais para o destino, e tiveram noção in loco de que Cuba, afinal não é como estavam a dizer. É sempre diferente uma agência dizer ao cliente, eu ouvi dizer, do que dizer, eu estive lá, vivenciei o destino estão aqui as fotografias, as praias são assim, a comida é assim.
É óbvio que também é preciso ter noção – e eu passei essa informação para as nossas agências que vieram ano passado -, que às vezes, quando fazemos estas macro convenções, as coisas são um bocadinho melhor do que o normal, mas Cuba tem muita potencialidade, e tem uma coisa fantástica que é um povo que te recebe com um sorriso em todo lado.
“Para o ano, queremos continuar o crescimento em termos do número de agências e estamo-nos a preparar-nos internamente para termos um crescimento na ordem de 50%…”
O que é que os agentes de viagem portugueses podem esperar da vossa próxima convenção, que é a convenção ibérica?
Da nossa convenção ibérica que vai ser de 30 de outubro a 2 de novembro, podem esperar uma convenção de muita partilha, muita informação e formação. Prevemos ter lá cerca de 900 pessoas, e vamos ter algumas palestras bastante interessantes.
Estas convenções ibéricas têm uma grande vantagem, porque as nossas agências ficam com ideia de um mercado completamente diferente, e trazem ideias de outras formas de trabalhar, porque apesar de Espanha ser aqui ao lado, é uma cultura completamente diferente, e para algumas agências nossas que têm incoming, por exemplo, é um local muito bom para se abrirem ao mercado espanhol, porque têm lá 700 parceiros de Espanha.
Já me pode falar dos objetivos de DIT para o ano em Portugal?
Para o ano, queremos continuar o crescimento em termos do número de agências e estamo-nos a preparar-nos internamente para termos um crescimento na ordem de 50%, mas como sempre digo não queremos ser os maiores, queremos ser os melhores.
Estão a preparar a estrutura da DIT para dar resposta a esse crescimento esperado?
Sim, até porque às vezes as pessoas, porque não conhecem bem a DIT, têm ideias erradas, pensam que a nossa estrutura é pequena, mas é preciso ter noção de uma coisa, nós em Portugal não temos ninguém no marketing, porque temos 4 pessoas no marketing em Espanha que trabalham para Portugal também. Tudo o que é publicado, tudo o que é feito é traduzido por nós, mas o trabalho é feito lá.
Temos a nossa parte informática, o CRM é nosso, o sistema de gestão das agências é nosso, a internet é nossa, as aplicações são feitas por informáticos dentro da casa. Estamos a falar numa equipa de 5 informáticos – também não está ninguém em Portugal, mas estes 5 estão a trabalhar Portugal.
Gostava de sublinhar que nós preferimos chegar ao fim do próximo ano e crescer 40%, com conta, peso e medida, e com agências boas a entrar, do que ter um crescimento de 60%, feito “às três pancadas”.



