73% dos europeus tem planos para viagens de férias até novembro, segundo a ETC
Para 73% dos europeus, a vontade de viajar supera as preocupações com a inflação e o aumento dos custos de viagem e, entre os que tencionam viajar, 38% planeia fazê-lo duas vezes este ano, segundo os resultados de um inquérito da European Travel Commission.
A inflação, o aumento dos preços, a guerra na Ucrânia e o Covid preocupam os europeus, mas depois de dois anos em que praticamente não puderam viajar, o desejo de o fazerem este ano parece suplantar tudo. Tanto assim que 73% dos inquiridos para o estudo da European Travel Commission, planeia viajar em férias entre junho e novembro, com 31% a afirmar que vai viajar para um país europeu das proximidades e 27% a preferir países não vizinhos. Aliás, de acordo com os resultados do inquérito da ETC, o interesse em visitar outros destinos europeus (58%) aumentou (+7%) desde o verão passado. Por outro lado, 38% dos entrevistados planeiam viajar duas vezes, enquanto 20% tenciona fazer mais de três viagens este ano.
Os destinos preferidos continuam a ser Espanha, França e Itália (10% cada), seguidos da Grécia (7%) e da Croácia (6%), que entra no top cinco pela primeira vez. A maioria tenciona viajar nos meses de junho e julho (41%), ou agosto-setembro (42%) e pretende ficar entre 4 a 9 noites no destino.
Clima agradável, ofertas atraentes e menos multidões são fatores decisivos na escolha de um destino de férias, pelo que passar tempo na natureza (19%), saborear a gastronomia local e iguarias regionais (16%) e mergulhar no estilo de vida de um destino (16%) é o que os viajantes pretendem.
Luís Araújo, presidente da ETC (e do Turismo de Portugal) diz que “é animador ver o setor de viagens na Europa a recuperar-se fortemente, proporcionando otimismo para a época de verão nos destinos europeus”. Mas Luís Araújo alerta que “não podemos ignorar os desafios que permanecem nos próximos meses. Além do aumento da inflação, há uma escassez aguda de talentos em todo o setor após a pandemia”. Porque “reconstruir essa capacidade é imperativo”, a ETC pede à UE e aos governos europeus que “reflitam sobre a melhor forma de enfrentar esses desafios e apoiar o setor”.
Mais preocupados do que o ano passado com a inflação e o aumento dos preços e, principalmente, com o reflexo que isso terá nas suas finanças pessoais, 15% dos europeus inquiridos assumem estar mais atentos às “pechinchas e ofertas atraentes” que assim se tornaram fatores importantes na escolha do destino de férias. Essa mesma preocupação tem levado a que o número de reservas antecipadas não tenha ainda atingido o nível de 2019: “quase metade das viagens (49%) planeadas para junho ou julho ainda não estão totalmente reservadas”, segundo o inquérito, com a ETC a referir que esta situação “sugere que muitos estão adiar as decisões à espera de negócios de última hora mais económicos”.
O que o inquérito também reflete é que os europeus estão cada vez menos preocupados com o Covid, sendo que mais de um terço dos inquiridos afirma que os seus planos de viagem não são afetados pelo vírus. Já a situação geopolítica não teve impacto na decisão de 44% dos europeus mas 31% confessa ter modificado os seus planos de viagem devido à guerra na Ucrânia, embora apenas 4% tenham cancelado as suas férias.


