41% dos açorianos considera satisfatório desenvolvimento do turismo no arquipélago
Pelo menos 41% dos açorianos considera satisfatório e 13% bastante satisfatório o desenvolvimento atual do turismo no arquipélago, embora ressalvem o aumento do custo de vida, avança o inquérito do Observatório Regional do Turismo (ORT), que integra a Rede Internacional de Observatórios de Turismo Sustentável.
Segundo o mesmo inquérito, que é relativo a 2024 e que compreendeu 833 respostas nas ilhas do Faial, Terceira e São Miguel (as mais representativas da região em termos de população e economia), só 7% dos inquiridos considera o turismo pouco satisfatório e 3% muito pouco satisfatório.
Quando questionados se o turismo atrai investimento para a sua ilha 84,1% considera que sim, mas 77,6% considera que aumenta os preços dos terrenos e das casas para compra ou arrendamento. Também 78,6% diz que o turismo aumenta os preços dos bens, serviços e produtos e 71,6% que aumenta o custo de vida.
No que diz respeito à criação de postos de trabalho, o ORT revela que 79% responde afirmativamente, enquanto 53,5% aponta a falta de recursos humanos qualificados no setor.
O mesmo documento avança que o turismo aumenta a oferta de eventos culturais, por exemplo festas, concertos e outras manifestações artísticas (67,1%), contribui para a conservação e restauro do património construído (67,8%) e valoriza o património imaterial (68,3%).
No entanto, 63,0% de os açorianos questionados neste estudo acreditam que o turismo aumenta os níveis de poluição, enquanto 59,7% é da opinião que o número de turistas está a causar uma elevada pressão sobre o ambiente natural dos Açores nas épocas altas.
Entre as sugestões avançadas pelos residentes para o desenvolvimento turístico está “a aposta na qualificação e formação dos colaboradores, a imposição de limites no número de visitantes em determinados locais, a preservação dos espaços verdes, a melhoria da rede de transportes públicos com mais rotas e horários e uma aposta no turista que deixa mais valor no destino”, mas também “o aumento dos recursos humanos no setor turístico, a fiscalização e controlo do número de alojamentos locais, uma aposta na política de preços, a existência de mais companhias aéreas a voar para os Açores com preços competitivos, a construção de mais parques de estacionamento e a limitação à construção de grandes empreendimentos para evitar o turismo de massas”.
Pelo menos 24,3% dos inquiridos acredita que a falta de mão de obra qualificada e os preços elevados para a qualidade oferecida vão afetar o desenvolvimento turístico nos Açores a longo prazo.
No que toca à sustentabilidade, 75,7% considera que os Açores estão a seguir um modelo sustentável, contra 24,3% que não tem a mesma opinião, justificando a resposta com o facto do atual modelo estar a gerar demasiada pressão sobre os recursos ambientais. A falta de planeamento e ordenamento da oferta e o excesso de alojamento local são apontados como causas para uma futura falta de sustentabilidade.


