80% das empresas do turismo têm dificuldade em contratar recursos humanos qualificados e 67% já contratam durante todo o ano
Estas são duas das conclusões do estudo Tourism Talent Report desenvolvido pela Bolsa de Empregabilidade. Divulgado esta quarta-feira, 12 de agosto, o estudo desmistifica a ideia de que as empresas do setor apenas fazem contratações para responder aos picos da procura turística.
De acordo com as conclusões do primeiro estudo nacional desenvolvido pela Bolsa de Empregabilidade, o mercado de trabalho no turismo está a viver uma “mudança estrutural”. Concluindo que 68% das empresas continuam a recrutar para responder às necessidades sazonais, o estudo revela que praticamente o mesmo número de empresas (67%) afirma realizar recrutamento contínuo ao longo do ano, sinal de que o Turismo procura cada vez mais equipas permanentes e carreiras de longo prazo.
O que não tem mudado muito ao longo dos últimos anos é a dificuldade em recrutar recursos humanos, principalmente qualificados. Neste contacto, o estudo aponta que 80% das empresas admitem ter dificuldades em encontrar candidatos qualificados, sendo esta, de forma destacada, a principal preocupação dos empregadores.
Entre os restantes desafios identificados destacam-se uma elevada rotatividade dos colaboradores (42%); indisponibilidade para horários (35%); falta de candidatos (33%); expectativas salariais elevadas (27%) e dificuldade em atrair talento jovem (20%).
Os dados mostram que o problema deixou de estar apenas na quantidade de candidatos disponíveis e passou sobretudo pela dificuldade em encontrar profissionais com competências técnicas, experiência e disponibilidade para responder às necessidades das empresas.
“Employer Branding” passa de tendência a prioridade estratégica
Outra das conclusões do Tourism Talent Report prende-se com a crescente importância da marca empregadora. Atualmente, 73% das empresas já investem ativamente em employer branding, recorrendo sobretudo às redes sociais, eventos presenciais e aos seus próprios websites para atrair profissionais.
O estudo conclui igualmente que, apesar da forte presença dos canais digitais, o contacto presencial continua a ser determinante, tanto para o recrutamento como para a construção de relações de confiança entre empresas e candidatos. Neste âmbito, as Feiras de Emprego continuam entre os canais considerados mais eficazes para identificar talento qualificado.
De acordo com a Bolsa de Empregabilidade, o ‘Tourism Talent Report’ 2026 analisa a “evolução do recrutamento e do talento no setor, a partir da informação recolhida junto de 111 empresas e 5.346 candidatos, ao longo das cinco edições da Feira de Emprego do Turismo realizadas”.
De acordo com a mesma informação, entre os mais de 5.300 profissionais analisados 44,1% possuem ensino secundário, 32,8% são licenciados e 10,1% têm grau de mestre.
Além disso, quase metade dos candidatos (47,4%) já possui experiência profissional no Turismo, enquanto apenas um terço apresenta formação específica na área, evidenciando que o setor continua a atrair talento proveniente de diferentes percursos profissionais.
O estudo revela ainda uma crescente diversidade internacional dos profissionais presentes nas Feiras de Emprego, confirmando uma tendência de internacionalização da força de trabalho que caracteriza atualmente o setor.
Quase 30% dos candidatos participam nas Feiras para conhecer empresas e oportunidades, enquanto outros procuram fazer networking, mudar de carreira ou adquirir conhecimento sobre o setor, demonstrando que a decisão de candidatura depende cada vez mais da reputação das organizações e da sua proposta de valor enquanto empregadoras.
António Marto, fundador da Bolsa de Empregabilidade, afirma que “os resultados demonstram que o Turismo português entrou numa nova fase. O desafio já não é apenas recrutar pessoas para responder aos picos de atividade, mas construir relações duradouras entre empresas e talento. As organizações que conseguirem afirmar-se como marcas empregadoras fortes serão as mais bem preparadas para competir num mercado onde os profissionais têm cada vez mais opções”.
Imagem: Rodrigo Cañas em Pixabay


